Clarice Lispector L

Em meu primeiro post do ano de 2022 continuo a trazer a escritora brasileira Clarice Lispector.
Numa série de 6 crônicas, ela conta-nos sobre algumas de suas viagens e planos.

Falando em viagens
Na viagem ao Texas, ela foi participar de oito conferências seguidas de debates. O cônsul brasileiro convidou-a para jantar num restaurante de terceira classe com toalhas quadriculadas de vermelho e preto. Nos Estados Unidos comer carne é caro, o peixe é barato. E o cônsul disse ao garçom para trazer um bife grosso bem sangrento e para ela peixe sendo o restaurante não especialista em peixe. O peixe estava péssimo. 
Ela aproveitou a viagem para comprar muitos brinquedos para o Natal dos filhos.
Foi no Texas que a escritora previu a morte do presidente John Kennedy. Ela disse aos seus familiares qual era a atmosfera omnipotente e sangrenta do Verão no Texas.
Foi lá que conheceu Gregory Rabassa, que traduziu seu livro “A maçã no escuro”. Ele disse-lhe que ela era mais difícil de traduzir do que Guimarães Rosa por causa de sua “sintaxe”. Clarice nunca entendeu porque achava que não tinha sintaxe nenhuma. Clarice esteve também em Argel, Lisboa, Paris e na Polónia.

Estive na Groenlândia…
Em viagem com a amiga Alzira Vargas do Amaral Peixoto à Holanda, que foi batizar o petroleiro Getúlio Vargas, também foram a Paris. E numa viagem de ambas aos Estados Unidos, durante um severo inverno, o avião fez um desvio à meia-noite indo parar na Groenlândia, mas apenas no aeroporto. O frio era imenso. Os groenlandeses eram altos, esguios, loiríssimos.

Já andei de camelo, a esfinge, a dança do ventre
Numa das viagens à Europa, o avião mudou de rota, e a escritora foi inesperadamente passar três dias no Egito. Ela achou as pirâmides menos perigosas de dia. De dia viu o deserto do Saara com suas areias cor de creme. Andou de camelo que achou um bicho estranho que remoía a comida sem parar. Viu a esfinge, mas não  a decifrou, nem a esfinge a ela. Cada uma com seu mistério, disse a escritora.Em Marrocos viu a dança do ventre. A dançarina mexia-se ao dom de “Mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar”.

Estive em Boloma, África
Aconteceu por desvio de rota e Clarice esteve numa região da Guiné-Bissay chamada Boloma. A escritora viu os portugueses tratarem os nativos a chicote. Estes falavam português de Portugal engraçaďíssimo.

As pontes de Londres
Quando a escritora pensava em Londres, revia as suas pontes emocionantes, algumas sólidas e ameaçadoras. Outras puro esqueleto.

Minha próxima e excitante viagem pelo mundo
Quando Clarice partiu para Londres planejou várias viagens. Ir a Paris para ver de novo a Mona Lisa, comprar perfumes e para reclamar com a Maison Carven por não mais fabricar o seu perfume preferido Vert et Blanc. Ir ao teatro. E a Rive Gauche. Voltaria para Londres e de lá seguiria para a amada Roma, depois Florença. Iria à Grécia. Voltar a ver as pirâmides e a Esfinge. A Esfinge que a intrigou. Ver quem devora quem. Tomar banhos de mar em Biarritz.
Voltar a Toledo e a Córdoba. Ir a Israel. Voltar a Lisboa e Cascais. Em Lisboa encontrar sua amiga e poeta, Natércia Freire.
Voltar a Londres, seus teatros e pubs. De lá dar um pulo na Libéria, em Monróvia. Voltar a Nova Iorque de onde retornará ao Brasil. Voltar ao Rio, mas antes ir à Belém do Pará, cidade que a escritora é grata. Já no Rio, ir a Cabo Frio. Ela não via meio de fazer essa viagem sem dinheiro.
Na verdade, esse plano era tudo uma brincadeira como o 1° de abril.

Agradeço a sua leitura e até ao proximo post!


13 comentários sobre “Clarice Lispector L

  1. Outra escritora que escrevia a respeito e viagens era Cecilia Meireles e gostava de falar da vez em que esteve em Lisboa e agendou encontrou com Fernando Pessoa, que não apareceu ao local combinado, na hora marcada.
    Toda vez que leio narrativas a respeito de viagens, quando Clarice ou outras autoras escrevem, meu imaginário duvida da realidade. rs

    Bom fim de semana

    Curtido por 1 pessoa

    • Rsrs
      Eu achei curiosa a palestra da Clarice Lispector no Texas. No Texas! Rsrs
      Ela no fim brinca com esse imaginário.
      Cecïlia Meireles é lembrada em Portugal, ou citada, mas penso que eles acreditam que ela seja portuguesa. Rsrs
      Acredito que Lisboa ainda seja uma cidade inspiradora para os escritores.
      Bom fim de semana, Lunna..

      Curtido por 2 pessoas

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