Clarice Lispector XLVII

Dificuldade de expressão 
A dificuldade de expressar dá uma impressão de cegueira. Então, pede-se um café, que é um ato histérico-libertador.

Ir contra uma maré
Clarice lutou contra a tendência ao devaneio, mas o esforço tirou parte de sua força vital.

Aprender a viver
Ela gostaria de ter escrito um tratado sobre a culpa. A culpa? O erro, o pecado. O mundo passa a não ter refúgio. Se falar não será compreendida. Se entenderem também abaixarão a cabeça culpada. Gostaria de ser como os que entram na igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Melhor é aprender a viver com ela.

Aprendendo a viver
Nesta crônica, Clarice fala do filósofo americano Thoreau que tinha como mensagem: melhore o momento presente.
O filósofo desolava-se ao ver pessoas pouparem em “demasiado” para o futuro. E dizia: Não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você está infeliz agora, tome alguma providência agora. “Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.”
Thoreau também não tinha paciência com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. “É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.”
E o medo é a causa da ruína dos nossos momentos presentes, e também  as opiniões que temos de nós mesmos. É isso que revela seu destino. Então, menos dureza consigo próprio. Podemos confiar em nós muito mais do que confiamos.
Clarice termina a crônica para o Jornal do Brasil desejando feliz ano novo e diz que a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena.

Até ao próximo post!

9 comentários sobre “Clarice Lispector XLVII

  1. E o medo é a causa da ruína dos nossos momentos presentes… Refletindo sobre isto e me perguntando: e quando na justificativa de vivermos intensamente o presente, nos perdermos nele e o presente seguinte, de um amanhã, uma hora, um minuto que seja, não se nos apresenta?

    Curtido por 2 pessoas

    • O medo destrói até mesmo o presente, gerando uma não perspectiva de futuro. E esse futuro não é muito tempo, é daqui a pouco. O medo é acompanhado por fantasmas que nos quer levar ao passado, para a origem de tudo, para casa, quando isso é impossível, e que se estivéssemos lúcidos veríamos que lá no passado já existiam outros medos.

      Curtido por 2 pessoas

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