Dia da Poesia na Bélgica, 2018

Hoje é mais um dia da poesia na Bélgica (flamenga) e Holanda. Desde 2000, a última quinta-feira de janeiro é para apreciar, escrever e homenagear a poesia. Bibliotecas e escolas fazem defesa à poesia.

Minha prenda para a poesia no seu dia, é relembrar a poesia que fiz para meus filhos em holandês. Não é nada fácil rimar em holandês. Temos sorte por ter nascido sobre o manto de uma língua latina, é bem mais fácil em português. 😊

Mijn zoontjes (Meus filhinhos)

Ik ben een moeder    Eu sou uma mãe
ik heb twee vogeltjes    Eu tenho dois passarinhos
zij eten graag chocoladepoeder    Eles gostam de comer chocolate em pó
zij zijn ook uiltjes.    Eles são também corujinhas.

Zij openen zijn oogjes    Eles abrem seus olhinhos
het is nog donker en koud     É ainda escuro e frio
maar het lijkt als regenboogies    Mais parece como arco-íris
zij kosten meer dan goud.    Eles valem mais que ouro.

Zij zijn kampioenen    Eles são campeões
zij schaken    Jogam xadrez
met veel visioenen    Com muitas visões
hun spel maken.    O jogo deles fazem.

Zij hebben enkele bekers    Eles têm algumas taças
zijn leus is melden    Seu lema é participar
wij zullen proberen    Nós vamos tentar
zij zijn mijn helden.    Eles são meus hérois.

SiL

http://www.poezieweek.com/

http://www.poeziecentrum.be/

Baú Aberto 4

Ontem, fui por um dia à Lisboa.

Lisboa é uma cidade que penso que todo brasileiro, se for possível, deve ir conhecer Eu conheci-a há 19 anos atrás. Foi um momento de muita reflexão, mas é sempre assim quando lá vou. Há muito de nosso passado para compreender o presente. Afinal, o Brasil é “Portugal às soltas”. Mais essa conversa deixarei para um post que farei sobre Lisboa.

O que venho colocar no Baú hoje é sobre uma sensação que vivi assim que entrei no avião com destino à Lisboa, e foi crescendo durante todo o dia. Eu quis fugir! Rsrsrs Esse pânico ou fobia deve ter um nome, desconheço. Sei que minha alma gémea que estava comigo nessa viagem, também sentiu o mesmo.

Já são 3 anos e 5 meses que o meu cérebro se esforça por aprender o holandês. O holandês não é uma língua fácil, e ainda mais é um pouco feia de se ouvir. Quando entrei no avião estranhei me cumprimentarem em português. Eu respondia atabalhoada. Depois foram todas as instruções de avião, que entravam nos meus ouvidos como o ar pelo nariz. Caminhando para pegar o metro no aeroporto de Lisboa era estranho ver todas as indicações em português. O cérebro começa a ficar preguiçoso. Alguém toca-me sem querer e diz: Desculpe-me! Eu, automaticamente, ao mesmo tempo, digo: Sorry!

Acorda, Silvana! (diz o meu cérebro) E, rindo ainda diz: Ben je aan het slapen?  (Tu ainda estás dormindo?). Aquele incómodo foi crescendo ao longo do dia. Todos os sons entravam no meu ouvido, o que eu queria, e pior, o que eu não queria ouvir. Português em vários sotaques. Afinal, o império português foi grandioso. Quando eu ia pagar algo que comprei e consumi, outro choque! Nunca foi tão fácil saber quanto pagar, e ao mesmo tempo estranho. É que no holandês os números são falados primeiro a unidade e depois a dezena. Exemplo, 25€, em holandês diz-se: cinco e vinte euros. Complicado, não é? Rsrs Está sentindo a facilidade em eu ouvir um estranho dizer: Senhora, são vinte e cinco euros. O cérebro vai ficando preguiçoso, e eu quero ir para casa. Já dentro do avião ouço a primeira palavra em holandês. Alstublieft! Ufa, o cérebro começa a trabalhar, que alívio.

Deixo-vos com a combinação linda e suave do português de Portugal com o português do Brasil.

 

Tot ziens! 🙂

 

Aprender um idioma

Normalmente, quando escrevo tento evitar rever o texto muitas vezes, porque corro a eventualidade de entrar num loop de correções e mudanças de ideia que me deixarão com a sensação constante de inconclusivo. No entanto, com este post isso terá mesmo que acontecer, porque muito do que escreverei será um reflexo das minhas observações diárias, enfim da minha experiência e maturidade.
O tema deste post é aprender uma língua, que no caso é o neerlandês, mas que poderá ser útil para o aprendizado de qualquer idioma.
Ao dizer que aprender uma língua é difícil, já se torna um cliché. Passei a me perguntar como falar sobre este assunto e trazer alguma contribuição, saltando o cliché. Pensei…

Ser perseverante ! Atitude correta. Não dominamos, e por vezes, não compreendemos a nossa própria língua materna. Não sabemos o significado de muitas palavras que estão em nosso dicionário e nem a usamos. Imagina uma nova língua!

Um pouco todos os dias! Estar a viver no país da língua que se estuda é o ideal. Se essa possibilidade não for possível, então procurar ter algum contato diário com a língua é essencial. Assim, um filme, ouvir música, ler uma revista, um pequeno livro ou mesmo um livro infantil.

Usar a internet! Hoje são tantos os recursos disponíveis, mas é preciso ter alguma sensibilidade, para se escolher o que realmente interessa, e que tenha qualidade, que siga um método.

O tempo! Observo as pessoas a fazerem comparações sobre o seu nível de conhecimento. Compreendo que é uma atitude normal que temos, mas não se deve esquecer que cada pessoa tem o seu “time”, e que é decorrente do produto de sua experiência, realidade, disponibilidade, convivência e possibilidade. Não se vitimar, mas aceitar essa condição, e seguir.

Por tudo isso, pretendo trazer algumas soluções que possam ser convenientes para o seu aprendizado do neerlandês, mas que poderão também ser de utilidade para outras línguas. Poderemos trocar ideias e avaliá-las. Cada post deste tópico “neerlandês”, uma ferramenta. Um passo!

Tot ziens! 😉

Praticar o holandês (Parte II) -Babbelonië

Desejo continuar  a vos trazer algumas iniciativas existente dentro da sociedade flamenga, no caso particular, na “Oost-Vlaanderen” (Flandres Oriental), que busca integrar o estrangeiro que para a Flandres vem viver, ajudando-o a praticar o idioma.

No post anterior vimos uma iniciativa existente na cidade de Sint-Niklaas, também localizada na Oost-Vlaanderen.

Hoje, vos trago um site que descobri: www.nederlandsoefenen.be/oost-vlaanderen

Neste site é possível conhecer o projeto BABBELONIË.

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Visite-o sem pensar duas vezes, pois com certeza descobrirá onde treinar o holandês em um grupo de conversação, em um grupo sobre temas específicos e outras sugestões. A participação é gratuita, e muito agradável.

O projeto atua em várias cidades da região, mas informações mais atuais e detalhadas encontram-se no site: www.babbelonie.be

Tenho participado no grupo Babbelonië, em Temse. São poucas horas por semana, mas que ajudam a praticar e melhor entender o idioma e os seus dialetos. Em nosso grupo temos imigrantes de vários continentes, várias histórias de vida, sempre apoiados por simpáticos cidadãos belgas que disponibilizam algumas horas de suas vidas para nos ajudar, guiados pela competente sra. Dianne Nuyts.

E, assim juntos, falamos o holandês da Flandres.

Pratica aqui o holandês

Aprender a língua nativa quando se emigra é um dos obstáculos a se vencer para bem viver.

Claro, que é possível sobreviver com o conhecimento em inglês, e um pouco em francês, na Flandres. No entanto, aprender o idioma nativo exige prática, e é decisivo para comunicação entre pessoas, em suas diversas formas.

Sendo assim, na cidade flamenga de Sint-Niklaas há um projecto promovido pelo conselho desta cidade, que se chama “Oefen hier je Nederlands” ( Pratica aqui o Holandês).

Este é um projecto de língua cujo objetivo é incentivar os cidadãos estrangeiros a conversarem com os nativos em holandês, e não mudarem rapidamente para outro idioma. Uma aprendizagem ao ar livre dentro de um contexto quotidiano. Não tenha vergonha de cometer erros, tente falar!

A ideia traduz-se em um logotipo que pode ser encontrado nos balcões de algumas lojas comerciais, na câmara da cidade, biblioteca, médicos, escolas, farmacêuticos.

Os comerciantes locais são incentivados a participarem através de inscrição por e-mail ou telefone. Em seguida, os participantes recebem 10 dicas para se  comunicarem mais facilmente com os clientes ou pacientes estrangeiros e, se desejar, ainda obter apoio logístico mais específico.

Logotipo
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Particularmente, acho a ideia fantástica pela sua originalidade, simpatia e simplicidade, pois busca promover a integração de pessoas estrangeiras, afinal segundo as últimas informações estatísticas apontam para que 20% da população da cidade e 43% das crianças (0-5 anos) é de origem estrangeira. Sem falar que dá uma imagem positiva à cidade.