A Arte de Viajar, o Livro

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Não tenho a pretensão de tornar este espaço um blog acerca de livros, mas sinto que preciso abrir espaço para falar sobre uma obra que descobri ao acompanhar o blog Vai Sem Medo.

O livro chama-se “A Arte de Viajar” de Alain de Botton. Sempre considerei os livros como amigos, mas este parece que tornou-se a minha alma gêmea. Nele encontrei tudo ou quase tudo que sinto ao descobrir um lugar por mais próximo ou mais longe que esteja.

É verdade que o início da leitura foi lenta, pois sempre tive um pé atrás com os “amigos” intitulados “A arte de qualquer coisa”. Deviam estar vestidos de pseudo-algoritmos a impor a sua vontade e ideias sobre o assunto. Este amigo não! 🙂

O que nos leva a sair do conforto, da segurança e praticidade de nosso lar e viajar  ou mesmo passear? Por que quando decidimos viajar não nos deixamos ser envolvidos pelos aspectivos negativos que nos rondam até chegar ao destino? Buscamos a felicidade? São algumas das perguntas que encontramos com respostas filosoficamente sutis.

Um dos trechos do livro que me chamou especial atenção foi a citação que diz que só se está bem onde não se está. Essa citação não é novidade, pois já a tinha ouvido na música “Estou Além”, do cantor português António Variações. Dá o que pensar! É mesmo uma frase genial!

O livro faz sentir que cada lugar ao ser visitado tem o seu próprio encanto, a sua poesia. E, que o ato de fotografá-lo tem a ver com o nosso sentimento de possuir o lugar para sempre, mas que a fotografia faz-nos perder detalhes que poderiam ser possuídos através de um desenho ou de uma pintura.

Será que o prazer que sentimos por algumas viagens tem a ver mais com o nosso estado de espírito do que com o destino em particular? Será que uma viagem pelo nosso quarto trará algo de novo que estava escondido diante do nosso olhar passivo e cotidiano? Será que as nossas companhias de viagem são capazes de moldar as nossas experiências visuais? E as pessoas que nos cruzamos pelas ruas com sensações e preocupações  tão semelhantes aos da nossa origem e vem o sentimento de solidão do viajante. E sobre isso vejam e sintam o vídeo: Life In A Day. Há tanto que se extrair deste livro!

Buscar a felicidade, a necessidade silenciosa que temos em fugir de nós e buscar a diferença, apreciar o exótico para nós, mas que para o nativo é ignorado. São as chaves para encontrar a resposta do por que viajamos.

Após este brilhante livro, realmente nenhuma viagem será a mesma.

Um Simples Passeio – Schelde

Tenho pensado sobre o significado de “viajar” desde que comecei a ler o livro A Arte de Viajar, de Alain de Botton. A partir de então, cheguei à conclusão que “viajar” pode ter a sua definição que encontramos em qualquer dicionário, mas o seu significado pode ir muito mais além.

Podemos viajar não só entre países, ou entre cidades de um mesmo país, mas até mesmo dentro da sua cidade, ou ainda num curto passeio. Porque “viajar” passa por adquirir experiências, por vivenciar algo novo, por se encantar com a natureza à nossa volta e mesmo com as pessoas. Um simples passeio pode nos trazer “uma coleção de pensamentos pequenos, despretensiosos, mas enriquecedores da vida“, como li no livro.

E, assim foi, seguimos para um passeio a 40min de casa, mas em outro país, no entanto continuamos a percorrer uma distância flamenga. Chegamos à vizinha Holanda.

A cidade escolhida foi Terneuzen, na província holandesa de Zeeland, mais precisamente na foz do importante rio Schelde. Ele que nasce em terras francesas (Norte), entra pela Bélgica adentro, e quando está próximo da Antuérpia vai em direção à Holanda, desaguando no Mar do Norte.

Naquele fim de rota do Schelde há um longo e aprazível passeio apreciado por todos que desejam passar um bom momento perto do mar com a companhia de patos, corvos e outras aves; e observar a movimentação dos navios comerciais, e alguns poucos corajosos barquinhos a deslizarem; ou ainda estar numa esplanada de restaurante a levar com a suave brisa marítima.

Apresento-vos a Foz do Schelde!

Tot ziens! 🙂