O Palácio dos Sonhos, o livro

ismailDepois de ter conhecido a casa do escritor albanês, Ismail Kadaré, em Gjirokastër Albânia, (aqui) comecei a ler um de seus livros, O Palácio dos Sonhos. Uma obra que logo nas primeiras páginas revelou-se fascinante e intrigante. Quem poderia imaginar que os nossos sonhos pudessem ser enviados para análise ? E assim, ter a possibilidade de prever acontecimentos decisivos. É um pouco do que li que passo a revelar aos meus queridos seguidores.

MarkAlem é um albanês da família Quprili, sobrinho do Vizir. Uma família com presenças nas funções do Estado Imperial. E chegou a vez de MarkAlem também ter uma função neste mesmo Império. Ele foi nomeado para trabalhar na importante instituição Palácio dos Sonhos também referenciado como Tabir Sarrail. E cuja relação com a família sempre foi complicada.

Já desde a antiguidade, e registrado em livros, encontram-se os benefícios das análises dos sonhos e o seu papel na antevisão dos destinos dos países e dos que os governam, principalmente quando relacionados a desgraças.

O Palácio dos Sonhos foi criado para recolher, classificar e examinar a totalidade dos sonhos dos cidadãos, sem exceção. Encontrar um sonho revelador era como buscar uma pérola perdida no deserto de areia. Essa instituição não era uma fantasia, mas sim um dos pilares do Estado.

Além disso, ou seja, de encontrar o sonho revelador, havia a dificuldade de temporalizar o sonho antes de sua manifestação real. Não era difícil imaginar a existência de agentes infiltrados no Tabir Sarrail, por isso era uma instituição totalmente fechada ao mundo exterior.

A quantidade de sonhos variavam de uma estação para outra, sendo ao final do ano mais intensos, aumentando o fluxo de pastas para análise dos sonhos. Quando os sonhos chegavam ao Palácio dos Sonhos eram levados para a seleção a fim de serem separados os sonhos de caráter privado, sem a mínima relação com o Estado, e estes eram logo encaminhados para o arquivo. Era rigorosa a instrução de se banir qualquer preconceito ou toda a consideração pessoal da apreciação dos sonhos, era no entanto assim que os empregados procediam na primeira triagem dos materiais.

MarkAlem, personagem central do livro, começou a trabalhar na seleção, mas logo demonstrou o receio de ser enfeitiçado pelo que lia e esquecer o mundo e o gênero humano. Alguns colegas da seção conservavam a cabeça perdida sobre as pastas, e possivelmente deviam apenas fingir que liam, pensava MarkAlem.

Os sonhos eleitos na triagem eram classificados consoante os tipos de assunto em causa: segurança do Império e do Soberano; política interna;  política interna; vida civil; indícios de um eventual sonho-mor; diversos. Era preciso também saber identificar um possível fazedor de sonhos que era severamente punido, bem como o empregado culpado de fazer valer o sonho, que poderia ser da seleção ou da interpretação. Em caso de dúvida era preferível marcar com um grande ponto de interrogação.

O Tabir Sarraial ou Palácio dos Sonhos era, portanto, uma instituição sedutora e terrível, e completamente alheio à vontade dos homens, a mais estatal.

Depois do sonho selecionado, este era levado à interpretação onde o trabalho era infernal. Um trabalho criativo e completamente distante de uma banal interpretação de sonhos. E MarkAlem foi rapidamente transferido para esta área do Palácio dos Sonhos.

Decifrar um sonho contava com o conhecimento entre a relação dos diversos símbolos do que o próprio símbolo: um gato preto com a Lua entre os dentes corria perseguido por uma multidão de pessoas, deixando atrás de si o registro sangrento do astro ferido…

Quando finalmente o Sonho-Mor era escolhido, faziam-se os preparativos para o enviar ao palácio do soberano. E no dia seguinte chegava a notícia se ficara satisfeito ou não. O Sonho-Mor era capaz de verdadeiras mutações no Estado. Também havia a possibilidade deste ser forjado do início ao fim por empregados levados pelo interesse de poderosos grupos rivais.

O arquivo do Palácio dos Sonhos era enorme e repleto de estantes classificadas: sonhos tidos na véspera de grandes matanças; povos assombrados; povos radiosos; eróticos; crises econômicas; desvalorização das moedas; rendas de propriedades; bancos; falências; conspirações; intrigas governamentais; sonhos de cativeiro; período de servidão; grandes delírios.

Tudo desenrolava-se normalmente até que os Quprili são envolvidos na interpretação de um Sonho-Mor com uma ponte.  Os Quprili mudam o nome para Kõprulii para não voltarem a ser identificados com este símbolo e MarkAlem é nomeado chefe da secção do Sonho-Mor

Claro, não contei tudo, para que o leitor do meu blog venha a se interessar por este livro que absorveu-me do início ao fim. 😉

Deixo-vos com o filme da minha visita ao antigo lar do escritor Ismail Kadaré, na Albânia. No presente, ele vive na França.

Até ao próximo post! 😉

2 comentários sobre “O Palácio dos Sonhos, o livro

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