Clarice Lispector LIV

Trechos das crônicas escritas pela escritora brasileira Clarice Lispector para o Jornal do Brasil, que são como ‘dicas’ para a conhecer.

Bichos

Às vezes me arrepio toda ao entrar em contato físico com bichos ou com a simples visão deles. Pareço ter certo medo e horror daquele ser vivo que não é humano e que tem os nossos mesmos instintos, embora mais livres e mais indomáveis. Um animal jamais substitui uma coisa por outra, jamais sublima como nós somos forçados a fazer. E move-se, essa coisa viva! Move-se independente, por força mesmo dessa coisa sem nome que é a Vida.”

Ao correr da máquina 

Meu Deus, como o amor impede a morte! Não sei o que estou querendo dizer com isso: confio na minha incompreensão, que tem me dado vida instintiva e intuitiva, enquanto que a chamada compreensão é tão limitada. Perdi amigos. Não entendo a morte. Mas não tenho medo de morrer. Vai ser um descanso: um berço enfim. Não a apressarei, viverei até a última gota de fel.

Preguiça 

Num dia de chuva dá muita preguiça. Quase não posso escrever.. Num dia de chuva dá muita preguiça. Quase não posso escrever.”
“Tenho vergonha de ser escritora – não dá pé. Parece demais com coisa mental e não intuitiva.”

O cetro

Mas se nós, que somos os reis da natureza, havemos de ter medo, quem há de não tê-lo?

Agradeço a sua leitura e até ao próximo post!

3 comentários sobre “Clarice Lispector LIV

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