Clarice Lispector XXVI

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Liberdade I e II

Clarice (I) fala sobre a liberdade que se tem ao falar com uma amiga.
Clarice (II) fala sobre a difícil fala com um filho que lhe tentava cortar a liberdade.


Lição de filho

Um dos seus filhos, com 14 anos, a fez reconhecer a diferença entre emoção e nervosismo, e assim ela desistiu de tomar um calmante a uma certa situação.


O caso da caneta de ouro

Certa vez, Clarice Lispector recebeu de presente uma caneta de ouro. Até esse momento sempre tinha escrito com lápis-tinta ou à máquina. Refletia se isso mudaria o seu modo de escrever. Era um probleminha frente a um problema maior: ela tinha dois filhos e apenas uma caneta de ouro.


Comer, comer

Clarice Lispector descreve o quanto em sua casa se falava em comer e em comida. Gostavam de comer. Também falavam sobre a atualidade no mundo e no Brasil.
Clarice escreveu: somos um lar.

 

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXV

images (2)O maior elogio que já recebi

Clarice Lispector estava em Nápoles com o marido, quando um homem falou em voz alta para outro: “É com mulheres como esta que contamos para reconstruir a Itália.”


Pertencer

Desde a idade de berço que Clarice achava que “pertencer” foi a sua primeira vontade, como um destino.
Era feliz por “pertencer” à literatura brasileira. Queria que ao nascer tivesse curado a mãe, e assim “pertencer” ao pai e a mãe.
Foi assim que percebeu que “pertencer é viver“.


Ideal burguês

As gavetas da escritora estavam sempre em total desordem. Dizia que as pessoas que se preocupam muito com a organização exterior estão em desordem interior.

O seu desejo de luxo era ter uma governanta que desse conta de desordem, incluindo ir em seu lugar em certas festas.

A única coisa que essa governanta não precisava fazer era cuidar de seus filhos. Clarice disse que à medida que os filhos crescem, a mãe deve diminuir o seu tamanho, mas acaba por aumentar.


As “fugidas” da mãe

Uma mãe digna desse nome, estava sozinha na rua e viu pipocas à venda, comprou-as, e na rua comeu as pipocas. A liberdade de comer pipocas em plena rua.

 

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXIV

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Mais duas crônicas escritas por Clarice Lispector para o Jornal do Brasil. Nessas crônicas, ela escrevia um pouco sobre sua vida e sobre o que pensava. Segue um resumo delas…

 


Brincar de pensar

Clarice Lispector refletia sobre pensar como modo de se divertir. E para esse jogo, convida-se os amigos para uma visita de pensar junto, no disfarce das palavras. Pensar a fundo só sozinho.

Pensar como divertimento há poucos riscos. É o “animus brincandi”, um hobby. Por exemplo, fazer uma lista de sentimentos dos quais não se sabe o nome. Essa brincadeira de “brincar de pensar” pode virar o jogo, e o brinquedo é que passa a brincar conosco.

 

Brain Storm

Uma chuva de várias ideias possíveis nesta crônica:

  • ” A loucura é vizinha da mais cruel sensatez”.
  • “A vida é mortal”.
  • “Se desse a loucura da fraqueza, que diriam as pessoas às outras?”
  • “A pior cegueira é a dos que não sabem que estão cegos”.
  • “Só posso escrever se estiver livre, e livre de censura, senão sucumbo”.
  • “O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura: e nela então o humano do homem se refugia”.
  • “Quantas mentiras sou obrigada a dar”.
  • “A lua é, como diria, Paul Éluard, éclatante de silence”.
  • “É preciso ter coragem para fazer um brain storm: nunca se sabe o que pode vir e nos assustar”.

 

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXIII

downloadO que eu queria ter sido

Desde criança, Clarice importava-se com o que ela gostaria de ser: Lutadora pelo bem dos outros.
Era chamada pela família de “a protetora dos animais”.
Vivia com o coração perplexo com as injustiças vividas pelas classes menos privilegiadas. Ainda com 12 anos discursava nas ruas do Recife para um aglomerado de pessoas sobre a tragédia social. Ela defendia o “direito dos outros”.
Foi pouco, muito pouco!, disse.

 
Intelectual ? Não.

Chamavam-na de intelectual, respondia que não era. Não era modéstia, mas realidade.
Defendia que não usava a inteligência, mas a intuição. Nem tinha muita cultura e era má leitora. Não tinha lido as obras importantes da humanidade. Tinha mais preguiça de ler do que escrever. Também não era literata porque escrever livros não era uma “carreira”.
Leu bastante entre os 13 e 15 anos.

 


Sensibilidade inteligente

Para elogiar, diziam que Clarice era inteligente. Ela respondia que era tão inteligente quanto qualquer pessoa, e pensavam que estava a ser modesta.
Clarice disse que as pessoas confundiam “inteligência” com “sensibilidade inteligente”.
Refletia que um dom, “pode ser abafado pela falta de uso ou aperfeiçoamento com o uso.”
Ela tinha uma amiga que possuía inteligência e sensibilidade inteligente. O que chamava de “coração inteligente”.
Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXII

A essência de quatro crônicas escritas por Clarice Lispector sobre ela mesma.

images (1)– A experiência maior
– O uso do intelecto
– Refúgio
– O sonho

 

A experiência maior

Clarice Lispector: “Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o âmago dos outros: e o âmago dos outros era eu.”


O uso do intelecto

Super atual: O maior esforço de Clarice Lispector foi ser obrigada a ser inteligente. Usar a inteligência para entender a não inteligência. 


Refúgio

Clarice cultivava em si uma imagem: a visão de uma floresta. Uma clareira verde, árvores, borboletas, um leão sentado, e ela também sentada no chão bordando.

A sua visão precisa via os anos passarem, as asas enfeitadas das borboletas e o leão com manchas, e por essas via-se como o animal seria sem as suas manchas. A sua clareira verde tem minérios que são as cores. E a própria Clarice tem manchas azuis e verdes para mostrarem que ela não é azul nem verde. Fora dessa cena ela está perdida.


O sonho

Uma vez Clarice anotou um sonho que teve, mesmo sem entender de sonhos, pois este parecia querer dizer algo. Na verdade foi um pesadelo com uma porta que não sabia o que simbolizava, mas sabia que a “primeira porta de alguém” é algo aterrorizante.
Até ao próximo post! 😉

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Clarice Lispector XXI

Supondo o errado

Clarice Lispector propõe o supor que não é verdade, ou seja: criatura forte, tomar uma resolução e mantê-la, escrever algo que desnude um pouco a alma humana, ter o rosto sério ao espelho, que as pessoas que eu amo sejam felizes, que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, sorrir em dia que não é de sorrir, entre meus defeitos haja muitas qualidades, que eu nunca minta, imagesque eu possa ser outra pessoa e mude o modo de ser.


Supondo o certo

Clarice Lispector propõe o supor que é verdade, ou seja: que o telefone amde enguiçado em toda a cidade, que eu faça uma ligação e dê sinal de ocupado, que o sinal de desocupado está soando em chamada, que não atendam, ouça uma linha cruzada, por curiosidade ouvir a conversa entre um homem e uma mulher, no final da conversa ouça uma frase límpida “Deus te abençoe”, que se sinta abençoada. Não suponho mais, disse Clarice. Disse apenas, “sim” ao mundo.
Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XX

images (1).jpegA surpresa

Clarice Lispector olhava-se ao espelho e dizia: sou misteriosa, delicada e forte.

Refletia que não há homem ou mulher que já não se tenha olhado e se surpreendido consigo próprio.

Narcisismo? Ela preferia chamar de alegria de ser. Na figura exterior encontrar a interior. Ou simplesmente dizer: “eu existo”.

 

Até aopróximo post! 😉