Um Brasileiro na Alemanha, o livro

livroUma brasileira na Bélgica leu “Um Brasileiro em Berlim”, de João Ubaldo Ribeiro. Com essas últimas palavras já dá para perceber o que nos trará o livro.
A experiência vivida pelo, ao mesmo tempo, autor/personagem confunde-se com a experiência vivida por nós, os emigrantes, independente da nacionalidade.
Toda aventura de Um Brasileiro na Alemanha começa já no avião, em seguida um aeroporto que já parece do tamanho do Brasil. Já a caminhar pelas ruas de Berlim saca, trêmulo, o amigo de todos nós, o dicionário de bolso !

Identifiquei-me logo com o livro não apenas por ser emigrante, mas também devido a alguma semelhança que há entre o idioma alemão e o neerlandês. Nos dois idiomas, além de sons parecidos há também muitas junções de palavras o que deixa frustrado o nosso amigo dicionário de bolso que não consegue nos ajudar. Há existência de aglomerados de palavras que formam uma nova e comprida palavra. E, ainda, saber quando o verbo vem no início da frase e, às vezes, vai lá para o fim de uma enorme frase. Circunstâncias que o autor revela sempre com muito humor que só cabe em nosso imortal João Ubaldo Ribeiro.

As semelhanças entre o idioma alemão e o neerlandês não param por aí. Dei uma gargalhada quando ele descreve sobre as inúmeras preposições. Essas criaturas existem em grande quantidade, e ainda formam os verbos separáveis! Amai! (expressão típica daqui) Daí, numa frase dependendo do tempo verbal vão parar lá para o fim da frase. E, no mesmo contexto, o João Ubaldo fala escreve sobre a dificuldade em se traduzir certas palavras, porque na língua portuguesa, e para isso dá o exemplo da palavra “amanhã”, pode ter vários significados.

Mais os pontos em comum da realidade alemã e flamenga seguem-se com a semelhança climática, quando com muito bom humor, o escritor relata a um amigo que vive no Brasil que 9hs é que começa a surgir alguma presença do amigo Sol, e que logo se vai às 16hs. Realmente, está é a realidade mais difícil de ultrapassar, as horas de escuridão durante o inverno. No verão descontamos, é verdade.

Ele não esquece de contar a experiência com os dialetos. Já não é suficiente ser uma língua difícil de aprender e temos que sofrer com a existência de dialetos e expressões entre regiões, e até mesmo entre cidades de uma mesma região. É verdade, que mesmo no Brasil, ou até mesmo em Portugal, há diferenças de pronúncia, de palavras diferentes para o mesmo objeto, mas nada se compara com o que acontece na região flamenga da Bélgica, e muito também acontece na Alemanha, segundo o escritor. Porque temos um idioma que é a língua de imprensa, e de quem se dirige ao público e na rua há outro idioma. Oh não!!!

Depois ele cita que não entende como o alemão consegue ser tão organizado. Mais gargalhadas dei. Uma vez vi uma reportagem, nos anos 80, com um amigo alemão de Nelson Piquet, ex-piloto de F1, e esse tal amigo dizia que entre outras coisas o que mais gostava no Brasil era poder sentir por alguns momentos a desorganização. O que só comprova as observações do João Ubaldo.

Quatro pequenos choques deste brasileiro na Alemanha: alemães nus, a bandeijinha, tráfego e olhar. Até agora só passei por dois destes choques, mas não chega a ser exatamente um “choque”, diria que foi mais uma observação. No choque “tráfego”, a situação que ele descreve, passada na Alemanha, aqui na região flamenga é idêntica quanto à pista de bicicletas. E o choque “olhar” também, as pessoas respeitam mais a privacidade e as escolhas dos outros.

No livro, o escritor também fala um pouco de sua infância no Nordeste do Brasil. Quase uma história que revela como tornou-se um escritor. No fim do livro apresenta um apêndice de palavras que podem ser úteis na Alemanha ao se visitar ou viver.

Ele, como eu, e penso que todo emigrante passa a ter uma nova visão e compreensão do país que se escolheu para viver, independente dos motivos que o levaram, e que só é possível com a vivência, com as experiências positivas e menos positivas.

Tot ziens !;)