Vida Maria, o curta-metragem

Vida Maria (2006), é um curta-metragem brasileiro em 3D realizado pelo Governo do Estado do Ceará.

A vida de Maria José, uma menina de 5 anos, cujo seu “divertimento” é aprender a desenhar o nome, mas a sua mãe convence-a de que isso é perder tempo, algo sem importância, diante de tantas tarefas físicas a cumprir: cuidar da casa, trabalhar na roça, buscar água no poço, etc.

O mesmo aconteceu com gerações ascendentes de Marias. E a Maria José cresce, casa e tem filhos, envelhece e o ciclo continuará.

Apenas uma animação cinematográfica? Não. Essa é ainda a triste realidade de um Brasil ainda pouco conhecido, e de outros países pobres também, ou não. O meu “ou não” vem de uma história real passada esta semana na Bélgica, quando uma jovem de 14 anos está grávida, e o pai da criança tem 16 anos. Qual o futuro desses personagens reais? Quais os sonhos de adolescentes serão perdidos ?

Vejo a principal mensagem do curta-metragem sendo em como as experiências que vivemos durante a infância refletem na formação da vida adulta. A mãe de Maria José estimulou a que a filha deixasse de sonhar e brincar, e a própria Maria José reproduziu o que lhe foi ensinado.

Aqui está Vida Maria

A culinária albanesa

Foi surpreendente! Estivemos sempre encantados com o sabor da culinária albanesa, o cuidado com a apresentação dos pratos, o excelente preço/qualidade e a simpatia dos funcionários.

A culinária albanesa partilha influência grega, italiana e de países dos Balcãs.  Então, a presença de pastas, kebab, gyros, tzaziki, salada grega, eram constantes. A Albânia não está no top da propaganda de turismo, por isso tratar bem o turista parece ser uma prioridade. Um sorriso nunca faltou no atendimentos. Olhem o show abaixo e que sirva de inspiração para o fim de semana.

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entradas albanesas

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calamares
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entradas com anchovas
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Não podia faltar o risoto de frutos de mar. Adoro risoto! 😛

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bolas de carne
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entrada

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As sobremesas também seguiam as mesmas influências.

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panacotta
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doces de leite e fruta

Poucos minutos após a nossa chegada em Himarë passamos a conhecer a melhor cerveja albanesa. Em seu rótulo, uma imagem feminina que não é o da albanesa Madre Teresa de Calcutá. Os refrigerantes eram predominantemente de frutas. 

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Num dos jantares, em Himarë, foi nos oferecido uma dose de Raiki Albani, que é a bebida tradicional albanesa e é também a bebida mais alcoólica consumida na Albânia. Raiki pode ser produzida a partir de quase todas as frutas. Esta bebida pode  ser consumida antes ou depois das refeições e, às vezes, até de manhã, enquanto toma um café. Eles produzem o raki de bagas com mais 40% de álcool, podendo chegar a 50%!

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No penúltimo dia de nossa estadia em Himarë observamos um simples restaurante, ficamos curiosos, porque estava sempre com as mesas completas e com muitos estrangeiros, descobrimos na internet que é muito bem conceituado entre os turistas, e lá jantamos as nossas duas últimas noites em Himarë. Trata-se do “Cafe Kanda“. Kanda é o nome da avó do simpático rapaz que atende aos clientes e que fala inglês e gosta de jogar xadrez. É um restaurante caseiro. O pai é o pescador, a mãe é a cozinheira e o filho atende as mesas com estrangeiros. Pura simpatia e sabor autenticamente caseiro. Merecida a nota atribuída 5/5. Partilhamos à moda albanesa os deliciosos peixes do dia, polvo assado, calamares, salada com queijo feta, tzatziki, pimentos verdes assados e batata frita. Tudo acompanhado de vinho branco albanês e de uma dose de aguardente local Raiki.

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Nas praias que estivemos também havia uma grande variedade de lanches que iam das pizzas, aos kebabs e gyros, muitas frutas, mas também alguns salgados não comuns aos países que estive antes.

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lanchinhos na praia

Quando retornamos à Tirana fizemos refeições no hotel e no restaurante do Teleferiku Dajti Express. No hotel foi possível provar pratos típicos da Albânia, que pelo que percebi são mais típicos do Norte do país. Estes pratos tinham tempo de espera maior que os outros, mas valeu a pena. Eram confeccionados com cordeiro, queijo, iogurte, estufados de carne, ovos, batatas, etc.

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s.jpg Faz tempo que não apareçco no blog.  Cá estou no fim da série de posts sobre a Albânia. Uma imagem de um dia muito cansativo em Gjirokastër, mas muito feliz também.

Espero que tenham gostado de conhecer a Albânia, que para mim será inesquecível.

Termino com uma música de um grupo belga que gosto imenso e que não é raro encontrá-los na rua, no supermercado, pois moram a 2km de mim, Hooverphonic (com a formação que mais gosto até hoje). Escolhi a música em homenagem ao vinho italiano de nome quase semelhante que bebi em Tirana.

Até ao próximo post em outras terras! 😉

 

2 imagens curiosas

Duas imagens curiosas das últimas semanas que me marcaram:

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  • Uma máquina para venda de livros na estação central de Antuérpia.
  • Uma aquisição que fiz para recordar a Remington verde que eu usava para os trabalhos da escola

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XVIII

Quatro crônicas escritas por Clarice Lispector que retratam o seu comportamento em táxis e as suas conversas com os choferes:

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Conversinha sobre chofer de táxi
Lição de moral
Teosofia
Ato gratuito

 

Conversinha sobre chofer de táxi

Clarice Lispector utilizava regularmente os servicos de táxi. E numa dessas viagens, perguntou-se se uma pessoa é chofer de táxi por vocação ou não.
Refletia sobre as perguntas indiscretas que faziam durante as viagens. E Clarice respondia-os, exceto quando estava de mau humor.


Lição de moral

Clarice também entrevistava os choferes de táxi, mas uma vez que foi entrevistada por um que perguntou se ela era uma mulher igual a todo o mundo, ela respondeu: mais ou menos.
Clarice
detestava lição de moral.


Teosofia

Houve um dia que Clarice não estava para teosofia. E nesse dia pegou um táxi e o chofer começou justamente a dar lição teosófica.
Ele falava e ela não ouvia até que o chofer falou a palavra “irmandade”, então Clarice reagiu e disse: “Não me senti irmã de ninguém no mundo.”
O chofer continuava sua fala dizendo que o ano dois mil já tinha chegado. De qualquer forma, Clarice sentia-se avançada no tempo. E ela dizia que já tinha aprendido muito com os choferes de táxi que daria um livro.


Ato gratuito

Muitas vezes, Clarice foi salva por improvisar um ato gratuito que é o oposto da luta pela vida e na vida.
Ela escrevia à máquina, e de repente, sentiu um profundo cansaço da luta. Clarice tinha sede de liberdade, e estava cansada de morar num apartamento, e estava cansada de tirar ideias dela, e estava cansada do barulho da máquina de escrever. Ela precisava de liberdade. Precisava pagar o alto preço que custa viver.
Tomou um táxi para o Jardim Botânico, pois precisava ver, sentir, VIVER.

Até ao próximo post no blog! 😉

Tirana, vista das alturas

Após visitar o Bunk’ Art 2 seguimos até ao terminal de bus próximo à praça Skanderbeg e pegamos um bus para a nossa última aventura em terras albanesas, o Teleferiku Dajti Express.

O bus custou 305 leks por pessoa. A forma de cobrança do bilhete foi uma total novidade para nós. Um senhor vestido à paisana vai caminhando dentro do bus, em movimento, e cobrando o bilhete.

Eu estava muito atenta em todo o trajeto. Observei alguns senhores a jogarem xadrez numa praça da capital, muitos pequenos comércios, chamando-me mais atenção aos pequenos comércios de venda de material para panificação. A limpeza das ruas também foi um ponto positivo que observei. Em nenhum momento senti insegurança.

Ao chegar um pouco antes do Bunk’Art 1 tivemos que trocar de bus, mas o tal cobrador teve muito cuidado com os poucos turistas, e através de mímica fez sinal para entrarmos no outro bus.

Descemos após o Bunk’Art 1 e subimos por uma ladeira até chegar ao teleférico. O percurso do teleférico é longo (ver o filme). No fim do percurso há uma completa infraestrutura que inclui hotel, restaurante, bar, parque, mini-golf e outras atividades. Almoçamos no restaurante que apesar de ter um serviço um pouco desorganizado, valeu a pena pelo sabor dos pratos e pela incrível vista panorâmica sobre Tirana.

Vem comigo ver o vídeo que fiz, mostrando um pouco do longo percurso do teleférico, imagens da infraestrutura e a vista de Tirana a partir de uma de suas montanhas.

Até ao próximo post! 😉

Dentro do Bunk’Art 2, em Tirana

Há dois Bunk’Art em Tirana. Visitamos o 2 que fica próximo à praça Skanderbeg, no centro turístico da capital.

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O túnel do Ministério dos Assuntos Internos da Albânia foi construído entre 1981 e 1986, e pode ser considerado como uma das últimas “grandes obras” realizadas pelo regime “comunista” dentro do projeto de bunkerização que começou no início dos anos 70 e levou à construção de 175.000 bunkers de vários tamanhos em todo o país.

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Os bunkers eram de 3 tipos de construção: locais de montanha, edifícios e poços. A estrutura superior foi coberta com uma camada espessa de betão armado que atinge uma espessura de 240 cm. Este bunker recebeu o código “Objekti Shtylla” e possui 24 salas e uma dependência reservada para o ministro dos assuntos internos da Albânia e uma grande sala para as intercomunicações.

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Para visitar o Bunk’Art paga-se a entrada. Está bem sinalizado o caminho a ser percorrido. Há uma vasta documentação sobre o período com imagens, vestuário, móveis, equipamentos diversos, depoimentos em vídeo. É uma atmosfera um tanto pesada. Já falei aqui sobre a visita ao bunker em Gjirokastër (aqui).

Aqui vai o curto vídeo que fiz do Bunk’Art 2. Vem comigo! 😉

Até ao próximo post no blog! 😉

Morte e Vida Severina, o desenho animado

Sou do tempo que esta obra de João Cabral de Melo Neto era leitura obrigatória na escola. Não sei se ainda é assim. Lembro que o li rapidamente, quase cantando no mesmo ritmo do sotaque da obra.

João Cabral de Melo Neto, o poeta e diplomata, já faleceu. Especulou-se que poderia ser candidato ao Nobel de Literatura no ano de sua morte, 1999. Mia Couto, que dispensa apresentações, chega a dizer que foi o maior poeta de língua portuguesa. Sua obra mais conhecida foi transformada em desenho animado a preto e branco, Morte e Vida Severina (1956), é o auto de natal pernambucano. Fala sobre a vida do retirante nordestino Severino, que deixa o sertão em direção ao litoral, para a capital Recife, em busca de melhores condições de sobrevivência.

Relembrar esta obra, agora em desenho animado, é sempre muito emocionante. Torotama, rio Capibaribe, rio Beberibe, os manguezais, cemitério de Casa Amarela, cemitério de Santo Amaro e o nome Severina (nome de minha avó materna) são os nomes de minha infância. Viva o povo nordestino!

Até ao próximo post! 😉