Clarice Lispector XVIII

Quatro crônicas escritas por Clarice Lispector que retratam o seu comportamento em táxis e as suas conversas com os choferes:

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Conversinha sobre chofer de táxi
Lição de moral
Teosofia
Ato gratuito

 

Conversinha sobre chofer de táxi

Clarice Lispector utilizava regularmente os servicos de táxi. E numa dessas viagens, perguntou-se se uma pessoa é chofer de táxi por vocação ou não.
Refletia sobre as perguntas indiscretas que faziam durante as viagens. E Clarice respondia-os, exceto quando estava de mau humor.


Lição de moral

Clarice também entrevistava os choferes de táxi, mas uma vez que foi entrevistada por um que perguntou se ela era uma mulher igual a todo o mundo, ela respondeu: mais ou menos.
Clarice
detestava lição de moral.


Teosofia

Houve um dia que Clarice não estava para teosofia. E nesse dia pegou um táxi e o chofer começou justamente a dar lição teosófica.
Ele falava e ela não ouvia até que o chofer falou a palavra “irmandade”, então Clarice reagiu e disse: “Não me senti irmã de ninguém no mundo.”
O chofer continuava sua fala dizendo que o ano dois mil já tinha chegado. De qualquer forma, Clarice sentia-se avançada no tempo. E ela dizia que já tinha aprendido muito com os choferes de táxi que daria um livro.


Ato gratuito

Muitas vezes, Clarice foi salva por improvisar um ato gratuito que é o oposto da luta pela vida e na vida.
Ela escrevia à máquina, e de repente, sentiu um profundo cansaço da luta. Clarice tinha sede de liberdade, e estava cansada de morar num apartamento, e estava cansada de tirar ideias dela, e estava cansada do barulho da máquina de escrever. Ela precisava de liberdade. Precisava pagar o alto preço que custa viver.
Tomou um táxi para o Jardim Botânico, pois precisava ver, sentir, VIVER.

Até ao próximo post no blog! 😉