Pílula de choque II

Continuo a transmitir as impressões que Mark Manson registrou em seu livro “A sutil arte de ligar o foda-se“, sem “papas na língua”, seja no título do livro ou ao revelar cruamente as nossas “babaquices”.

Sim, babaquices, segundo o autor, porque a nossa crise deixou de ser material, e passou a ser espiritual. Por exemplo, aceitar sentimentos negativos deveria ser encarado como um sentimento positivo, o que chama de “lei do esforço invertido”. Negar os sentimentos negativos só os faz aprofundar e levar a problemas emocionais sérios. A extrema positividade, portanto, seria uma forma de fuga.

“Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é a felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”
Albert Camus (citação que está no livro)

Ele alerta que seu livro não tenta ensinar a subir na vida, mas a aceitar o erro, ou o perder, sem que te levem à destruição. Ao contrário de uma característica existente no mercado de livros de autoajuda que vende a euforia, e não ajuda a resolver os problemas que, realmente, são legítimos. Por isso, ligar o “foda-se”, segundo o autor, é encarar os desafios assustadores e difíceis da vida e agir. Agir!

Penso que combinará bem com esse post ouvir essa música que conheci em 2018 no verão italiano, FELICITÀ PUTTANA (Felicidade Filha da Puta). A letra tem humor, ironia, e o trecho que a marca: “Mas que filha da puta é esta felicidade / Que dura um minuto, mas que porrada nos dá“.

 

Caminhos do pão e da fé, em Soajo (Portugal)

Mais um hiking em terras portuguesas. Desta vez, a vila de Soajo (Nov/2020) foi escolhida para seguir o percurso longo do conhecido caminhos do pão e da fé (Wikiloc). Há um caminho curto e outro longo. A caminhada  não foi difícil, seguindo calçadas razoavelmente conservadas, caminhos em terra e um curto trecho em estrada estreita.

brandas pastorícias

A natureza à volta convidava a seguir cada vez mais, tendo a companhia das vacas cachenas e ovelhas a pastarem.

Um percurso com séculos de história, passagem de vidas peregrinas movidas pela fé, sinais do cultivo do milho, da moagem do grão para o fabrico do pão, que foi um elemento de sobrevivência de gerações naquelas terras ao redor, a criação do gado com as brandas pastorícias.

antigo moinho

As levadas (canais de irrigação) estão sempre presentes nos percursos curto e longo dos caminhos do pão e da fé. Eram usadas para o regadio dos campos de cultivo, e para movimento dos moinhos que transformavam o grão na farinha.

levada (canal de irrigação)

Um percurso agradável de ser feito e que me fez relembrar uma das minhas primeiras memórias vividas em Portugal, conhecer e plantar um diospireiro (caqui). Também foi inesquecível o meu encontro frente a frente com uma vaca cachena, espécie típica de Portugal e Galiza (Espanha).

Um pouco desses momentos estão no vídeo (56 seg) que fiz. Vem comigo!

Até ao próximo post!
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À Procura da Felicidade (2007), o filme e o livro.

The Pursuit of Happyness (bra: À Procura da Felicidade; prt: Em Busca da Felicidade).
Esse filme emocionante foi visto por mim mais de uma vez. Daí, resolvi ler o livro cujo filme foi baseado. Afinal, há sempre uma boa probabilidade do livro ser ainda melhor que o filme. Desta vez, não senti essa regra. O filme é melhor do que o livro. No filme, o personagem principal e real, Chris Gardner, é interpretado por Will Smith, que faz você torcer muito pelo sucesso do personagem. Aliás, Gardner, durante as filmagens, encantou-se com a dignidade, humildade e talento do ator.

O filme é a história real de um jovem pai, sem emprego, com problemas financeiros, que chegou a viver em abrigos, estações de trem, aeroporto, etc., e com a responsabilidade de cuidar de um filho de tenra idade enquanto buscava uma melhor oportunidade de emprego na tentativa de um estágio numa corretora de valores.

“Compreendendo as frustrações que ela teve antes e depois de mim, pude ver que, embora muitos de seus sonhos tivessem sido destruídos, ao me desafiar a sonhar, ela estava se dando uma nova chance.” (Pág 25, versão epub, Chris Gardner refletia sobre a vida de sofrimento da mãe)

O livro tem 3 partes principais e retrata a vida problemática de Chris desde a infância sem pai. O filme retrata a vida já a partir da fase adulta, ou seja, a parte 3 do livro. Há algumas diferenças entre o livro e o filme. A principal delas é que no livro, o filho Christopher que foi deixado pela mãe aos cuidados do pai tem apenas dezenove meses, e muitas vezes leva-o consigo ao trabalho, chegando ambos a dormirem por baixo da mesa de trabalho. No filme, o pequeno Chris tem mais idade, e é representado pelo filho do ator Will Smith. 

No livro sobre a sua vida de luta, Chris Gardner deixa claro no início que algumas circunstâncias e conversas retratadas não são uma representação precisa do que viveu. Muitas vezes no livro, ele aborda a discriminação que sofreu,nos Estados Unidos dos anos 80, por ter a sua cor de pele escura como identidade. No filme, a discriminação não é abordada de forma tão direta nos diálogos, mas as cenas mostram como o sistema americano pode ser discriminatório.

Segue um trailer do filme …


Até ao próximo post!

Gratinado mexicano com tomate

Eu tenho esse livro já faz anos, e a cada vez que o abro, uma interessante receita vegetariana salta aos olhos e abre o apetite. O Livro Essencial da Cozinha Vegetariana traz receitas que vão dos petiscos aos pratos principais, sem esquecer as sobremesas. 

Desta vez, trago esse gratinado para 4 ou 6 porções com tempo de preparação e cozedura de 55 minutos (pág. 158).

2 colheres de sopa de óleo
2 cebolas vermelhas, picadas
2 dentes de alho, esmagados
6 tomates maduros, sem pele, picados
1 pimento verde, sem sementes, picado
1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto
1 colher de chá de açúcar 
½ colher de chá de malagueta em pó (usei pimenta preta)
375 g de milho em lata escorrido
125 g de triângulos de milho
155 g de queijo Cheddar ralado
250 g de sour cream (bati natas com gotas de limão)

  1. Aqueça o forno a 160°C. Num tacho aqueça o óleo, junte a cebola e o alho e cozinhe em lume médio 3 minutos. Acrescente o tomate, pimento, vinagre, açucar e malagueta. Cozinhe, destapado, durante 6-7 minutos ou até os tomates ficarem macios e o líquido evaporar. Misture o milho e cozinhe mais 3 minutos.
  2. Num prato redondo de ir ao forno, faça camadas com o milho, molho e queijo, terminando com uma camada de queijo.
  3. Espalhe por cima o sour cream e leve ao forno, destapado, 15 minutos. Salpique com cebolinho picado.

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XLI

Continuando a leitura das crônicas da escritora Clarice Lispector para o Jornal do Brasil…

Meu Natal
Quando os filhos de Clarice Lispector eram crianças  não comemoravam o Natal à meia noite, mas sim no almoço do dia seguinte. Eles cresceram, mas o hábito ficou.
A escritora ficava livre na noite de 24, mas logo criou um compromisso para essa noite. Ela passaria parte da noite com uma moça que se tornou amiga. Essa amiga tomava uma pílula que a fazia dormir 48 horas. O período de Natal era muito doloroso para esta amiga que perdeu os pais nesta época festiva. Iam a um restauro, e assim, Clarice livrava a amiga de um possível perigo de vida ao tomar tal pílula.
Cada uma pagava a sua parte no jantar e o presente era a presença de uma para a outra. Em um Natal, a amiga quebrou essa combinação e deu um missal à Clarice que se dizia não religiosa. Nele estava escrito: reze por mim.
Houve um incêndio grave no quarto da escritora, tudo se queimou e ela ficou muito ferida, mas o missal ficou intacto.

O nascimento do prazer (trecho)
“Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo.”

A perfeição 
Tudo existe com uma precisão absoluta.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. 
A maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Assim é a verdade.

Não  entender
“Não entendo” é algo vasto, sem fronteiras.
“Entender” é sempre limitado.
O bom é ser inteligente e não entender. Ter loucura sem ser doida. É uma doçura de burrice.