Agualusa em Um Estranho em Goa

“Escrevo porque quero saber o fim”. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele.
(versão Epub, pág. 9)

E eu gosto do que Florbela Espanca escreveu e o cantor português Luís Represas, no Trovante, tão bem interpretou… “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior”. Ouçam…

Até ao próximo post!

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Um estranho em Goa, o livro

Meu último “mergulho” na literatura foi uma viagem exótica com o escritor angolano José Eduardo Agualusa até Goa, através do seu livro Um estranho em Goa. Da leitura extraí alguns trechos que me tocaram, e que passo a apresentar em alguns posts, que serão acompanhados de uma música.

” Alma parece-me uma palavra muito grande. Já toda a gente abusou dela, poetas medíocres, filósofos, guerreiros, conspiradores, mas ainda assim continua enorme. “
(pág 8, versão Epub)

A palavra “alma” continua enorme e alegre na voz da cantora brasileira Zélia Duncan…

Até ao próximo post!

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Pílula de choque III

Mark Manson escreve também sobre o sofrimento, e afirma:
A vida em si já é uma forma de sofrimento!

Calma, não é preciso encarar a afirmação como negativa, mas como realista no sentido de pelo menos atenuar o sofrimento. A evolução nos fez viver constantemente com certo grau de insatisfação, diz o autor. O sofrimento é a inspiração para mudanças, e o que nos leva a evitar os mesmos erros no futuro. No entanto, quanto mais profunda é a dor, mais impotentes nos sentimos diante dos problemas, e mais arrogantes ficamos.

Por isso, diz Mark Manson, não devemos encarar a nossa existência sob valores como o sucesso material e “prazeres-escrotos”. Devemos pautar nossa existência sob valores bons e saudáveis, e cita: “honestidade, auto aprimoramento, humildade, auto consciência, auto defesa, defesa dos outros, auto respeito, interesse pelo novo, altruísmo, criatividade “.

Numa lista que poderá surpreender alguns leitores, quais seriam os valores ruins e não saudáveis? E cita: “alcançar o poder através de manipulação ou violência, fazer sexo indisciminado, sentir-se bem o tempo todo, ser sempre o centro das atenções, não ficar sozinho, ser amado por todos, ser rico só pela riqueza, sacrificar pequenos animais aos deuses pagãos. Os valores ruins geralmente dependem de eventos externos, mesmo que venham a ser divertidos e prazerosos, que muitas vezes são alcançados por meios socialmente nocivos ou supersticiosos.

De bônus deixo a música do belga Stromae, Alors On Danse (Então, vamos dançar), que faz também refletir sobre o conteúdo do post…

Até ao próximo post!

Pílula de choque I
Pílula de choque II
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Clarice Lispector XLII

Sentir-se útil
Houve uma fase que Clarice meditava sobre a sua inutilidade quando recebeu uma carta que citava a beleza das contribuições literárias da escritora na vida desta pessoa. Para Clarice, a palavra “beleza” soava como enfeite. Ela também não gostou da expressão “contribuições literárias”, porque ela andava numa fase que a palavra “literatura” eriçava o pelo. Clarice agradeceu a carta escrita por uma senhora, pois a fez se sentir útil.

Insônia infeliz e feliz
Duas horas da noite, olhos bem abertos, acende a luz da cabeceira, lúcida. Insônia. Clarice gostaria de ter encontrado alguém que sofresse de insônia para poder telefonar. Sai da cama, toma um café, sente solidão. As horas parecem não passar. Não queria tomar uma pílula para dormir. Temia o vício. Ninguém perdoaria o vício. Nenhum ruído, só o das ondas do mar. Um momento vazio e rico. Sente-se feliz por nada, por tudo.




“Guimarães Rosa então me disse uma coisa que jamais esquecerei, feliz me senti na hora: disse que me lia, “não para a literatura, mas para a vida”. Citou de cor frases e frases minhas e eu não reconheci nenhuma.
Jornal do Brasil, 1968.

Charlatões
Sinto em mim a charlatã me espreitando. Não é verdade, sua honestidade básica a enjoava.
Estudou Direito, enganava a si mesma e aos outros. Mais a ela que aos outros, no entanto foi sincera. Estudou porque tinha o desejo de reformar as penitenciárias do Brasil. 
O charlatão é um contrabandista de si mesmo. Disseram-lhe que um crítico escreveu que ela e Guimarães Rosa eram dois embustes, ou seja, o mesmo que charlatões.
Outra coisa que lhe espreitava e a fazia sorrir: o mau gosto. Mau gosto em usar a palavra errada, no vestir, em matéria de escrever, que é certo tipo horrível de bom gosto.

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XLI

Continuando a leitura das crônicas da escritora Clarice Lispector para o Jornal do Brasil…

Meu Natal
Quando os filhos de Clarice Lispector eram crianças  não comemoravam o Natal à meia noite, mas sim no almoço do dia seguinte. Eles cresceram, mas o hábito ficou.
A escritora ficava livre na noite de 24, mas logo criou um compromisso para essa noite. Ela passaria parte da noite com uma moça que se tornou amiga. Essa amiga tomava uma pílula que a fazia dormir 48 horas. O período de Natal era muito doloroso para esta amiga que perdeu os pais nesta época festiva. Iam a um restauro, e assim, Clarice livrava a amiga de um possível perigo de vida ao tomar tal pílula.
Cada uma pagava a sua parte no jantar e o presente era a presença de uma para a outra. Em um Natal, a amiga quebrou essa combinação e deu um missal à Clarice que se dizia não religiosa. Nele estava escrito: reze por mim.
Houve um incêndio grave no quarto da escritora, tudo se queimou e ela ficou muito ferida, mas o missal ficou intacto.

O nascimento do prazer (trecho)
“Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo.”

A perfeição 
Tudo existe com uma precisão absoluta.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. 
A maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Assim é a verdade.

Não  entender
“Não entendo” é algo vasto, sem fronteiras.
“Entender” é sempre limitado.
O bom é ser inteligente e não entender. Ter loucura sem ser doida. É uma doçura de burrice.

O caminho para a felicidade suprema, o livro

Deepak Chopra mostra-nos 7 chaves ou 7 passos para alcançar a felicidade em nossa vida diária, e que também poderiam ser chamadas de chaves para a iluminação.


Primeira chave: Estar consciente do seu corpo.
Segunda chave: Encontre a verdadeira autoestima.
Terceira chave: Desintoxique sua vida.
Quarta chave: Desista de ter razão.
Quinta chave: Foque o presente.
Sexta chave: Veja o mundo em você.
Sétima chave: Viver para a iluminação.


Ele explica-nos muito mais neste livro. Orienta sobre a importância da empatia que é a capacidade de sentir o que o outro está sentindo. A resiliência emocional tão importante na atualidade, que é a capacidade de recuperação depois que algo ruim acontece. Conhecer o seu eu e ter consciência. A única cura para a infelicidade é a iluminação. O amor pode solucionar problemas.

Sua mensagem é importante diante de um mundo em que algumas pessoas para vivenciar a felicidade dependem da infelicidade de outros. Concluída a leitura de mais um livro de auto-ajuda neste ano que mudou as nossas vidas.

Até ao próximo post!

Cruze Esta Linha, o livro

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Cruze Esta Linha, de Salman Rushdie, é um livro que agrega ensaios e artigos do escritor indiano, que vão do período de 1992 à 2002, e caminha entre assuntos como cinematografia, música, escritora Angela Carter, o romance Beirute Blues, dramaturgo Arthur Miller, Índia, Paquistão, Islão, aborto, etc. O autor que viveu um longo período de fugas e esconderijos devido a uma “fatwa” (decreto religioso) decretada pelo Aiatolá Khomeini, após a publicação de “Os Versos Satânicos”, vive hoje em Nova Iorque e continuando a ser sátiro e irreverente. Ainda bem!

O primeiro conto da vida do escritor foi “Over The Rainbow” (Além do Arco-íris), inspirado em sua primeira influência literária, o filme O Mágico de Oz. E é sobre esta influência literária que Rushdie abre o livro, analisando todo o filme em câmera lenta.

O Mágico de Oz é um filme cuja força motriz é a inadequação dos adultos, mesmo dos adultos bons“, Salman Rushdie.

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Segundo Rushdie, O Mágico de Oz era uma esquisitice no Ocidente, concebido como uma tentativa de fazer uma versão ao vivo de um desenho de Disney. O filme não fez fortuna até ser exibido em televisão, anos depois do seu lançamento, que ocorreu num momento de pouca ajuda para tal, ou seja, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.

O filme é um exemplo de secularismo. Não existe nenhum traço de religião no Mágico de Oz. Há bruxas más que são temidas, há bruxas boas que são prezadas, mas nenhuma é santificada, escreve Salman Rushdie. E ele ainda diz que apesar de o Mágico de Oz ser algo próximo de um ser todo poderoso, ele não é venerado. É onde está o sucesso do filme, em criar um mundo no qual nada é “mais importante que os amores, os cuidados e as necessidades dos seres humanos”.

imagesRushdie escreve que o nome “Oz” passou para a lenda, quando o seu criador L. Frank Baum, fez surgir esse nome a partir das letras O-Z da gaveta de baixo de seu arquivo. E ainda diz que o filme é uma raridade cinematográfica, que acontece quando o filme melhora o já bom livro.

O autor analisa todo o cenário do livro, o  Estado do Kansas, nos Estados Unidos. E não concorda quando Dorothy diz que “There’s no place like home”, quando o Kansas não é o ideal para um lar, mas reconhece ser o assunto de alguma controvérsia. “O Kansas do filme é um pouco menos radicalmente inóspito que o do livro” (Rushdie).

Foi o filme O Mágico de Oz que tornou Salman Rushdie em escritor, e “Over The Rainbow”, o hino de todos os migrantes do mundo, aqueles que vão buscar que os seus sonhos se cumpram.

Até ao próximo post! 😉

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A livraria mágica de Paris, o livro

download.jpegO livreiro parisiense Monsieur Perdu vende livros como se fossem remédios para os sofrimentos da alma, para proteger da burrice e de falsas esperanças. E assim, começa o livro que só pelo título conquistou-me. É verdade, que a um certo momento da leitura o livro perde a sua intensidade, voltando a recuperar o ritmo próximo ao fim deste romance.

Em sua farmácia literária recebia seus clientes, e com uma simples conversa era capaz de identificar em sua alma o que lhe faltava. Ele lia o corpo pela postura, por seus movimentos e gestos, o que afetava e oprimia, as predições de amor. Assim combinava os romances certos com as enfermidades. Era o dom de transpercepção.

No entanto, os livros não são capazes de mudar as pessoas más. Não era possível tornar pais, maridos ou amigos melhores. Estes continuariam sendo tiranos, torturadores, odiosos nas pequenas coisas, e covardes com o constrangimento de suas vítimas.

Perdu dizia pérolas aos que lhe cruzavam como: – limpar é meditação com movimento (adorei esta!);  – ninguém ficaria inteligente se não tivesse sido jovem e estúpido em algum momento; – nunca ouça o medo! O medo emburrece.

A sua sabedoria sobre o amor era resultado também de sua própria experiência com um amor que foi o motivo de sua existência. O amor, para ele, é uma morada onde nada deve ser escondido ou “poupado”. Habitar o amor por completo é não se deixar intimidar por nenhum quarto, nem porta. Brigar, acariciar, separar, fazem parte desta habitação. Aliás, Perdu chamava os livros de lares, e também de liberdades. E dizia mais: “Todos os amores. Todos os mortos. Todas as pessoas do nosso tempo. São os rios que formam nosso mar da alma. Quando não queremos nos lembrar deles, esse mar também seca.”

Ao longo da leitura deste livro, outros livros são citados. É a chamada Farmácia Literária de Emergência de Jean Perdu. Comecei a tomar anotações dos títulos dos livros e autor, mas no final do livro encontra-se a lista completa. Também encontrará no fim do livro receitas da região de Provence, em França. E mais ainda, um impressionante roteiro por esta região feito por Perdu e seu amigo escritor Max Jordan com outros amigos que iam conhecendo. Enquanto conduzia sozinho o carro, ouviu que tocaria “Albatross”, de Fleetwood Mac. Uma canção que fazia Jean Perdu pensar no vôo de gaivotas ao pôr do sol, em uma praia distante desse mundo, no estalar da fogueira de madeira tirada dos rios.

Estive a tentar construir este roteiro. Não vou descrevê-lo aqui, pois ficaria um post cansativo. Ficará para uma possível viagem no futuro. Quem sabe? E assim, descreveria-o no blog fazendo menção ao livro. Apesar de que antes de viver na Bélgica já estive nesta região, mas o blog é sobre tudo que me acontece após viver na Bélgica. No entanto, navegando na Internet, acabei por achar um mapa com uma parte do roteiro do livro. Interessante! E interessante também é que toda esse enredo foi construído por uma escritora com origem alemã, Nina George.

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Por fim, o próprio Perdu escreve o seu livro intitulado Grande Enciclopédia dos Pequenos Sentimentos, que é uma obra de consulta para livreiros, amantes e outros farmacêuticos literários.

E, assim foi mais um livro na minha vida. 😉

Até ao próximo post! 😉