Com Paraquedas (o livro) em Drymades

Para a aventura em terras albanesas levei como companhia durante o vôo, o livro do querido escritor P.R.Cunha, o seu Paraquedas (um ensaio filosófico).

O voo Bruxelas-Viena-Tirana foi suficiente para “devorar” boa parte das páginas. O término da leitura não poderia ter sido num lugar mais conveniente, Drymades. Uma praia tranquila, partidas de xadrez entre duas jovens a poucos metros e ainda alguns vôos de paraquedas (ver filme). E “dry”, uma palavra albanesa que significa cadeado. Coincidências, acasos com o Ensaio.

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Neste post vou falar sobre coincidências entre o livro e eu. Sobre temas abordados durante o ensaio filosófico que me tocaram no sentimental e na memória. Não importa se a leitura é de fatos verídicos ou não. O que importa é a essência das reflexões. E é sobre estas que passo a escrever.

Logo nas primeiras páginas, a leitura é sobre os amigos e as amizades. Um tema que estou sempre a refletir. Sinto o mesmo sobre os “amigos”, mas na verdade já perdi a noção do que realmente é um “amigo”. A palavra “amigo” é uma das que, recentemente, foram banalizadas. Passou a ser comum, ouvir e ler: “oi amigo”, “amiga blá blá”. Quase sempre seguido de um pedido ou exibição. Este tema trouxe-me à memória uma cena do curso de holandês, quando durante um exercício escrito que perguntava sobre quem são seus “amigos” na sala, uma colega de origem russa disse sem cerimônias: “Eu não tenho amigos na classe, apenas conhecidos.” Sinceridade russa! O detalhe é que 80% da turma já se conhecia do módulo da turma.

Eu também gosto das marcas da vida. Tenho uma de queda quando criança. Não me recordo do acidente de baloiço, mas não esqueço de olhar a imperfeição em forma de X, abaixo do lábio inferior. E busco as cenas em minha memória, mas absolutamente nada surge.

Comportamentos de família. Cheguei à conclusão que todas as famílias procuram esconder os seus registros indesejáveis. E o que é família? Eu não sei mais, também. Aliás, gosto da forma como a língua holandesa define família. O grupo que mora dentro de uma casa é “gezin”, ou seja, pais e filhos. Todo o resto é chamado de família.

Um morto recebe sempre a condição de ex-vivo exemplar, ou quem sabe, a alcunha de “o coitado” como bônus. Provavelmente, esse comportamento é explicado pela religiosidade. Foi assim que a religião nos ensinou. E também há famílias que se comportam como seitas. Sendo assim, os planos de fuga acabam quase sempre por falir.

Os sonhos, de certeza, seriam uma excelente fonte de inspiração para compor uma obra. Também já pensei em os escrever, deixando um bloco e uma caneta ao lado da cama, mas a memória desses sonhos que pareciam incríveis acabavam sempre por fugir assim que eu despertava.

Penso como a tia Laura: “a gente nasce, a gente vive, a gente morre, e pronto.” Porém, compreendo os motivos pelos quais muitos não pensam assim. 

“Queremos que alguém se lembre de nós depois que morrermos”. Sempre haverá esse alguém, nem que seja por pouco tempo. E o seu Paraquedas, com certeza, voará por gerações, e em alguns diversos pontos do planeta. Que venham outros Paraquedas, que venham outros ensaios filosóficos, um pouco mais desse escritor que ainda tem muito a dar, a fazer saber.  Parabéns, P.R.Cunha!

Até ao próximo post! 😉