A expedição do belga Gerlache

Faz tempo que não escrevo sobre fatos curiosos sobre a Bélgica. Retorno hoje, afinal a ideia e o nome do blog partiu da necessidade de conhecer mais sobre o país que vivo. Vou contar sobre uma expedição belga que entrou para a história.

Há 125 anos que o navio de pesquisa Belgica partiu de Antuérpia para a Antártida. Foi a primeira expedição científica para a área. A missão liderada pelo belga Adrien de Gerlache, então com 31 anos, se transformou em uma jornada infernal na qual a tripulação teve que passar o inverno na Antártida sem planejamento, algo que ninguém jamais fez antes.

No final do século 19, a Antártida era desconhecida, e o jovem oficial da marinha belga conseguiu ser o primeiro a organizar uma expedição científica até lá. A Bélgica não era um país de marinheiros.

Ele esperava que o rei Leopoldo II e ricos industriais o ajudassem, mas isso não aconteceu e ele levou anos para conseguir o dinheiro necessário.

Em 1896, Adrien De Gerlache comprou o Patria, um baleeiro e caçador de focas na Noruega, e o converteu em um navio de pesquisa. E ele o chamou de Belgica, mas a marinha belga recusou-se a registrar o navio.

O navio suportou várias tempestades e quase naufragou por duas vezes. Na Antártida, ele ficou preso no bloco de gelo. Só após 1 ano foi libertado do gelo pela tripulação e depois de 2 anos voltou a atracar no porto de Antuérpia.

Sua tripulação era de 24 pessoas de 6 nacionalidades diferentes. E durante o período  que ficaram presos no gelo, viveram na escuridão total por meses, em um ambiente hostil com tempestades e nevascas. A temperatura a bordo estava sempre abaixo de zero. Usavam velas. A tripulação adoeceu por falta de vitaminas. Também mentalmente foi muito difícil devido à falta de sol e ao isolamento.  Um cientista belga com problema cardíaco congênito veio a falecer e um marinheiro norueguês lutou contra a psicose até o fim da sua vida.

A expedição forneceu informações sobre a fauna, flora e paisagens da Antártida e da Terra do Fogo. Eles também mapearam uma parte da Antártida que faltava, e descobriram um estreito, que mais tarde foi chamado de Estreito de Gerlache. Vários cabos, baías, ilhas e montanhas receberam nomes belgas, por exemplo: Ilha de Antuérpia, Ilha Brabante, Ilha de Gent, Ilha de Liège e Baía de Flandres.

Hoje, o Estreito de Gerlache é a área turística mais visitada da Antártida.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Zeppelin L14 em Edimburgo

Continuando sobre Edimburgo, Escócia…

Na noite de 2 para 3 de abril de 1916, dois dirigíveis alemães, o L14 e o L22, lançaram 23 bombas em Leith e na cidade de Edimburgo.

O aviso do ataque aéreo iminente foi recebido às 19h de domingo, 2 de abril de 1916, e a polícia de Leith e da cidade de Edimburgo instituiu precauções contra ataques aéreos: o Departamento de Luz Elétrica baixou todas as luzes, o tráfego foi interrompido e as luzes dos veículos foram apagadas. O Corpo de Bombeiros Central e a Cruz Vermelha foram notificados e todos os policiais foram acionados.

Os primeiros relatos de explosões de bombas foram recebidos pela polícia pouco antes da meia-noite. O zeppelin L14, tendo atravessado a costa em St Abbs Head em Berwickshire na rota para Rosyth e Forth Railway Bridge, não conseguiu ver seus alvos e lançou suas bombas sobre Leith e o centro de Edimburgo.

Com duração de aproximadamente uma hora, dezenas de bombas seriam lançadas em Leith e Edimburgo, deixando treze mortos e mais vinte e quatro feridos.

As bombas foram lançadas à mão e eram aproximadamente do tamanho de um saco de farinha.

Uma bomba explodiu do lado de fora do White Hart Hotel no Grassmarket (centro de Edimburgo), matando um e ferindo quatro. Uma laje localizada neste local marca o evento. E foi caminhando que encontrei esta laje, e conheci um pouco desse momento histórico ocorrido durante a Primeira Grande Guerra Mundial.

L14 Fonte: Google-National Records of Scotland

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Edimburgo, está-se bem

Essa foi uma viagem que fiz, mas só após quase 3 anos a trago ao blog. Motivo? Vários, mas essencialmente porque ela foi feita em tempo de medo, incerteza, carregada com um sentimento de que se estava a fazer algo errado. Foi logo no início da pandemia, ainda quando a máscara não era obrigatória. Voltar para casa foi até um alívio, pois já se questionava fechar fronteiras, fechar restaurantes,… 
Ficou a recordação de uma cidade que parece não ter sofrido mudanças com o tempo, mas mesmo assim, uma cidade agradável de se estar, Edimburgo.
O turismo em Edimburgo define-se em duas partes: a cidade velha (Old Town) e a cidade nova (Niew Town).
Entre elas está a jóia da cidade, o Castelo. A partir dele tem-se uma boa visão da cidade. O Castelo olha sobre todos e todos olham para o Castelo. Chegar até ele é o mais divertido, pois a rua que lhe dá acesso está cheia de lojinhas de souveniers e atrações turísticas como The Scotch Whisky Experience e Camera Obscura & World of Illusions. Não estive em nenhuma delas, contentava-me em caminhar e caminhar, admirar sua arquitetura, sentir o bom humor escocês, provar sua gastronomia. E é um pouco sobre isso que tentarei mostrar em próximos posts. Vem passear comigo em Edimburgo! Hoje, o Castelo, em dia nublado e em dia ensolarado. 🙂





Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

O ritual do chá

Tenho feito uma leitura curiosa sobre o livro de Muriel Barbery, A elegância do ouriço. Além de escritora, ela também é professora de filosofia na França. Esse “detalhe” talvez explique juntar uma zeladora culta, um personagem japonês que desperta curiosidade, um crítico de gastronomia, uma adolescente observadora, todos convivem num prédio de um bairro elegante em Paris. A filosofia e suas reflexões sobre o tempo, a vida e a morte, vem em forma de romance com um elegante humor.

“O ritual do chá, essa recondução exata dos mesmos gestos e da mesma degustação, esse acesso a sensações simples, autênticas e requintadas, essa licença dada a cada um, a baixo custo, de se tornar um aristocrata do gosto, porque o chá é a bebida tanto dos ricos como dos pobres, o ritual do chá, portanto, tem essa virtude extraordinária de introduzir no absurdo de nossas vidas uma brecha de harmonia serena. Sim, o universo conspira para a vacuidade, as almas perdidas choram a beleza, a insignificância nos cerca.”
(A elegância do ouriço, Muriel Barbery, pág. 83 da versão Epub)

Eu trago neste post um trecho do romance. De sobra vem o vídeo do escoceses Belle and Sebastian.

Agradeço a leitura e até ao próximo post!