De volta à vida, o livro

“A lembrança de um abraço de amizade é menos emocionante do que a lembrança de um abraço de amor.” (pág. 8, Epub)

Continuando a viajar pelo mundo através  de autores de diferentes países… Foi a vez de ir à África do Sul.

Nadine Gondimer venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Faleceu em 2014. Ela foi uma ativista  contra o “Apartheid” em seu país, e uma defensora da preservação do meio ambiente. Por isso, o seu livro De Volta à Vida (Get a Life) traz as pegadas de luta da escritora.

“O silêncio é só para os mortos.” (p.179, Epub)

O personagem principal  é um defensor do meio ambiente que resiste contra um carcinoma papilar (câncer da tiróide). Ele recebe o tratamento com iodo radioativo que é perigoso aos outros que entram em contato.

Torna-se uma espécie de leproso do século XXI. Sua esposa tem uma profissão que trabalha em sentido contrário à defesa do meio ambiente. 

A luta diária, antes e depois do tratamento, é pela preservação do Delta do Okavango (Botsuana), que é uma das Sete Maravilhas  da África, podendo ser visto do espaço.

Esperava mais do livro, já que a autora recebeu o Nobel de Literatura. Por vezes, o enredo ia por caminhos incompreensíveis, e uma situação triste no relacionamento dos pais do personagem que me deixou enojada, sem entender  porque as pessoas  magoam as outras por futilidades  quando existe companheirismo e amor. Essa situação  lembrou-me o pior livro que li de Paulo Coelho (Adultério).

Até ao próximo post!

Siga o Blog tambùem no Instagram, Facebook e Twitter.

Strudel de alheira

É quase fim de semana vai uma dica de culinária. 😉

O Miau do Leão vai à cozinha para trazer um pouco da culinária portuguesa.  Desta vez preparei um strudel de alheira que é um enchido  típico português. Fui aos arredores de Bruxelas para comprar as alheiras no maior mercado português existente na Bélgica. É lá que também encontro algumas delícias brasileiras. A receita é do website de um supermercado português (Pingo Doce). É perfeita a combinação de alheira e maçã com um toque improvisado de espinafres substituindo os grelos da receita original. As sementes de papoila permaneceram na cobertura dando um acabamento todo especial. Acompanhei com uma salada bem composta de folhas diversas, pepino, tomate, passas, nozes, quejo feta, temperada com zatar, vinagre balsâmico e azeite português. Uma receita suficiente para 4 pessoas. Voilá! 😉

INGREDIENTES da receita original

400 g (2 unid.) alheiras de Mirandela
320 g (4 unid.) maçãs
1 c. de chá canela em pó
1 dente de alho
1 c. de sopa azeite
400 g (1 emb.) grelos congelados ( substitui por espinafres)
1 c. de chá sal
qb pimenta
230 g (1 emb.) massa folhada
1 ovo M
1 c. de sopa sementes de papoila

PREPARAÇÃO

1. Pré-aqueça o forno a 200 °C.

2. Coza as alheiras em água a ferver por cerca de 4 minutos. Retire-as da água, corte-lhes a pele e retire o recheio para uma taça. Reserve.

3. Descasque e corte as maçãs aos cubos para um tacho com um pouco de água. Junte a canela e deixe cozinhar em lume médio até as maçãs estarem macias.

4. Enquanto isso, numa frigideira, salteie o alho no azeite. Adicione os grelos e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos em lume brando. Tempere com sal e pimenta a gosto. Reserve.

5. Desenrole a massa folhada e com a ajuda de um rolo da massa estique-a ligeiramente até que tenha um formato rectangular. Coloque-a num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

6. Ponha no centro da massa uma camada de maçã, outra de grelos e outra de alheira.

7. Com a ajuda de uma faca, corte as laterais da massa em tiras e entrance-as uma a uma.

8. Pincele a massa com o ovo batido, polvilhe com as sementes de papoila e leve ao forno cerca de 12 minutos. (Deixei 25 min)

Acompanhei com salada!

Até ao próximo post!

Baú Aberto 24 – Felicidade

Eu amo ser mãe. Eu vibro muito com cada conquista dos filhos.

Ainda quando eram bebés usei minha formação para que desenvolvessem o gosto pela matemática e xadrez. Cresceram, e outros gostos foram apresentados sem imposição, a literatura, a ciência e a filosofia.

Livros que utilizei

Foram à vários torneios de xadrez em Portugal, Espanha, Bélgica e até um no Brasil. Foram estimulados a participarem de Olimpíadas e a fazerem trabalho voluntário com estrangeiros como eles.

A cada ano conquistas surgiam, desafios eram vencidos. 

Este ano, em especial, várias vitórias  foram alcançadas pelo meu filho mais velho, que no primeiro dia de Outono fará 18 anos. Raphael que já participou aqui no blog com “guest post” (aqui) ou (aqui) foi 4° lugar na Olimpíada Nacional de Geografia da Bélgica, classificação que garantiu participação para a Olimpíada Internacional de Geografia na Turquia, mas que, infelizmente, não aconteceu devido a pandemia. Mesmo assim, participou na Europeia de Geografia, e classificou-se em 3° lugar empatado com outros.

Ontem, a minha alegria transbordou. Senti a felicidade em sua plenitude e gritei muito, saltei muito, dancei muito por ele e com ele.

Com seis anos a viver na Bélgica, o nosso luso-brasileiro Raphael foi aprovado para Medicina neste país, e com um bravo resultado. Acertou todas as questões de Matemática e Biologia, errou uma em física e outra em química. No conjunto de 3 outras disciplinas cujo objetivo é revelar aptidão para o estudo da Medicina, seu desempenho foi também quase perfeito.

Aqui na Bélgica apenas Medicina e Medicina Dentária realizam exames seletivos que duram uma manhã e tarde de um dia.

Aos 10 anos, e durante uma avaliação de língua portuguesa no 5° ano, em Portugal, ele escreveu o sonho que começou a se tornar realidade no dia 4 de Setembro de 2020.

 

O sonho de ser médico

A minha fada-madrinha
parece-se mesmo com uma rainha
tem um ar calmo
e mede quase um palmo
cabelos cor de erva
e seu nome é Nerva.
Um dia fui passear
encontrei-a a cantar
perguntei: “Como faço para ser cardio-cirurgião?”
Ela respondeu: “Tens de estudar nas férias de verão.”
Escreveu várias listas
que eram as minhas pistas:
“Tens muito que estudar 
para o desejo se concretizar 
não penses no dinheiro que vais ganhar
mas sim nas famílias alegrar 
vais continuar 
sempre a te esforçar 
doenças para curar
e soluções para as doenças inventar
não penses na fama
que arde como uma chama.
Agora é só estudar
para um belo futuro encontrar.

Raphael, Portugal 2012

Até ao próximo post!

O país das casas feias

Gosto não se discute, mas a Bélgica leva uma fama do país europeu com as casas de arquitetura mais feia, ou se preferir, de gosto duvidoso. Essa fama é logo observada ao atravessar a fronteira quando se revela uma confusão de casas diferentes, portas e janelas diversas, revestimentos de duvidosa combinação, enfim um pouco de tudo.

fig 1 imagem Google: Ugly Belgian Houses

A situação gerou um livro sob o título “Ugly Belgian Houses”, que não foi bem recebido pelos arquitetos belgas. Alguns moradores ficaram irritados e contrataram advogados.  O seu criador já teve mesmo que suspender temporariamente a conta no Instagram.

fig 2 imagem Google: Ugly Belgian Houses

Hannes Coudenys, autor do projeto, livro e documentário, diz que costuma procurar pessoalmente de carro, mas também recebe dicas de pessoas. Quando as fotos que recebe são ruins, então ele vai até a casa para tirar uma foto melhor.

fig 3 imagem Google: Ugly Belgian Houses
fig 4 imagem Google: Ugly Belgian Houses
fig 5 imagem Google: Ugly Belgian Houses

Na rua que vivo há 4 candidatas ao livro, mas não vou correr o risco de publicá-las. 🙂 E vocês, o que acharam dessas casas ? Segue um vídeo que não é do autor do projeto com mais casas belgas.

Até ao próximo post!

Cafarnaum, o filme

Cafarnaum (Capharnaüm, 2018), um filme libanês, dirigido por Nadine Labaki, que surge também como uma personagem desse filme sensível, belo, emocionante, triste, mas real.

Zain, um menino refugiado sírio, que talvez tenha 12 anos, vive sob um Líbano desgastado por guerras e conflitos internos. A maturidade de Zain faz-nos refletir sobre a importância de ouvir as crianças. Será que maus pais merecem gerar mais crianças? Essa é uma pergunta central deste marcante filme.

Até ao próximo post!


O Guia Mochileiro das Galáxias, o livro

Com a impossibilidade de estar com um guia de viagem, viajei entre planetas com o clássico da ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Eu já conhecia a versão filme. O autor é dos poucos que foram capazes  de contemplar o universo em sua totalidade, juntando-se a Einstein, Hubble e Feynman.

De um sonho do autor, enquanto cochilava bêbado em terras austríacas, sem condições de comunicação, foi que surgiu a ideia do livro que narra as aventuras de Arthur Dent. Daí, virou série de rádio, compilação em fita cassete e, finalmente, um best-seller mundial, e foi parar na televisão britânica.

O personagem Arthur Dent em companhia de outros personagens bizarros revelam uma trama em forma de montanha russa rumo ao planeta de Magrathea. Nessa trama, o falecido Douglas Adams revela o seu gosto pela leitura, pelo humor, pelos animais selvagens e por tecnologia.

Penso que é uma experiência de leitura, ou mesmo de filme, que vale a pena ser conhecida e refletida sobre tudo que nos cerca neste imenso sistema. Ainda mais se você for fã do humor de Monty Python. Vamos ver o trailer do filme …

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XXXVI

O mar de manhã 
O cheiro do mar deixava-a tonta. Gostava de ir ao mar às 6 horas da manhã, a hora da grande solidão do mar e quando as espumas são mais brancas. O mar era a fusão perfeita do masculino com o feminino, disse a escritora.


Jasmim
Jasmim é da noite e a matava lentamente. Um perfume mais forte que Clarice. Quando acordava estava iniciada.


Precisa-se
Precisa-se e oferece-se: homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria e precisa-se reparti-la. Paga-se bem, minuto por minuto, com a própria alegria.
A alegria é fugaz.
Folga: depois que passa o horror do domingo.
Pode ser uma pessoa triste, porque a alegria é tão grande, que se tem que repartir antes que se transforme em drama.
Em troca também oferece-se uma casa com todas as luzes acesas, direito de dispor da copa e da cozinha.


Amor a ele
“A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida.”


Eu sei o que é primavera
Clarice tinha humildade feita de gratidão. Sabia que estava reformulando a vida, porque estava viva. Viver é inevitável. A Primavera era uma perturbação de sentidos.


Primavera se abrindo

Clarice pressentia as mudanças de estação numa Primavera, ela ganhou uma planta de uma amiga. A planta prímula, misteriosa, continha o segredo dos cosmos. Ela era o segredo da natureza.


Até ao próximo post !

P.S.: Acabou de vez para mim a possibilidade de usar o antigo editor do WordPress. Sofri para fazer este post. Prefiro o antigo editor do WordPress. E não vejo aqui a possibilidade de se programar em html como era possível no anterior.

 

Gagarin – o primeiro no espaço, o filme

Interessante produção russa (2013) que assisti pela Netflix onde mostra o cosmonauta soviético Yuri Gagarin desde sua infância até o seu primeiro vôo ao espaço. De uma infância humilde à fama de herói. 

Além da vida de Gagarin, o filme também mostra toda a preparação para a volta sob a Terra que durou 108 min, desde a seleção de candidatos, exercícios, o lançamento da Vostok 1 no Cazaquistão até o seu retorno ao solo do nosso planeta em terras soviéticas.

Um filme que vale a pena ser visto. Também o encontrarás completo no YouTuBe.

Até ao próximo post!

 

 

A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, o livro

junot

 

Durante o lockdown na Bélgica surgiu a ideia de viajar através da literatura. Peguei minha lista de livros lidos e verifiquei a nacionalidade de cada escritor, 27 nacionalidades! Foi assim que cheguei ao livro do dominicano Junot Díaz, a 28a. nacionalidade. Um livro vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2008.

 

livro wao

 

 

Quando você consegue ter um mínimo de felicidade, ela desaparece como se nunca tivesse existido“.
(Pág. 208, versão Epub)

 

 

 

A fantástica vida breve do jovem Oscar Wao, obeso, tímido, incomum e amante de RPG, e que se torna professor de redação criativa, sem conseguir publicar suas obras. O enredo passa-se durante o período de ditadura de Rafael Leónidas Trujillo Molina na República Dominicana. Este seria o criador ou criatura da maldição (fukú).

O fukú abateu-se sobre os ascendentes familiares de Oscar Wao, quando o avô deste recusou entregar sua linda e culta filha mais velha para satisfazer o apetite sexual do ditador. Supõe-se que a maldição tenha vindo da África trazida pelos gritos dos escravizados e Santo Domingo tenha sido o porto de entrada.

Supõe-se que a família Kennedy foi outra que sofreu um fukú, após JF Kennedy ter dado sinal verde para o assassinato do ditador dominicano Trujillo, em 1961.

A vida breve de Oscar Wao entrelaça-se com a história da República Dominicana, um país que, segundo o livro, é exportador de putas, mas também, e infelizmente, um país de dez milhões de Trujillos. Um país ainda preso a rivalidades com o Haiti e Porto Rico.

E assim viajei sem correr riscos até a América Central.

Até ao próximo post!

 

 

Clarice Lispector XXXV

clarContinuando o resumo de crônicas escritas por Clarice Lispector para o Jornal do Brasil.  As crônicas compõem o livro “Aprendendo a Viver”. Encontrarás todos os resumos anteriores na categoria “Clarice Lispector” neste blog.


Trechos

  • O mais difícil é não fazer nada. Trabalhar é um atordoamento. Ficar sem fazer nada é a nudez final. Os que não aguentam, vão se divertir.

  • Clarice estava escrevendo de madrugada. Não queria estar só diante do mundo. De algum modo estava acompanhada. E era bom. Estava escrevendo com facilidade e fluência. Desconfiava disso.

  • Recordou de um tempo de refinamento em que pedia ao garçom da casa para servir lavandas com uma pétala de rosa no líquido para os convidados. Um ritual talvez. Uma recordação  de alguém ter lhe contado sobre uma novela com um homem que não  sabia para que serviam as lavandas em taças com água morna e gotas de limão.

  • Ler Clarice é conhecer um humor refinado (?). Ela escreveu sobre a visita de uma embaixatriz que gostava de dar ordens brutas, mas para a escritora nunca fez isso. Confidenciou-lhe que não gostava de certo tipo de pessoa. Clarice ficou surpreendida e ficou calada, pois ela era exatamente esse tipo de pessoa.  A embaixatriz não a conhecia realmente. Noutra oportunidade convidou Clarice para lhe visitar e esta não foi. Era preciso proteger quem lhe ofende e tem sido obrigada a perdoar muito.

  • Escreveu que nunca esquecerá um domingo que estava sozinha e sentiu uma forte dor, viu que a menina que havia dentro de si estava morrendo. Levou dias para cicatrizar, mas passou.

  • Gostava de ir à praia, deixar o sal na pele, pois dizia-lhe o pai que era bom para a saúde. Estava saudável,  mas ela sabia que doença  é algo imprevisível. A morte do pai a deixou perplexa, pois ele encontrava-se em plena maturidade. Clarice disse: “Mas de algum modo as pessoas são eternas. Quem me lê também.”

Até ao próximo post!