Caminhada e Geocaching II

Quando fiz uma das últimas caminhadas e iniciei a atividade de Geocaching foi também um momento de outras novas descobertas.

No caminho estava essa original casa para as abelhas.

Mais adiante avistei uma capela que foi construída em 1632. Em sua parede havia uma placa que dizia que próximo dali foi encontrada uma cruz milagrosa em 1317. Antes de morar na Bélgica, eu não imaginava o quanto o passado deste país era ligado a religião católica. Muitas pequenas cidades tem nome de santos ou termina com a palavra “kerk” que significa igreja.

A casa para as abelhas e a capela estão localizadas sobre uma reserva natural que teve uma linha de defesa militar entre 1701 e 1702, quando tropas francesas tentavam se proteger dos ataques holandeses.

Fiquei a pensar nessas informações e refleti sobre o quanto aos nossos passos pisam sobre momentos históricos.

Agradeço a sua leitura e até ao próximo post!

Uma bela homenagem

Recentemente, fiz mais uma caminhada. No caminho estava uma estátua que seria a segunda vez que a avistava. Na primeira vez, eu estava com um grande grupo fazendo um grande passeio ciclístico e paramos ali para tirar uma foto em grupo. 

Nesta segunda vez, éramos apenas três e eu pude observar melhor a estátua deste senhor de traços simples. 

Ao chegar em casa pesquisei a história dessa escultura. É uma homenagem ao barqueiro Cyriel Van Bogaert (1905-1977), conhecido como “den toeter” que durante 60 anos de sua vida fez a travessia de pessoas entre as margens do rio Durme (entre Tielrode e Hamme), que fica logo em frente ao olhar da sua figura imortalizada, em Tielrode. Uma homenagem a um homem do povo que servia ao seu povo. Bela iniciativa!

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Quiz 


No início de Outubro participei em mais um WereldQuiz realizado pelo grupo Bonangana. Eram várias equipes de no máximo 6 participantes.  

Antes da pandemia havia muitos desses eventos na Bélgica. 

O Quiz do Bonangana está na sua 8a edição e o objetivo é arrecadar fundos para ajudar nos projetos de ajuda da entidade que apoia imigrantes com ensino do idioma holandês e crianças com seus trabalhos escolares.

Este ano as perguntas não estavam fáceis e ficamos no penúltimo lugar.

Até ao próximo post!

Passeio no Outono

Quem me acompanha no Instagram já viu essas fotos, mas é aqui que vou falar sobre esse passeio.
Foi ontem. O parque De Ster fica a 5 km daqui de casa, e eu já falei nele aqui. É raro um dia de condições climáticas agradáveis no outono, então quando acontece é momento de aproveitar.
Assim fomos aproveitar parte da manhã do Sábado. 3 mulheres, 3 mães de nacionalidades diferentes, 3 gerações diferentes. Só por isso já torna o passeio curioso.

E quando eu pensava que nada de novo poderia acontecer, eis que a vida vai apresentando a sua beleza aqui e ali. Foi a primeira vez que vi um real cogumelo vermelho disfarçado entre folhas que caíram.


Eu que não gosto do Outono, pude testemunhar sua beleza e praticar A Arte de Viajar, de Allain de Botton (aqui).

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

O leão do blog

Vocês já observaram o símbolo do blog O Miau do Leão? Um leão em preto com a língua e as garras em vermelho e sob um fundo em amarelo. É o símbolo do leão flamengo que lembra o tricolor da bandeira belga.

No entanto há um outro leão todo em preto no fundo em amarelo. Ele é o símbolo do movimento de emancipação flamenga, mas, infelizmente,  tem surgido cada vez mais nas fachadas das casas flamengas da Bélgica como o símbolo de um partido de extrema direita. Foi durante a Segunda Grande Guerra Mundial, que a aversão ao leão flamengo tricolor atingiu seu pico. Havia um provérbio: “O vermelho esconde o rosto do judeu risonho”. Naquela época, uma boa parte da população também fazia pouca distinção entre “judeu” e “comunista”. 

Infelizmente, os símbolos nacionais têm sido apropriados por integrantes de partidos de extrema direita um pouco por todo o mundo. A intenção é a mesma: classificar as pessoas entre patriotas de um lado e inimigos da pátria do outro lado. 

O patriotismo é muito diferente do que pregam semelhantes grupos. Patriotismo é amor e não ódio. Esses grupos um pouco por todo o mundo deturpam o significado de patriotismo, confundem as pessoas e se apropriam ilicitamente de símbolos nacionais.

O leão do meu blog é amor, é alegria, é a diversidade de todos os povos que formam e vivem na Bélgica.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

A expedição do belga Gerlache

Faz tempo que não escrevo sobre fatos curiosos sobre a Bélgica. Retorno hoje, afinal a ideia e o nome do blog partiu da necessidade de conhecer mais sobre o país que vivo. Vou contar sobre uma expedição belga que entrou para a história.

Há 125 anos que o navio de pesquisa Belgica partiu de Antuérpia para a Antártida. Foi a primeira expedição científica para a área. A missão liderada pelo belga Adrien de Gerlache, então com 31 anos, se transformou em uma jornada infernal na qual a tripulação teve que passar o inverno na Antártida sem planejamento, algo que ninguém jamais fez antes.

No final do século 19, a Antártida era desconhecida, e o jovem oficial da marinha belga conseguiu ser o primeiro a organizar uma expedição científica até lá. A Bélgica não era um país de marinheiros.

Ele esperava que o rei Leopoldo II e ricos industriais o ajudassem, mas isso não aconteceu e ele levou anos para conseguir o dinheiro necessário.

Em 1896, Adrien De Gerlache comprou o Patria, um baleeiro e caçador de focas na Noruega, e o converteu em um navio de pesquisa. E ele o chamou de Belgica, mas a marinha belga recusou-se a registrar o navio.

O navio suportou várias tempestades e quase naufragou por duas vezes. Na Antártida, ele ficou preso no bloco de gelo. Só após 1 ano foi libertado do gelo pela tripulação e depois de 2 anos voltou a atracar no porto de Antuérpia.

Sua tripulação era de 24 pessoas de 6 nacionalidades diferentes. E durante o período  que ficaram presos no gelo, viveram na escuridão total por meses, em um ambiente hostil com tempestades e nevascas. A temperatura a bordo estava sempre abaixo de zero. Usavam velas. A tripulação adoeceu por falta de vitaminas. Também mentalmente foi muito difícil devido à falta de sol e ao isolamento.  Um cientista belga com problema cardíaco congênito veio a falecer e um marinheiro norueguês lutou contra a psicose até o fim da sua vida.

A expedição forneceu informações sobre a fauna, flora e paisagens da Antártida e da Terra do Fogo. Eles também mapearam uma parte da Antártida que faltava, e descobriram um estreito, que mais tarde foi chamado de Estreito de Gerlache. Vários cabos, baías, ilhas e montanhas receberam nomes belgas, por exemplo: Ilha de Antuérpia, Ilha Brabante, Ilha de Gent, Ilha de Liège e Baía de Flandres.

Hoje, o Estreito de Gerlache é a área turística mais visitada da Antártida.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

A feira

Quinta-feira é dia de feira (ou mercado) na praça principal de Sint-Niklaas, que é a maior praça central da Bélgica

Os vendedores chegam com seus caminhões ou roulottes (trailer) ainda bem cedo, pois o mercado vai das 7 às 13hs. A tradição tem mais de 500 anos na cidade.
Cerca de 170 vendedores do mercado vendem seus produtos e proporcionam uma atmosfera acolhedora e típica do mercado. Eles oferecem uma ampla gama de produtos: alimentos, plantas, roupas, utensílios domésticos, artigos para bicicleta, cd’s e muito mais.
Raramente, vou à feira, mas aproveitei essa oportunidade para registrar uma foto a partir da escadaria da prefeitura. Era uma manhã de feriado e havia muita gente, como eu tenho vergonha de tirar fotos entre muitas pessoas só ficou esta foto geral.
Ir à feira traz um tempo que não volta mais, quando eu ia com minha mãe à feira no bairro de Casa Amarela, em Recife. Após ajudá-la, eu ganhava um pastel de feira e para beber um copo de caldo de cana de açúcar. Aqui não há pastel, nem caldo de cana de açúcar, mas pode-se comer hambúrguer, hot-dog, lumpia, croquetes de peixe, etc.

Agradeço a leitura e até ao próximo post!

Um passeio por Brugge

Brugge, na Bélgica, é uma cidade com traços medievais. O seu centro histórico é patrimônio da UNESCO. A cidade cresceu devido a manufatura de tecidos na época medieval. Tornou-se assim um dos principais pólos comerciais da Europa graças aos seus canais com ligação ao mar. Inclusive, foi lá que surgiu a primeira bolsa de valores do mundo.

A cidade está localizada na região flamenga da Bélgica. O idioma principal é o holandês. É, sem dúvida, uma das cidades mais bonitas do país. Atualmente, a cidade é conhecida por suas lojas de chocolate e cerveja. E também pelo seu mercado de Natal.

É sempre agradável um passeio nesta cidade. Não é o meu primeiro post sobre ela. Você pesquisar mais no menu do blog.
Vem comigo fazer um curto passeio em fotos, e assistir ao vídeo que fiz com mais imagens!

A cidade com sua arquitetura medieval convida-nos a caminhar por suas ruas sem compromisso de tempo. A medida que nos aproximamos do centro histórico aumenta o número de turistas de todo o mundo.

um antigo hospital

Parar numa de suas esquinas para admirar sua imponente catedral e o toque dos seus sinos.

Suas lojas convidam-nos a entrar, ou simplesmente, admirar suas vitrines. Era semana da Páscoa e esta vitrine mostrava antigas fôrmas metálicas de ovos de Páscoa, fotos e cartões antigos.

Ou a seguinte, que é um trecho de um extenso muro com quase todas as cervejas belgas.

Não deve ser fácil pedalar por suas ruas de paralelepípedos com muitos turistas, mas elas estão por todo o lado e até mesmo na decoração de um estacionamento pago só para elas.

E agora o curto vídeo que fiz com mais imagens de Brugge. Desta vez, deixei o som ambiente para se ter uma melhor realidade. Vem comigo!

Até ao próximo post!

Passeando em Bruxelas

Confesso que não gosto muito de ir a Bruxelas. Motivos? Maior concentração de pessoas nas ruas, outro idioma dentro do mesmo país,… No entanto, confesso que apresentar Bruxelas a quem não a conhece faz-me ter atenção a detalhes que eu não tinha notado em outras idas, e esqueço que não gosto de ir.

Foi assim que cheguei a esse teto com pinturas dos Smurfs. Criação do belga Peyo, as criaturas azuis trazem alegria ao sair da estação Bruxelas Central para ir à Grand place.

Bruxelas permite interessantes ângulos para fotografia.

O menino pequenino conhecido como Manneken Pis (pis=xixi) continua com sua gracinha. E ainda não foi desta vez que o vi vestido.

No outro extremo está a menina pequenina Jeanneke Pis que recebe moedas que irão no fim do dia contribuir para pesquisas médicas no país.

Saindo da Grand Place pela Rue Charles Buls, encontra-se outra lenda da cidade, a estátua de bronze de Everard t’Serclaes que dizem que se tocá-la trará sorte no amor,  a fortuna ou na fertilidade. Ele liderou a resistência contra a invasão flamenga à cidade. Devido a pandemia a estátua estava isolada para evitar que as pessoas esfreguem suas mãos na estátua.

Caminhando pelas ruas do centro turístico de Bruxelas mais cenas engraçadas são avistadas o Tintim, a gata na bicicleta, os deliciosos waffles que resolveram mudar de forma em uma das lojas próximas ao Manneken Pis.

O dia revelou-se um belo dia ensolarado, mas por vezes nublado, chuvoso e até granizo tivemos. Um típico dia de Abril com todos os seus ingredientes. Ainda visitamos a loja do Harry Potter, passeamos por dentro de uma livraria, e claro, o meu momento de gastronomia. Não escolhi nada típico do país, nem mesmo a cerveja. Estava com saudades de saborear um ramen, e este estava lindo e saboroso.

Espero que tenham gostado de passear comigo, e até ao próximo post!

Decisões

Abril chegou com muito frio e neve na Bélgica. Aliás, Abril é conhecido, por estas bandas, por trazer em um mesmo dia um pouco de tudo que um clima reserva. Também em Abril, estou lendo um livro maravilhoso, e espero, em breve, escrever sobre essa leitura. Para já trago a fala de um dos personagens, e em seguida o vídeo da música Everything da cantora canadense Alanis Mororissette.

Cada vida contém muitos milhões de decisões. Algumas grandes, algumas pequenas. Mas cada vez que uma decisão é tomada em detrimento de outra, os resultados são diferentes. Ocorre uma variação irreversível, o que, por sua vez, leva a outras variações…

(A biblioteca da meia-noite, Matt Haig, pág. 270, versão epub) 

Agradeço a leitura e até ao próximo post.