Cruze Esta Linha, o livro

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Cruze Esta Linha, de Salman Rushdie, é um livro que agrega ensaios e artigos do escritor indiano, que vão do período de 1992 à 2002, e caminha entre assuntos como cinematografia, música, escritora Angela Carter, o romance Beirute Blues, dramaturgo Arthur Miller, Índia, Paquistão, Islão, aborto, etc. O autor que viveu um longo período de fugas e esconderijos devido a uma “fatwa” (decreto religioso) decretada pelo Aiatolá Khomeini, após a publicação de “Os Versos Satânicos”, vive hoje em Nova Iorque e continuando a ser sátiro e irreverente. Ainda bem!

O primeiro conto da vida do escritor foi “Over The Rainbow” (Além do Arco-íris), inspirado em sua primeira influência literária, o filme O Mágico de Oz. E é sobre esta influência literária que Rushdie abre o livro, analisando todo o filme em câmera lenta.

O Mágico de Oz é um filme cuja força motriz é a inadequação dos adultos, mesmo dos adultos bons“, Salman Rushdie.

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Segundo Rushdie, O Mágico de Oz era uma esquisitice no Ocidente, concebido como uma tentativa de fazer uma versão ao vivo de um desenho de Disney. O filme não fez fortuna até ser exibido em televisão, anos depois do seu lançamento, que ocorreu num momento de pouca ajuda para tal, ou seja, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.

O filme é um exemplo de secularismo. Não existe nenhum traço de religião no Mágico de Oz. Há bruxas más que são temidas, há bruxas boas que são prezadas, mas nenhuma é santificada, escreve Salman Rushdie. E ele ainda diz que apesar de o Mágico de Oz ser algo próximo de um ser todo poderoso, ele não é venerado. É onde está o sucesso do filme, em criar um mundo no qual nada é “mais importante que os amores, os cuidados e as necessidades dos seres humanos”.

imagesRushdie escreve que o nome “Oz” passou para a lenda, quando o seu criador L. Frank Baum, fez surgir esse nome a partir das letras O-Z da gaveta de baixo de seu arquivo. E ainda diz que o filme é uma raridade cinematográfica, que acontece quando o filme melhora o já bom livro.

O autor analisa todo o cenário do livro, o  Estado do Kansas, nos Estados Unidos. E não concorda quando Dorothy diz que “There’s no place like home”, quando o Kansas não é o ideal para um lar, mas reconhece ser o assunto de alguma controvérsia. “O Kansas do filme é um pouco menos radicalmente inóspito que o do livro” (Rushdie).

Foi o filme O Mágico de Oz que tornou Salman Rushdie em escritor, e “Over The Rainbow”, o hino de todos os migrantes do mundo, aqueles que vão buscar que os seus sonhos se cumpram.

Até ao próximo post! 😉

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A livraria mágica de Paris, o livro

download.jpegO livreiro parisiense Monsieur Perdu vende livros como se fossem remédios para os sofrimentos da alma, para proteger da burrice e de falsas esperanças. E assim, começa o livro que só pelo título conquistou-me. É verdade, que a um certo momento da leitura o livro perde a sua intensidade, voltando a recuperar o ritmo próximo ao fim deste romance.

Em sua farmácia literária recebia seus clientes, e com uma simples conversa era capaz de identificar em sua alma o que lhe faltava. Ele lia o corpo pela postura, por seus movimentos e gestos, o que afetava e oprimia, as predições de amor. Assim combinava os romances certos com as enfermidades. Era o dom de transpercepção.

No entanto, os livros não são capazes de mudar as pessoas más. Não era possível tornar pais, maridos ou amigos melhores. Estes continuariam sendo tiranos, torturadores, odiosos nas pequenas coisas, e covardes com o constrangimento de suas vítimas.

Perdu dizia pérolas aos que lhe cruzavam como: – limpar é meditação com movimento (adorei esta!);  – ninguém ficaria inteligente se não tivesse sido jovem e estúpido em algum momento; – nunca ouça o medo! O medo emburrece.

A sua sabedoria sobre o amor era resultado também de sua própria experiência com um amor que foi o motivo de sua existência. O amor, para ele, é uma morada onde nada deve ser escondido ou “poupado”. Habitar o amor por completo é não se deixar intimidar por nenhum quarto, nem porta. Brigar, acariciar, separar, fazem parte desta habitação. Aliás, Perdu chamava os livros de lares, e também de liberdades. E dizia mais: “Todos os amores. Todos os mortos. Todas as pessoas do nosso tempo. São os rios que formam nosso mar da alma. Quando não queremos nos lembrar deles, esse mar também seca.”

Ao longo da leitura deste livro, outros livros são citados. É a chamada Farmácia Literária de Emergência de Jean Perdu. Comecei a tomar anotações dos títulos dos livros e autor, mas no final do livro encontra-se a lista completa. Também encontrará no fim do livro receitas da região de Provence, em França. E mais ainda, um impressionante roteiro por esta região feito por Perdu e seu amigo escritor Max Jordan com outros amigos que iam conhecendo. Enquanto conduzia sozinho o carro, ouviu que tocaria “Albatross”, de Fleetwood Mac. Uma canção que fazia Jean Perdu pensar no vôo de gaivotas ao pôr do sol, em uma praia distante desse mundo, no estalar da fogueira de madeira tirada dos rios.

Estive a tentar construir este roteiro. Não vou descrevê-lo aqui, pois ficaria um post cansativo. Ficará para uma possível viagem no futuro. Quem sabe? E assim, descreveria-o no blog fazendo menção ao livro. Apesar de que antes de viver na Bélgica já estive nesta região, mas o blog é sobre tudo que me acontece após viver na Bélgica. No entanto, navegando na Internet, acabei por achar um mapa com uma parte do roteiro do livro. Interessante! E interessante também é que toda esse enredo foi construído por uma escritora com origem alemã, Nina George.

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Por fim, o próprio Perdu escreve o seu livro intitulado Grande Enciclopédia dos Pequenos Sentimentos, que é uma obra de consulta para livreiros, amantes e outros farmacêuticos literários.

E, assim foi mais um livro na minha vida. 😉

Até ao próximo post! 😉