Clarice Lispector XLVIII

Voltei a ler Clarice Lispector. Não é fácil sua leitura. Por vezes, penso que  nunca saberemos o que se passava em sua mente. Será que ela “brincava” conosco através de suas palavras escritas ? Será que se pode acrescentar o título de filósofa para Clarice ? Não sei responder.
Recomecei a leitura e esbarrei nestas duas crônicas. Não consegui resumir. Seria até um ‘pecado’ não as mostrar por inteiro. Segue…

Sem nosso sentido humano

“Como seriam as coisas e as pessoas antes que lhes tivéssemos dado o sentido de nossa esperança e visão humanas? Devia ser terrível. Chovia, as coisas se ensopavam sozinhas e secavam, e depois ardiam ao sol e se crestavam em poeira. Sem dar ao mundo o nosso sentido humano, como me assusto. Tenho medo da chuva, quando a separo da cidade e dos guarda-chuvas abertos, e dos campos se embebendo de água.”

Trecho

“Agora eu conheço esse grande susto de estar viva, tendo como único amparo exatamente o desamparo de estar viva. De estar viva – senti – terei que fazer o meu motivo e tema. Com delicada curiosidade, atenta à fome e à própria atenção, passei então a comer delicadamente viva os pedaços de pão.”

Agradeço sua leitura, e até ao próximo post!

8 comentários sobre “Clarice Lispector XLVIII

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