Eurovisão 2021

Começa hoje o festival da canção na Holanda. A Holanda foi a última vencedora. Em 2020 não foi possível a realização do evento devido a pandemia.
Este ano serão 39 países participantes, que estarão divididos em duas semi-finais.
Hoje será dia da participação da Bélgica na primeira semi-final. O país tem boas possibilidades, afinal conta com uma banda de peso, o Hooverphonic. O trio participará com sua melhor formação, e para isso inscreveram uma nova música. E fizeram bem! Eu sou suspeita, pois gosto muito do trio da cidade que vivo.
Portugal, infelizmente, vem cantando em inglês. Para mim, é uma pena. Observar que a Itália, a França e Espanha cantarão em seus idiomas respectivos.

O Eurovisão tem perdido algum respeito, na minha opinião. Alguns países apelam no visual, ou em algum tipo de vitimização, em detrimento do que está mesmo em conta num festival de música. Depois o processo de votação nem sempre é justo, permitindo situações em que se vota no “amiguinho”, por exemplo, não estranhe a Grécia dar muitos pontos para o Chipre, e vice-versa. De qualquer maneira, e em tempos de pandemia, sempre é uma possibilidade de distração, de conhecer outros países e suas línguas.
Segue o vídeo com um resumo da música que cada participante defenderá. Qual a sua música preferida ?

Até ao próximo post!

P.S.: Penso que será possível acompanhar via YouTuBe.

Identidade

Inicio um espaço novo no Blog, “citações“. Serão curtos e interessantes trechos que vou lendo, para refletir, discutir, um pouco de tudo. Sempre acompanhado de uma música. No menu “citações” recoloquei outros posts anteriores no mesmo sentido.

Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o país deixará de existir. Repare: os portugueses construíram a sua identidade por oposição à Europa, ao Reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao mar e vieram ter aqui, fundaram o Brasil, colonizaram África. Ou seja, escolheram não ser europeus.
(Personagem Plácido Domingo no livro Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa)

Trago a música A velha Europa, do B. Fachada, que é o nome artístico de Bernardo Cruz Fachada. Deixo a letra da canção abaixo do vídeo. Uma doce música com um toque de pureza. E espero o seu comentário sobre a citação e/ou a música.

Quando chegares à velha europa, amor,
Tira umas fotos com um bom compositor
Se ele te piscar o olho, nem hesites em dizer “doutor,
O meu marido queria ser como o senhor”
Quando chegares à velha europa em flor
Quero que arranjes um amante sedutor
Se ele te pedir divórcio, nem hesites em dizer “amor,
O meu marido não tem culpa, não, senhor”
Quando chegares à velha europa atrás
De alguma coisa que afinal não satisfaz
Tenta lembrar-te dos carinhos que eu te dei se fores capaz
E não me troques por beijinhos de rapaz
Quando chegares da velha europa, amor,
Eu já terei pintado o quarto de outra cor
Para entreter durante a tua longa ausência o meu pavor
De me perder sem o teu fio condutor
Perguntei ao vento se trazia um cabelinho teu
E até ao momento o raio do vento não me respondeu

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XLIV

Nada melhor do que voltar a escrever num dia especial no país que nasci (Brasil) e no país que vivo (Bélgica), o Dia das Mães.
A vida continua, e devemos enaltecer quem nos dá o real valor.
Eu amo ser mãe de dois maravilhosos rapazes amigos, eu que sou filha de uma mãe amiga e forte, e eu que venho de uma família de mulheres guerreiras da vida… Trago de volta ela que também foi uma mãe especial, a escritora Clarice Lispector.

Os prazeres de uma vida normal 

Clarice Lispector que sofria de insónia, conseguiu dormir dez horas. E se perguntou se seria isso vida normal.
Ela também experimentou a vida anormal para comer quando fez dieta para perder uns quilos. Comer bem dá até vergonha.

Que nome dar à esperança 

Onde a esperança corre, a coisa é atingida.
Precisa-se dar outro nome a certo tipo de esperança, pois esperança significa espera. E a esperança é já.

Apenas um cisco no olho

Clarice teve quatro vezes em menos de um ano o olho esquerdo agredido por objetos estranhos: ciscos não identificados, grão de areia e um cílio. Precisou ir ao oftalmologista de plantão. Na última ida perguntou: por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência? 
O médico respondeu que não. Este era o seu olho diretor, o que vê mais, e o mais sensível, prende o corpo estranho, não o expulsa.
Ela ficou pensativa. Será a pessoa que mais vê, a que mais sente e sofre?

Caderno de notas

Nota que estava num caderno de notas antigo e escrita em francês por alguém: “Todos aqueles que fizeram grandes coisas fizeram-nas para sair de uma dificuldade, de um beco sem saída.” Clarice considerou uma verdade.

Até ao próximo post!

Caril de lentilhas

Esse é o quinto prato com lentilhas que trago ao Blog. Já deu para ver que gosto imenso dessa leguminosa poderosa. Realmente, eu não resisto em experimentar confeccionar receitas com ela. E assim, vou registrando e compartilhando com vocês esses momentos.
Foi mais uma receita de um supermercado português, mas eu sempre faço pequenas adaptações, e claro, coloco o meu ingrediente secreto, amor.

Caril de lentilhas (receita original para 4 pessoas)

200 g lentilhas verdes (usei a vermelha/rosa)
2 c. sopa óleo de coco
1 cebola picada
4 dentes de alho picado
2 c. sopa gengibre picado
1 c. sopa caril em pó
200 ml leite de coco
½ pimento verde em puré
1 emb. tomate em pedaços em conserva
1 c. sobremesa sal
1 molho de coentros (usei salsa)350 g arroz Basmati 

1.Coloque as lentilhas de molho durante 30 minutos.

2. Aqueça o óleo de coco num tacho, junte-lhe a cebola, o alho e o gengibre e deixe cozinhar em lume brando 3 minutos.

3. Junte o caril e misture. Adicione as lentilhas, o leite de coco, o pimento verde triturado em puré e o tomate.

4. Tempere com o sal e deixe cozinhar em lume brando cerca de 15 minutos.

5. Sirva com os coentros (ou salsa) picados e o arroz basmati (e/ou pão nan).

Até ao próximo post!

A última pílula

Continuando a escrever as minhas notas quando da leitura do livro A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, de Mark Manson sob forma de “pílulas”, e está é a última pílula.

A vida é feita de escolhas, e quem de forma consistente faz as melhores escolhas acaba por vencer no pôquer, e na vida. Alguns têm a obsessão de estarem certos a respeito da vida, que acaba por não vivê-la.

Durante essa caminhada, a mente humana é rápida para acreditar em irrealidades, porque o nosso cérebro é uma máquina de gerar “significado”.

A incerteza  (e anteriormente, citou o sofrimento na mesma linha) é a raiz de todo crescimento e resistência. Para o autor, os clichés como “confiar em si mesmo” e “seguir seu coração”  não devem ser assim tão rígidos, mas sim, confiar menos em si mesmo, pois o nosso coração e nossa mente falham, por isso precisamos questionar ainda mais nossas intenções e motivações.

Vivemos hoje um mundo de aparências e o sistema econômico promove essa farsa. Todo mundo precisa se importar com alguma coisa para valorizar alguma coisa. Nem sempre mais é melhor. Você já é bom o suficiente, por que o stress de buscar mais e mais? As experiências fazem parte da juventude, o descobrir. No entanto, a profundidade é o tesouro, e para trazê-lo para si é preciso compromisso. E isso vale muito para os relacionamentos.

O nosso projeto de imortalidade são os valores. O medo da morte vem do medo da vida. Quem a vive plenamente estará pronto para morrer. E para nos distrair desse momentos mais que certo, precisamos nos importar com alguma coisa.

E por aqui termino as minhas notas que poderiam ter sido muito mais. Tudo que tenho escrito foram apenas “notas”, com isso quero dizer que não concordo com todos os seus pensamentos no livro, mas identifiquei-me com alguns como com o que está escrito nos dois últimos parágrafos anteriores a este. 

Este livro conheci no blog da Irina, o Of Heart and Soul. Foi o post da querida Irina que me despertou para o livro. https://irinamarques.wordpress.com/2020/08/31/a-arte-subtil-de-saber-dizer-que-se-fda-de-mark-manson-irina-marques-arte-pensamento/
Terminei a sua leitura no ano passado quando sobrevoava Portugal.

Até ao próximo post!

Refúgio masculino na Bélgica

Homens que são vítimas de violência em seu relacionamento ou em sua família é uma realidade que pouco se fala, um tabu.

Quando o primeiro refúgio masculino  (Sam Huis) foi inaugurado em 2016, nos arredores de Mechelen (Bélgica), foi procurada por 24 homens que solicitaram ajuda. O endereço exato é secreto. E eu mesma só passei a saber após fazer um curso de integração, recentemente. E quando se falou no assunto, houve alguns risos.

Estima-se que 1 em cada 20 homens tenha de lidar com violência entre parceiros,  que pode ser física e/ou psicológica. Quando entram na casa não dizem imediatamente que são vítimas de violência. Geralmente, vão primeiro ao médico com queixas de que não se sentem bem, pois ainda há muita vergonha.

Os especialistas do abrigo tentam parar a violência dentro do relacionamento, tentam trabalhar junto com o parceiro. E eles esperam que o tabu desapareça cada vez mais, para que os homens ousem pedir ajuda com mais rapidez. No mesmo ano foi criada uma linha telefônica (Mannenklap) para os homens que têm que lidar com violência conjugal, como vítima, testemunha ou agressor.

Mais informações estão em: www.cawboommechelenlier.be

Até ao próximo post!

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Uma descoberta

Uma curta pedalada de 6 km (ida e volta) e sem motivo de lazer foi suficiente para uma descoberta, um relógio de Sol.

Cada viagem, mesmo que curta, é capaz de revelar algo que estava escondido ao nosso olhar cotidiano.

Momento de retornar, viro-me para pegar a bicicleta e avisto uma típica capela flamenga. Pequenas descobertas que salvam mais um dia de lockdown na Bélgica.

Até ao próximo post!

Agualusa em Um Estranho em Goa

“Escrevo porque quero saber o fim”. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele.
(versão Epub, pág. 9)

E eu gosto do que Florbela Espanca escreveu e o cantor português Luís Represas, no Trovante, tão bem interpretou… “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior”. Ouçam…

Até ao próximo post!

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Caril de feijão frade


Eu gosto muito de feijão frade. Na Bélgica encontro-o apenas em lojas de produtos portugueses. Eu conhecia receitas de feijão frade em salada com atum e vinagrete, ou em cebolada, então fui à procura de alguma receita diferente de tudo que até então eu conhecia com feijão frade. Foi assim que cheguei a este caril de feijão frade.

Ingredientes (4 pessoas):
3 colheres de sopa de manteiga
1 cebola grande picada
2 dentes de alho finamente picados
1 colher de chá de gengibre em pó
1 tomate grande picado
1/2 colher de chá de açafrão-da-Índia
1 pitada de pimenta preta acabada de moer
1/2 colher de chá de sal
1 colher de pimentão em pó (páprica doce)
1 colher de chá de caril (curry)
175 ml de natas (creme de leite)
250 ml de caldo de legumes
250 g de feijão-frade seco, deixado de molho durante a noite (usei o feijão frade em lata)
1 colher de sopa de salsa fresca picada

Aquece-se a manteiga numa caçarola grande em lume médio. Junta-se a cebola, que vai alourar durante 5 minutos. Acrescenta-se o alho e o gengibre, que fritam durante 30 segundos.
Adiciona-se o tomate, que frita durante 2 minutos.
Junta-se o açafrão-da-Índia, pimenta preta, o sal, o pimentão e o caril, deixa-se fritar 30 segundos.
Adicionam-se então as natas, o caldo de legumes e o feijão frade. Reduz-se o lume e deixa-se apurar durante 5 minutos, mexendo de vez em quando.
Serve-se imediatamente com arroz basmati e pão nan.

Até ao próximo post!
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Clarice Lispector XLIII

Tenho tido o prazer de conhecer quem foi Clarice Lispector através de suas crônicas escritas para o Jornal do Brasil.
Desde então, tenho feito resumo dessas crônicas, na tentativa de fazer com que outras pessoas  também a conheçam.
Neste post não há resumo de uma crônica. Simplesmente, porque achei “conversas” uma crônica tão “deliciosa”, que mais vale apresentá-la sem cortes, e imaginar como foram essas conversas de Clarice com um compositor baiano de música popular, com Guimarães Rosa,  com Pedro Bloch, com Ivo Pitanguy e com um oficial de marinha.

Conversas

“Um dia acordei às quatro da madrugada. Minutos depois tocou o telefone. Era um compositor de música popular que faz as letras também.

Conversamos até as seis horas da manhã. Ele sabia tudo a meu respeito. Baiano é assim? E ouviu dizer coisas erradas também. Nem sequer corrigi. Ele estava numa festa e disse que a namorada dele – com quem meses depois se casou – sabendo a quem ele telefonava, só faltava puxar os cabelos de tanto ciúme. Na reunião tinha uma Ana e ele disse que ela era ferina comigo. Convidou-me para uma festa porque todos queriam nos conhecer. Não fui.

  Em compensação estive uma vez numa festa na casa de Pedro e Míriam Bloch. Foi poucos meses antes da morte de Guimarães Rosa. Guimarães Rosa e Pedro foram comigo para outra sala, na qual pouco depois entrou Ivo Pitanguy. Guimarães Rosa disse que, quando não estava se sentindo bem em matéria de depressão, relia trechos do que já havia escrito. Espantaram-se quando eu disse que detesto reler minhas coisas. Ivo observou que o engraçado é que parece que eu não quero ser escritora. De algum modo é verdade, e não sei explicar por quê. Mas até ser chamada de escritora me encabula. Nessa mesma festa Sérgio Bernardes disse que há anos tinha uma conversa para ter comigo. Mas não tivemos. Pedi uma Coca-Cola, em vez. Ele estava falando com o nosso grupo coisas que eu não entendia e não sei repetir. Então eu disse: adoro ouvir coisas que dão a medida de minha ignorância. E tomei mais um gole de Coca-Cola. Não, não estou fazendo propaganda de Coca-Cola, e nem fui paga para isso.

  Guimarães Rosa então me disse uma coisa que jamais esquecerei, tão feliz me senti na hora: disse que me lia, “não para a literatura, mas para a vida”. Citou de cor frases e frases minhas e eu não reconheci nenhuma.

  Outra pessoa que me telefonava de madrugada explicara que passava pela minha rua, via a luz acesa, e então me telefonava. No terceiro ou no quarto telefonema disse-me que eu não merecia mentiras: na verdade o fundo da casa dele dava para a frente da minha e ele me via todas as noites. Como se tratava de oficial de marinha, perguntei-lhe se tinha binóculo. Ficou em silêncio. Depois me confessou que me via de binóculo. Não gostei. Nem ele se sentiu bem de ter dito a verdade, tanto que me avisou que “perdera o jeito” e não me telefonaria mais. Aceitei. Fui então à cozinha esquentar um café. Depois sentei-me no meu canto de tomar café, e tomei-o com toda a solenidade: parecia-me que havia um almirante sentado à minha frente. Felizmente terminei esquecendo que alguém pode estar me observando de binóculo e continuo a viver com naturalidade. Como vocês veem isto não é coluna, é conversa apenas. Como vão vocês? Estão na carência ou na fartura?”

Até ao próximo post!

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