Pílula de choque II

Continuo a transmitir as impressões que Mark Manson registrou em seu livro “A sutil arte de ligar o foda-se“, sem “papas na língua”, seja no título do livro ou ao revelar cruamente as nossas “babaquices”.

Sim, babaquices, segundo o autor, porque a nossa crise deixou de ser material, e passou a ser espiritual. Por exemplo, aceitar sentimentos negativos deveria ser encarado como um sentimento positivo, o que chama de “lei do esforço invertido”. Negar os sentimentos negativos só os faz aprofundar e levar a problemas emocionais sérios. A extrema positividade, portanto, seria uma forma de fuga.

“Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é a felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”
Albert Camus (citação que está no livro)

Ele alerta que seu livro não tenta ensinar a subir na vida, mas a aceitar o erro, ou o perder, sem que te levem à destruição. Ao contrário de uma característica existente no mercado de livros de autoajuda que vende a euforia, e não ajuda a resolver os problemas que, realmente, são legítimos. Por isso, ligar o “foda-se”, segundo o autor, é encarar os desafios assustadores e difíceis da vida e agir. Agir!

Penso que combinará bem com esse post ouvir essa música que conheci em 2018 no verão italiano, FELICITÀ PUTTANA (Felicidade Filha da Puta). A letra tem humor, ironia, e o trecho que a marca: “Mas que filha da puta é esta felicidade / Que dura um minuto, mas que porrada nos dá“.

 

22 comentários sobre “Pílula de choque II

  1. Seu post é mais instigante que o livro (confesso). Agora que o autor pela linguagem, uns diriam sensacionalista, outros vulgar, outros ainda, do senso comum, não estou a julgar, acerta em muitos pontos, principalmente, ao citar Albert Camus, Mas, receio que muitas pessoas ao ler este livro (digo, porque já conversei com meia dúzia de leitores sobre o assunto) acham que o foda-se é também em relação ao descompromisso com a vida e o outro. Claro que o livro e o autor não apontam nem direcionam para isso, mas, o que tem de intérpretes que leem apenas o que lhes interessam, independentemente do que leem, vix Mara.
    No seu caso, parabéns, foi no cerne da proposta.

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    • Obrigada, Estevam. Fiquei muito satisfeita ao ler o seu comentário. Trouxe-me a sensação de que cheguei ao meu objetivo sem ferir opiniões. E tentei não julgar a linguagem do autor. Vale lembrar que ele usa a mesma linguagem em seu blog, por exemplo.
      Concordo com tudo que o Estevam escreveu, sempre muito sábio. Não tenho a intenção de revelar a minha opinião, mas aqui, em resposta ao seu comentário, devo dizer que ele acerta, realmente, em alguns pontos, e em outros não.
      Não é uma questão de revelar se gostei ou não do livro, mas apresentar uma outra visão dentro do mercado de livros de ajuda. Conheci o livro no blog da Irina, mas eu já conhecia a capa. Achei um livro diferente de tudo que já li. Por isso, foi um choque para mim, não um choque no sentido negativo, uma surpresa.

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  2. Confesso que não gosto do título, aliás parece que virou modinha colocar palavrão em título de livro. Apesar disto acabei lendo-o e tirando boas conclusões. Ah e parece que o universo está me jogando na cara artistas que cantam em italiano. Não conheço quase nada, tirando os grupos de eurodisco dos anos 80. Vai que eu decida explorar mais no futuro.

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  3. O ser humano perde-se dentro de sua própria desorganização, às vezes por negligência, às por saber de mais e arriscar…por não respeitar o mínimo do mínimo que é a sua própria lei, depois, a lei escrita. Se fossemos realmente honestos, não precisaria por exemplo de tantas delas, você não acha? Quanto ao que se refere a autoajuda, a gente volta ao início do que escrevi. O ser humano é se julga tão sábio que acaba caindo nas suas próprias armadilhas, e o acolhimento claro – não é ” colo de mamãe”, porque marmanjo não têm como de ninguém . E aí, as palavras que acalenta o ser humano vem na sua maioria da autajuda. O mercado é extenso, sem dúvida, vende a Bangu. E onde é que entra o ligar o botão do foda-se nessas horas? Na tentativa de revestir tudo aquilo que julgo não ser submisso. Ah, mas você acredita que o ser humano realmente não é submisso? É outro engano. Meu Deus, como o ‘ autoengano ‘ também pode ser uma válvula de escape para as horas difíceis.
    […]

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  4. Não sei se leria, não sou muito chegada em autoajuda, embora o livro seja bem famosinho… se bem que, pelo que você contou, parece não ser uma viagem que te leva pra cima. rsrs

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    • Realmente, não senti que leva para cima, mas outra pessoa pode sentir que leva para cima. Talvez, se eu voltasse a lê-lo em outro momento da vida, sentiria-o diferente.
      Penso que o autor tenta acordar para a realidade, para aceitar nossas limitações como positiva, e fazer algo, mas sem a pressão de buscar a todo custa ser o melhor.

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  5. Eu concordo muito com isso. Não acho que felicidade está no alcançar a plenitude, mas em saber lidar com os momentos complicados da vida. O que nem sempre é fácil, né? Mas vamos tentando, um dia de cada vez…

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  6. De fato nao se pode julgar livro pela capa ou titulo. Sinceramente nao vou ler mas bom saber que existe um conteúdo no livro ja que vende tanto. Me preocupa a moda editorial que lançou uma duzia de livros com temas ou titulos melhor dizendo, iguais. Nao parece ser o caso desse livro mas temo que outros explorem e intensifiquem uma postura individualista, egocentrica nas pessoas que facilmente “ligam o fodas….” ja que, compadecimento nunca esteve tao fora de moda…

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