Clarice Lispector XXIX

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Gostos arcaicos

Clarice pediu ao seu cabeleireiro Luís Carlos que lhe deixasse de cabelos curtos. Ao ver os cabelos cortados no chão, ficou assustada com a decisão. Clarice devaneou: “será que como Sansão perdi minha força? Não, não a força geral, mas talvez minha força de mulher.”


O suéter

Clarice ganhou o suéter mais bonito do mundo. Oferecido por uma leitora que era amiga de um amigo e a pedido deste. Era vermelho-luz. A cor era a alma do suéter. Uma carícia de amizade.


O vestido branco

Clarice desejava ter um vestido branco de gaze. Se tinha perigo, também tinha pureza. Também queria um vestido preto para lhe deixar mais clara. “É mesmo pureza? O que é primitivo é pureza. O que é espontâneo é pureza. O que é ruim é pureza? Não sei, sei que às vezes a raiz do que é ruim é uma pureza que não pôde ser.”

 

Até ao próximo post! 😉

 

Coisas de pássaro, o curta metragem

Esse curta metragem da Pixar deve ser bastante conhecido, mas eu não me canso de vê-lo. É muito divertido, a trilha também ajuda a desenvolver a curta trama.

Empatia, inclusão, respeito, tolerância, discriminação,… Há tanto a se explorar neste curtíssimo curta.

Até ao próximo post! 😉

Maanlicht, Bazart

Eu já falei dessa banda de Antuérpia (aqui). É uma das poucas bandas da Bélgica que gosto de quase tudo que produzem.

Eles estão fazendo sucesso este ano com Maanlicht (Luar). O início da música soa algo diferente do que o grupo costuma produzir, e lembra o antigo grupo do vocalista, o “Warhola”. Só o início mesmo, porque depois da batida, a identidade do Bazart vem com toda força sobre uma letra poética e cheia de metáforas. Bazart: “Chegará um momento em que você terá que ir. No entanto, ficarei aqui sem o Sol. Aqui ao luar.”

O Bazart canta em holandês, ou melhor, em flamengo. É um pouco como comparar o inglês da Inglaterra e dos EUA. No mundo da música não há fronteiras, vale muito o sentimento, e o vídeo ajuda muito a sentir a música numa língua pouco falada.  Ritmo sensual, vídeo igualmente sensual.

Até ao próximo post! 😉

Monsaraz, uma bela vila portuguesa

Monsaraz, uma das mais belas vilas de Portugal, aliás até o seu nome é de uma bela sonoridade, “Monsaraz”.

De lá é possível avistar terras espanholas e uma parte da paisagem do Alentejo. Uma região de vinho e azeite de qualidade. Uma vila que é um museu a céu aberto. Suas casas caiadas em branco é outro charme, suas ruas e vielas são de pura paixão. Estrategicamente situada foi palco de batalhas entre o primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques contra espanhóis e mouros. Hoje suas ruas abrigam a calmaria interrompida apenas pelos passos dos turistas. Linda, Monsaraz!

Antes de chegar lá, foi momento de conhecer o Cromeleque do Xerez. São menires dispostos em círculo com cerca de 5000 anos antes da nova era, estando associados ao culto dos astros e da natureza, sendo considerado um local de rituais religiosos e de encontro tribal.

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cromeleque do xerez
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ao fundo o convento da orada
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talvez um menir de sacrificio
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uma das entradas para a vila de Monsaraz
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já dentro das muralhas que cerca a vila
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pelourinho
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uma rua central
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rua em Monsaraz
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à direita prédio da Universidade de Évora
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comércio de artesanato local
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rua de Monsaraz
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Monsaraz é inspiração
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museu judaico
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vista da paisagem do Alentejo
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ruínas do castelo transformada em praça de touros
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vista de Monsaraz
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ao fundo, terras espanholas
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ruína do antigo castelo

E agora, o vídeo que fiz…

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXVIII

Facilidade repentina

O bem estar é algo estranho. Clarice relata sobre situações simples de bem estar. Bem estar com a comida, com o menino na rua, com a amiga, com os filhos, com o taxista, …

livro
A opinião de um analista sobre mim

Clarice Lispector tinha amigas que foram analisadas pelo Dr. Lourival Coimbra, psicanalista do grupo de Melanie Klein. Em suas visitas ao consultório falavam da amiga escritora, então Clarice resolveu enviar um dos seus livros com dedicatória através de uma das amigas, o livro de contos Laços de Família. Ela ficou curiosa por saber a impressão do psicanalista, e este disse: “Clarice dá tanto aos outros, e no entanto pede licença para existir.”
Clarice concordou.


O meu próprio mistério

“Sou tão misteriosa que não me entendo.”


Sim e não

Clarice era sim e não. Esperava a harmonia do contrário. Eu que também era Vós.


Em busca do outro

Clarice buscava o caminho. Não encontrou atalhos, mas sabia que o caminho era sentir os outros, e assim estaria salva, o seu porto de chegada.

Cruze Esta Linha, o livro

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Cruze Esta Linha, de Salman Rushdie, é um livro que agrega ensaios e artigos do escritor indiano, que vão do período de 1992 à 2002, e caminha entre assuntos como cinematografia, música, escritora Angela Carter, o romance Beirute Blues, dramaturgo Arthur Miller, Índia, Paquistão, Islão, aborto, etc. O autor que viveu um longo período de fugas e esconderijos devido a uma “fatwa” (decreto religioso) decretada pelo Aiatolá Khomeini, após a publicação de “Os Versos Satânicos”, vive hoje em Nova Iorque e continuando a ser sátiro e irreverente. Ainda bem!

O primeiro conto da vida do escritor foi “Over The Rainbow” (Além do Arco-íris), inspirado em sua primeira influência literária, o filme O Mágico de Oz. E é sobre esta influência literária que Rushdie abre o livro, analisando todo o filme em câmera lenta.

O Mágico de Oz é um filme cuja força motriz é a inadequação dos adultos, mesmo dos adultos bons“, Salman Rushdie.

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Segundo Rushdie, O Mágico de Oz era uma esquisitice no Ocidente, concebido como uma tentativa de fazer uma versão ao vivo de um desenho de Disney. O filme não fez fortuna até ser exibido em televisão, anos depois do seu lançamento, que ocorreu num momento de pouca ajuda para tal, ou seja, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.

O filme é um exemplo de secularismo. Não existe nenhum traço de religião no Mágico de Oz. Há bruxas más que são temidas, há bruxas boas que são prezadas, mas nenhuma é santificada, escreve Salman Rushdie. E ele ainda diz que apesar de o Mágico de Oz ser algo próximo de um ser todo poderoso, ele não é venerado. É onde está o sucesso do filme, em criar um mundo no qual nada é “mais importante que os amores, os cuidados e as necessidades dos seres humanos”.

imagesRushdie escreve que o nome “Oz” passou para a lenda, quando o seu criador L. Frank Baum, fez surgir esse nome a partir das letras O-Z da gaveta de baixo de seu arquivo. E ainda diz que o filme é uma raridade cinematográfica, que acontece quando o filme melhora o já bom livro.

O autor analisa todo o cenário do livro, o  Estado do Kansas, nos Estados Unidos. E não concorda quando Dorothy diz que “There’s no place like home”, quando o Kansas não é o ideal para um lar, mas reconhece ser o assunto de alguma controvérsia. “O Kansas do filme é um pouco menos radicalmente inóspito que o do livro” (Rushdie).

Foi o filme O Mágico de Oz que tornou Salman Rushdie em escritor, e “Over The Rainbow”, o hino de todos os migrantes do mundo, aqueles que vão buscar que os seus sonhos se cumpram.

Até ao próximo post! 😉

  • imagens Google

 

Piper, o curta-metragem

Um curta-metragem é uma ferramenta capaz de ajudar a desenvolver o senso crítico de uma criança. E alguns deles são capazes de manifestar a sensibilidade de um adulto.

É o caso de Piper, este passarinho com medo de sair do seu ninho, e seguir os maiores na busca de sua própria alimentação na praia.

Superar o medo é um grande desafio para uma criança, mas também para muitos de nós, os adultos. Transpor essa barreira pode ser divertido, é isso que Piper tenta transmitir. Aliás, uma tática que uso na vida é rir em situações que tenho medo e nas situações físicas difíceis de transpor.

Vamos ver Piper!

Até ao próximo post! 😉