Jale na Albânia

Jale foi mais uma praia albanesa que fomos conhecer. 

Enfrentar a serra, mas antes de chegar à praia, uma parada para uma foto da sempre encantadora paisagem.

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Jale

Mais uma praia de bela paisagem, água transparente, temperatura ideal, organizada e limpa. Esteja na praia ou no mar, só pisará em pedrinhas.

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Ficamos próximos a uma numerosa família italiana. Eu gosto muito de ouvir o som do italiano, mas eles não se calam. :))))

Enquanto estivemos nesta praia ouvi uma das poucas músicas brasileiras, que me faz lembrar que o Brasil tem uma região Norte que é culturalmente rica. Lambada, dos Kaoma, enorme sucesso internacional dos anos 80.

Vamos ao curto vídeo de mais uma praia albanesa. Vem comigo!

Até ao próximo post! 😉

Com Paraquedas (o livro) em Drymades

Para a aventura em terras albanesas levei como companhia durante o vôo, o livro do querido escritor P.R.Cunha, o seu Paraquedas (um ensaio filosófico).

O voo Bruxelas-Viena-Tirana foi suficiente para “devorar” boa parte das páginas. O término da leitura não poderia ter sido num lugar mais conveniente, Drymades. Uma praia tranquila, partidas de xadrez entre duas jovens a poucos metros e ainda alguns vôos de paraquedas (ver filme). E “dry”, uma palavra albanesa que significa cadeado. Coincidências, acasos com o Ensaio.

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Neste post vou falar sobre coincidências entre o livro e eu. Sobre temas abordados durante o ensaio filosófico que me tocaram no sentimental e na memória. Não importa se a leitura é de fatos verídicos ou não. O que importa é a essência das reflexões. E é sobre estas que passo a escrever.

Logo nas primeiras páginas, a leitura é sobre os amigos e as amizades. Um tema que estou sempre a refletir. Sinto o mesmo sobre os “amigos”, mas na verdade já perdi a noção do que realmente é um “amigo”. A palavra “amigo” é uma das que, recentemente, foram banalizadas. Passou a ser comum, ouvir e ler: “oi amigo”, “amiga blá blá”. Quase sempre seguido de um pedido ou exibição. Este tema trouxe-me à memória uma cena do curso de holandês, quando durante um exercício escrito que perguntava sobre quem são seus “amigos” na sala, uma colega de origem russa disse sem cerimônias: “Eu não tenho amigos na classe, apenas conhecidos.” Sinceridade russa! O detalhe é que 80% da turma já se conhecia do módulo da turma.

Eu também gosto das marcas da vida. Tenho uma de queda quando criança. Não me recordo do acidente de baloiço, mas não esqueço de olhar a imperfeição em forma de X, abaixo do lábio inferior. E busco as cenas em minha memória, mas absolutamente nada surge.

Comportamentos de família. Cheguei à conclusão que todas as famílias procuram esconder os seus registros indesejáveis. E o que é família? Eu não sei mais, também. Aliás, gosto da forma como a língua holandesa define família. O grupo que mora dentro de uma casa é “gezin”, ou seja, pais e filhos. Todo o resto é chamado de família.

Um morto recebe sempre a condição de ex-vivo exemplar, ou quem sabe, a alcunha de “o coitado” como bônus. Provavelmente, esse comportamento é explicado pela religiosidade. Foi assim que a religião nos ensinou. E também há famílias que se comportam como seitas. Sendo assim, os planos de fuga acabam quase sempre por falir.

Os sonhos, de certeza, seriam uma excelente fonte de inspiração para compor uma obra. Também já pensei em os escrever, deixando um bloco e uma caneta ao lado da cama, mas a memória desses sonhos que pareciam incríveis acabavam sempre por fugir assim que eu despertava.

Penso como a tia Laura: “a gente nasce, a gente vive, a gente morre, e pronto.” Porém, compreendo os motivos pelos quais muitos não pensam assim. 

“Queremos que alguém se lembre de nós depois que morrermos”. Sempre haverá esse alguém, nem que seja por pouco tempo. E o seu Paraquedas, com certeza, voará por gerações, e em alguns diversos pontos do planeta. Que venham outros Paraquedas, que venham outros ensaios filosóficos, um pouco mais desse escritor que ainda tem muito a dar, a fazer saber.  Parabéns, P.R.Cunha!

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector VIII

clarice-lispector-uma-geografia-fundadora-antnio-campos-7-638O passeio da família

A Clarice ia com a família aos domingos ver os navios no porto do Recife.

Em um desses dias, quando estavam num bar, Clarice conheceu ovomaltine de bar. Não gostou do que todos gostavam. E, com seu conhecido humor, achava que quem não prestava era ela.

 

Até ao próximo post!

Drymades de cenas incomuns

 

Seguindo as aventuras em terras albanesas foi a vez de ir conhecer uma segunda praia.  Sair de Himarë até a praia de Drymades significa enfrentar a serra, mas com o brinde de ser acompanhado por uma fantástica paisagem que revigora a mente. 

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Vista da serra em Drymades beach

Mais um show de organização das praias albanesas com vários serviços à disposição. Uma praia com pedrinhas e seixos graúdos. A água é de um azul turquesa que se apaixona à primeira vista. A temperatura? Simplesmente, ideal. 

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Praia e mar em Drymades, um pequeno paraíso

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E a Albânia vai surpreendendo por sua beleza em terra e mar. Já estive em incontáveis praias neste mundo, mas foi na Albânia que vi cenas surpreendentes. Nada de vendas de guloseimas, ou adornos para o corpo, ou massagem, etc. Nas praias albanesas que estive vendiam-se frutas! Eram, sobretudo, figos, amoras e uvas. E vendedores ambulantes de livros!!!

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Foi nesta praia que também presenciei duas jovens jogando várias partidas de xadrez. O xadrez que também presenciei sendo jogado numa praça em Tirana.

Um dia maravilhoso em minha vida. Uma praia que amamos, a nossa preferida de todas que visitamos nesta viagem à Albânia. Momentos incríveis vividos com estupenda beleza em terra, mar e ar. Dry que em albanês significa “cadeado”, com justiça, aprisionou os nossos corações. O vídeo que fiz mostra muito mais que as imagens deste post. Vem comigo! 😉

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector VII

download.jpegO primeiro livro de cada uma de minhas vidas 

Clarice dizia que não havia o livro de sua vida, mas sim “o livro de cada uma de suas vidas”.

O livro de suas vidas foram:

  • A história do patinho feio e da lâmpada de Aladim.
  • Reinações de Narizinho
  • O lobo da estepe
  • Aos 15 anos, um livro que Clarice dizia que era ela: Felicidade, da escritora Katherine Mansfield.

Até ao próximo post!;)

Gjipe, uma pérola albanesa

A primeira praia da Albânia que fomos conhecer chama-se Gjipe Bay. Não é fácil ir até lá, mas valeu a pena!

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Enfrentamos o “carrossel” da serra até chegar à placa de aviso para Gjipe. Viramos à esquerda, e a partir daí entramos por uma estrada estreita com espaço para passagem de apenas um carro e com alguns poucos pontos para encostar se avistar um carro em direção contrária. É assim até chegar a um estacionamento em terra com algumas oliveiras. O estacionamento nas praias albanesas variam de preço, mas nunca excederam os 500 leks (1€=119 leks).

Depois é caminhar por cerca de 2 km de uma descida em terra e pedras. Por vezes, passavam valentes carros apropriados para este tipo de terreno. Um furgão (carrinha) de placa suíça ficou pelo caminho.

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O caminho à pé até à praia Gjipe

Durante a descida avistei 3 bunkers do tempo da guerra fria, ainda sob influência soviética. Um tempo que a Albânia isolou-se do mundo. Falarei um pouco sobre este período em futuros posts.

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bunker

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De repente, avista-se o mar e a praia. Claro: Uauuu…! Uma cor belíssima! Um azul turquesa e um ambiente sossegado, só quebrado pela passagem de algumas lanchas e pelo canto das cigarras.

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Caminho até à praia Gjipe
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Gjipe

Ao pisar na primeira praia albanesa observamos à volta um verdadeiro espetáculo de beleza e harmonia com uma organização e limpeza impecável. A praia é de pedrinhas, e é bom saber nadar, pois cerca de 4 passos no mar e já não se toca o chão.

Nessa praia também há um camping com toda uma infraestrutura de apoio incluindo uma opção de restauração vegetariana. Os preços eram democráticos: um refrigerante custava 150 leks, cerveja entre 180 a 300 leks, os pratos variavam de 250 a 400 leks, sendo que o prato mais caro nestra praia era um peixe especial que custava 800 leks (na Bélgica, este peixe custaria 4 vezes mais). Bem, mas sobre a culinária albanesa falerei em outro post, até porque foi um show inesquecível de sabores. 🙂

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Enquanto lá estivemos, fomos merecedores de simpáticas companhias. 🙂

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Próximo ao camping que fica por trás da praia havia ainda mais beleza como um pequeno campo de girassóis, que tornava a área de tendas mais protegida dos olhares curiosos. E também um impressionante canyon! Os “motorhomes” ficavam na praia e eram dos mais diferentes modelos.

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canyon

Vem comigo conhecer todo o ambiente envolvente de Gjipe com o filme abaixo…

Até ao próximo post! 😉

 

 

Um casamento na Bélgica flamenga

A bicicleta está presente no dia a dia dos belgas, principalmente para os que vivem na região flamenga. Sendo assim, ela também participa dos momentos importantes da vida de uma pessoa.

Trago este vídeo “fresquinho” de cenas de um cortejo de casamento na cidade de Sint-Niklaas que ocorreu a meio desta manhã de sábado. Haja criatividade e disposição! 😉

Vivas ao casal e até ao pŕóximo post! 😉

Clarice Lispector VI

 

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Publicado em 1931

Tortura e Glória

Clarice tinha uma colega de escola em Recife, que não estava enquadrada no padrão de beleza moderno, ao contrário de Clarice e suas amigas. Mas, esta colega possuía o que toda criança que gostasse de ler desejaria ter: “um pai dono de livraria.”

A colega era cruel e parecia odiar Clarice e suas amigas. Havia algum sadismo nas suas maldades para com Clarice. O gosto em ler era tanto que Clarice preferia suportar as humilhações e tentava com persistência que a tal garota emprestasse o livro da moda na época: As reinações de Narizinho.

A tal colega disse para Clarice passar em sua casa que o emprestaria. Clarice foi até a casa da garota a andar pulando, “que era o seu modo estranho de andar pelas ruas do Recife“.

Clarice batia à porta, e a garota a torturava com desculpas: “Volte amanhã. Você chegou tarde e emprestei a outra”. E, assim torturou por dias. Até que a mãe da garota fez o flagrante da maldade da filha. Desmascarou a própria filha com sua atitude vergonhosa e a fez emprestar o livro que nunca havia saído da casa, e por tempo indefinido.

Clarice retornou para casa em passos vagarosos, abraçando o livro contra o peito. Era o seu troféu, ou como Clarice disse: “Era uma mulher com o seu amante”.

 

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector V

As grandes punições 

Clarice estudou no Jardim de Infância do Grupo Escolar João Barbalho, em Recife. Foi lá que fez o seu primeiro amigo, o colega Leopoldo.

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Grupo Escolar João Barbalho

Tinham os dois boas notas, menos em comportamento. Eram impossíveis! Certo dia, Clarice começa a soluçar baixinho ao ouvir a professora chamá-la e ao Leopoldo também. Era para fazer um teste de avaliação avançada, a punição divina.

Clarice pensava ter nascido com o pecado mortal. Leopoldo tranquilo consolava Clarice, que nem sabia o que era exame, pois nunca tinha feito. Afinal, ela estava no 1° ano e faria uma avaliação do 4° ano.

Quando a professora disse: Agora! Clarice e seus soluços abafados aumentaram. Leopoldo, sempre atencioso com a menina Clarice, orientava-a. Foi graças ao Leopoldo que Clarice quis para o resto da vida a proteção masculina.

Clarice não conseguiu escrever uma única palavra, papel ensopado, lágrimas que não a deixavam enxergar, e a professora disse: Chega!

Clarice fez o 3° ano primário no Ginásio Pernambuco e voltou a encontrar Leopoldo.
Quando estava no 3° ano do ginásio, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Só voltou a ver Leopoldo, já adultos, uma vez e por acaso, na rua.

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Ginásio Pernambucano

Estes dois amigos de infância tornaram-se impossíveis, mas de outra forma. Ele é Leopoldo Nachbin, foi um dos grandes matemáticos. Um dos teoremas de Análise Complexa recebe o seu nome, Teorema de Nachbin.

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Leopoldo Nachbin

P.S.: Leopoldo Nachbin, filho de judeu polonês/polaco e judia austríaca, nasceu no Recife em 1922, e faleceu no Rio de Janeiro em 1993. Teve dois filhos,  o jornalista Luís Nachbin, e o matemático André Nachbin.

Até ao próximo post! 😉

O brilho de Himarë

 

Naquele dia de verão nossos olhos brilharam  quando conhecemos Himarë, que foi a nossa base, e de onde partíamos todas as manhãs para conhecer o máximo possível desse tesouro dos Balcãs chamado Albânia.

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Para chegar a esta linda baía tivemos que subir e descer a serra, e foi assim todos os outros dias. Era sempre tanta beleza, ainda selvagem, ou pouco explorada, que suportavamos os desconfortos de tantas curvas. A Albânia é um país de lindíssimas paisagens.

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Himarë é uma cidade do distrito de Vlorë, e abriga todos os serviços para uma estadia turística, incluindo 2 casas de câmbio. A sua orla à noite é cheia de vida. Em nenhum momento sentimos insegurança. Há restaurantes de muito boa qualidade, com uma culinária de influência grega e italiana. 

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Todas as manhãs íamos comprar pão numa padaria gerida por uma simpática família albanesa. Uma padaria que lembra as padarias dos anos 70. Quando estava a matriarca da família, uma senhora com seus 70 anos, era divertido, porque ela não falava inglês, então íamos colocando moedas no balcão, e ela fazia sinal que era suficiente. Duas deliciosas baguetes custavam menos de um euro. Outro dia estava a filha que falava um pouco de inglês, e fez-me sinal para que eu segurasse a sua bebé ao colo, enquanto organizava o meu pedido. Estes simples momentos de interação numa viagem de turismo também fazem a diferença em nossa recordação. Lembro-me de todas as pessoas que por alguns minutos fizeram parte de nossas vidas. 

O trânsito na pequena Himarë era, por vezes, caótico. Estacionar à noite quando voltávamos de algum destino mais longe não era fácil. Os estacionamentos custavam 500 leks, mas conseguimos um acerto de 300 leks por dia durante as 2 semanas de estadia.

Curioso! Encontramos em Himarë, uma grande bandeira do Brasil, talvez um imigrante brasileiro, ou um admirador do futebol brasileiro como já encontrei em Skiathos na Grécia. Na última noite que estivemos em Himarë também ouvi o som do português de Portugal.

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Em  todos os serviços que utilizamos, encontramos sempre simpatia, e disponibilidade de comunicação nem que fosse através de mímica, escrita de números num pedaço de papel ou uso da calculadora para mostrar o valor de algo. Enfim, havia sempre um cuidado especial com o turista. Por isso, pela beleza, pelo imenso potencial turístico decidimos um dia voltar à Albânia.

Convido-os a assistir ao meu curto vídeo de Himarë em três momentos: de  manhã, ao entardecer, e à noite.  Se gostar deixa o seu “like”. Vem comigo! 😉

 

Até ao próximo post! E acompanha O Miau do Leão também no Facebook e Instagram.  Obrigada! 😉

P.S. 1€ estava a 119 leks.