Refúgio masculino na Bélgica

Homens que são vítimas de violência em seu relacionamento ou em sua família é uma realidade que pouco se fala, um tabu.

Quando o primeiro refúgio masculino  (Sam Huis) foi inaugurado em 2016, nos arredores de Mechelen (Bélgica), foi procurada por 24 homens que solicitaram ajuda. O endereço exato é secreto. E eu mesma só passei a saber após fazer um curso de integração, recentemente. E quando se falou no assunto, houve alguns risos.

Estima-se que 1 em cada 20 homens tenha de lidar com violência entre parceiros,  que pode ser física e/ou psicológica. Quando entram na casa não dizem imediatamente que são vítimas de violência. Geralmente, vão primeiro ao médico com queixas de que não se sentem bem, pois ainda há muita vergonha.

Os especialistas do abrigo tentam parar a violência dentro do relacionamento, tentam trabalhar junto com o parceiro. E eles esperam que o tabu desapareça cada vez mais, para que os homens ousem pedir ajuda com mais rapidez. No mesmo ano foi criada uma linha telefônica (Mannenklap) para os homens que têm que lidar com violência conjugal, como vítima, testemunha ou agressor.

Mais informações estão em: www.cawboommechelenlier.be

Até ao próximo post!

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23 comentários sobre “Refúgio masculino na Bélgica

    • Uma das vítimas que procurou a casa em seu primeiro ano de funcionamento disse que sofria violência psicológica e física de sua companheira. Ele disse que tentava se defender, mas não revidava, pois aprendeu que não se bate em mulher, até então ele não tinha para onde ir. Procurou a casa para ajuda e parece que hoje ele ajuda na casa os que recorrem ao abrigo.

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      • O tema é muito interessante e complexo. Por exemplo, quando falamos em racismo, tem gente que defende a ideia de que existe racismo reverso, que seria, o racismo de pretos conta brancos. Neste caso, especialistas como sociólogos, argumentam que para ser considerado racismo, é preciso, que haja um histórico, ou seja, na história, quem sempre sofreu preconceitos são os pretos, portanto, o racismo reverso é apenas uma retórica. Será que haveria uma “espécie’ de violência doméstica reversa?
        Aprendendo… Excelente conversa.

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    • Muito complexo. Eu penso que é necessário existir um histórico. Colocaria mais “pimenta” de uma forma geral:princípio da ação e reação. Se há racismo reverso provavelmente é uma reação.
      Sobre isso li uma polêmica que aconteceu num país africano, e que a situação foi utilizada para defesa do racismo reverso. Um parque natural cobrava mais para entrada de brancos. Depois se foi ver e não era bem assim. Era cobrado mais para entrada de visitantes estrangeiros, e esses eram em sua grande maioria de brancos.
      A violência doméstica é estatisticamente muito maior dos homens sobre as mulheres. Com relação aos homens, o tabu parece ser maior, pois não é fácil encontrar dados sobre os números dessa violência. Será maior entre companheiros do mesmo sexo? Ou não? Ou será de pais contra filhos do sexo masculino?
      Há homens “barbudos” que apanham da mãe ou do pai.
      A Bélgica tem o abrigo para homens SamHuis e tem o abrigo para mulheres EmmaHuis. Eu acho justo. Somos seres humanos e devemos ter direitos e deveres iguais. A pessoa pode pensar que o país é um exemplo de justiça social. Então, vai ver e na Bélgica a mulher precisa trabalhar um ano e quatro meses (+-) para receber o mesmo salário que um homem em um ano de trabalho na mesma profissão.

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  1. Tema de grande importância. Devemos criar mais meios de discutir e combater a violência física e psicológica em todos os seus aspectos. Temos que elevar o nível das discussões e confrontar os preconceitos, os quais servem apenas de apoio à perpetuação da violência.

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    • A psicológica deixa marcas para sempre. É preciso falar no assunto, derrubar tabus.
      Tenho visto apologia ao recurso da violência vinda de pessoas que ocupam altos cargos na política. Onde vamos parar? Estou gostando muito do debate neste cantinho. Obrigada por comentar.

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  2. É algo que eu sempre questionei nas aulas de psicologia, minha cara. Por que falar apenas da violência contra a mulher? Ela existe e é grave. Mas e a violência contra os homens e eu não refiro apenas a questão física. Acho a violência psicológica ainda mais grave porque é silenciosa e o estrago é ainda maior.
    Me lembro de uma cena que me atormentou. A mãe com o dedo em riste na cara de um puto e o olhar dele de terror e horror a ouví-la aos gritos para que não chorasse. O chacoalhou pelo braço, o beliscou e o avisava que chorar era coisa de menina. E ele a tentar a engolir o choro.
    Enfim, agressões destrói o emocional de qualquer pessoa e a física costuma ser o último estágio de um ciclo de horrores…

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  3. De fato, a violência doméstica sofrida pelo homem também é uma realidade bastante comprometedora, tanto quanto a violência psicológica sofrida pela mulher. Não tem tanta visibilidade, mas é uma situação que requer cuidado.

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  4. A gente se preocupa tanto com a nossa auto proteção e a proteção das nossas semelhantes que, por vezes, acabamos esquecendo que apesar dos pesares, não somos as únicas que enfrentam a maldade do mundo. Acho que ainda falta trabalhar muito a empatia em relação a esse lado da moeda, tanto da nossa parte quanto da parte deles também.
    Esse post me trouxe na memória o livro Garota Exemplar (tem o filme também). Se nunca leu ou assistiu, eu recomendo. Vale a reflexão. 😉

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