Baú Aberto 17

Faz algum tempo que queria falar no tema deste post: voluntariado. Falei no post anterior sobre o grupo de voluntários do Bonangana.

Faz um ano que me tornei voluntária. Há na cidade que vivo, um site com várias oportunidades. Eu optei por um voluntariado que não fosse necessário o perfeito conhecimento do holandês. Havia pelo menos 3 possibilidades.

Eu não disponho de muitas horas livres. Então, optei por algo que unisse várias características do meu agrado. Eu gosto de ajudar em ações pela natureza, eu preciso fazer exercício físico, eu preciso ter mais contato com a língua holandesa, e eu dou preferência em algo mais individual com horário variado sem compromisso de tal dia, tal hora. 😊

Foi assim que restou uma opção. Ser voluntária para manter a rua limpa. Participo da ação Mooimakers (fazer bonito), cujo lema é: “pequena ação, grande resultado”. Assim, eu faço uma espécie de “plogging”. Eu não corro, mas ando de forma rápida, e em movimento vou recolhendo o lixo. Não é uma total novidade para mim, pois é algo que ainda no Brasil fazia na praia que frequentava.

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Para começar apresentei-me no escritório da empresa que recolhe o lixo. Notei que foi uma certa surpresa por eu ser uma estrangeira interessada neste voluntariado. A senhora responsável disse-me que estuda espanhol e também foi um momento para ela praticar o idioma. Fizeram-me um seguro, e deram-me todo o equipamento. Ao longo do ano recebi um novo equipamento, que raramente um dos meus filhos usa-o comigo. E eu também, próximo ao Natal do ano passado, recebi um cartão de agradecimento pela minha prestação.

E assim, passei a dar 2 horas por semana do meu tempo para a sociedade, mas sobretudo para a natureza. É um momento da semana muito gratificante. Não há um dia que eu não receba um agradecimento de pessoas desconhecidas. Eu recebo um simples bom dia sorridente, ou um nítido e repetido “muito obrigado”, ou uma buzinada acompanhada de um agradecimento com o polegar, e até mesmo um “senhora, bravo!” já recebi, e fiquei emocionada. Alguns param para conversar comigo, basta eu diminuir a minha velocidade que isso acontece, se houver alguém por perto. E é o momento de adaptar o ouvido aos mais diversos dialetos que há neste país, e também melhorar a minha pronúncia. São tantos dialetos, que já houve belga que me disse que nem eles entendem, às vezes. 😊

No fim do ano passado houve uma reunião e para minha surpresa eram muitos voluntários. Na sala estavam no mínimo cerca de 50 pessoas, alguns reformados, outros que ainda trabalham e donas de casa. Foi preparado um agradável lanche e estivemos reunidos para dar a conhecer quantos somos e nossas áreas de atuação, bem como dar sugestões e combinar, por exemplo, a forma de recolha do lixo em nossa casa. Eu, por exemplo, comunico por e-mail quantos sacos tenho e combino de deixá-los na frente de casa todas as quintas-feiras. Aproveito também para solicitar novos sacos. Eu optei por usar 2 sacos em cada saída, um azul para latas e plásticos, e o branco para lixo diverso. Há quem prefira sair só com um e em casa fazer a separação.

Resolvi contar a minha história, finalmente, porque há tanto por onde fazer, por onde ajudar. Eu encontro mais essa aceitação pelo voluntariado nos países do Norte da Europa. Não há muito isso de esperar pelo Governo, ou de dizer que já pago imposto para que façam. Sim, eu ouvi isso de um colega do Afeganistão que tem trabalho. Eu não me importo, eu não penso assim. Eu saio de casa durante as 4 estações do ano a pensar que estou fazendo bem para mim e para a natureza. Eu não tenho vergonha! Penso nas aves, quando eu apanho uma goma de mascar no chão, ou um resto de sanduíche ainda embrulhado com papel.

É também interessante observar o comportamento das pessoas. Por exemplo, nas semanas de bom tempo encontro sempre muitas pontas de cigarro, mais latas de bebida, embalagem de chips, etc. Quando os dias estão mais frios estes itens diminuem brutalmente, e dão lugar às toalhitas, aos papéis para assoar o nariz, copos de café, etc.

Recentemente, eu vi alguns sites no Brasil também com vagas para voluntários. Em Portugal havia o “Banco de Tempo” em que as pessoas trocavam ações, por exemplo, a pessoa poderia ensinar crochê, e a outra pessoa poderia ensinar a tocar um instrumento. Havia cheques simbólicos para os serviços prestados. Você pode conhecer mais em: http://www.bancodetempo.net/pt/

É isso! Espero que tenham gostado de conhecer este lado do Miau do Leão. E espero que a partir de setembro, quando começa o próximo ano letivo, eu consiga manter estas horas disponíveis durante a semana.

Até o próximo post! 😉

Comer em Londres – parte I

Já é um tema comum nos posts de viagem do Miau do Leão falar sobre a gastronomia do destino. Para falar sobre a gastronomia em Londres terei que dividir em alguns posts. Foram algumas experiências e agregar informações e fotos apenas num post ficaria muito cansativo para mim e para você que me segue.

Por incrível que pareça, não falarei de “fish and chips”, nem de “street food”. A questão é que os 5 dias não nos deixou ir por estes caminhos da gastronomia inglesa. De qualquer forma andamos a descobrir outros sabores divinos, e Londres é riquíssima em experiência gastronómica. Arrisco a dizer que o mundo todo deve estar lá representado.

Então, vou começar pelo dia 1 de janeiro de 2018. 😊

Depois da virada do ano com vistas para o London Eye e animação popular com dj, só podíamos ter chegado a meio da madrugada. Na manhã deste mesmo dia acordamos muito tarde e sem compromisso com o despertador. Nada de pânico por não encontrar onde comer. Já tínhamos a reserva feita antes de partir da Bélgica. Assim, fizemos uma espécie de “brunch” neste dia especial.

A reserva foi para o restaurante Duck & Waffle, na linda Heron Tower com vista panorâmica sobre Londres. Gente, visite o site deste restaurante e sinta um pouco de nossa experiência: https://duckandwaffle.com/

Chegamos com alguma antecedência no horário reservado para desfrutar mais tempo da vista panorâmica nas dependências do bar do restaurante. Então, pedimos dois cocktails com álcool e dois sem álcool, que vieram acompanhados com água mineral sem gás.

Fomos chamados para ocupar a nossa mesa circular, sempre com acompanhamento e atendimento 5 estrelas. O restaurante é de cozinha britânica, mas com influência de outras cozinhas europeias. Foi nos explicado toda a ementa que seria servida, incluindo as bebidas. Foi servida champagne e água com gás. Em seguida foram servidas algumas entradas, que eram alguns snacks deliciosos (house bread, spiced butter & sea salt; foie gras crème brûlée; crispy polenta; bacon wrapped dates). Para o prato principal foi servido duck & waffle. Quanto a sobremesa não a encontro no menu, mas foi waffle com gelado de baunilha, fatias de maçã cozida e caramelo.

Sim, foi especial! Valeu a pena pela riqueza de sabores, ambiente do restaurante, o atendimento,  a vista panorâmica, e principalmente, estarmos juntos com saúde num lugar especial e num dia especial.

Vem comigo ver as fotos! 😊

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A rua do restaurante Duck & Waffle com a Heron Tower ao fundo
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Entradas
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Entradas
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Prato principal que leva o nome do restaurante
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Sobremesa

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Tot ziens! 😉

 

Viajar é Arte de Viver

Guest Post : Viajar é Arte de Viver

Fiquei muito feliz em ser convidada pela Isadora. O blog Vai Sem Medo é uma inspiração para mim e um post seu sobre o livro A Arte de Viajar, do Alain de Botton mudou o meu olhar quando viajo.

Eu não viajo sozinha. Viajo com a minha família. E, apesar de algumas vezes discordarmos, de alguns conflitos entre as crianças, eu adoro estar com eles em viagens.

Mais o meu sentido de viajar mudou muito depois do livro. Eu escrevi um post sobre esta mudança em meu blog, O Miau do Leão. Resumindo, até cada pequeno passeio que faço, mesmo a pé ou com minha bicicleta, tornou-se uma viagem, um estado de viver. Eu sinto-me mais, eu observo mais, eu encaro mais, eu penso mais sobre quase tudo que está à volta.

Viajar em família requer uma preparação cuidadosa. Desde ver com muita antecedência se os passaportes estão válidos, ter atenção a uma apropriada hospedagem e estudar meios de locomoção no destino, bem como uma lista individual que mantenho atualizada com solicitações para cada tipo de destino.

A maior viagem da vida que fiz foi mesmo ter deixado o Brasil e construir família em Portugal. Depois de 14 anos a viver em Portugal, onde apesar de ser a mesma língua, não é fácil viver sendo brasileira, partimos para a grande aventura que tem sido viver na Bélgica flamenga. Agora já não estou só, somos, sobretudo, quatro grandes amigos nas viagens da vida. Aqui sinto que não sou “a brasileira”. Eu passei a ser apenas eu.

Quando viajamos sempre nos surpreende as referências que encontramos sobre o Brasil em outros países. De onde será que vem essa simpatia dos estrangeiros pelo nosso país? Foi surpreendente em Curaçao quando o senhor holandês, dono do restaurante, começou a falar comigo um pouco em português. Foi surpreendente quando em Skiathos ao ir a um bar deparo-me com uma grande bandeira do Brasil. Pensava ser ele brasileiro, mas era um grego apaixonado pelo Brasil, que nunca lá tinha ido.

Mais outra coisa que nos deixa feliz é de repente ouvir alguém falando em português. Ouvir o português, seja qual for a sua pronúncia, dá um sentimento de alívio, de estar em casa. É também, neste momento, que me dou conta do quanto é bela a minha língua materna.

Além dos meus 3 queridos companheiros de viagem, sempre levo um outro querido companheiro, um bom livro. E assim, posso aproveitar e fazer uma viagem dentro de outra viagem. E posso também viajar a países que talvez eu nunca poderei estar por barreiras que a nossa sociedade criou.

Já conheci muitos países. A minha melhor dica é que não esqueçam de viver. Viver cada detalhe, cada paisagem, cada sabor… Abra os braços, respire fundo e diga: Eu estou aqui, vida.
miau

Sobre a Silvana: Sou O Miau, mas meu nome verdadeiro é Silvana. Tenho dupla nacionalidade, brasileira e portuguesa. Vivo desde Agosto de 2014 com minha família na Bélgica. Tem sido uma grande aventura ! Minha formação académica é na área dos números, mas adoro tentar dominar as letras desafiantes. Já escrevi um livro sobre um tema em história da matemática e tenho um blog, O Miau do Leão, onde tento transmitir um pouco do que sinto desde que chegamos a este país, seja sobre viagens, livros, música,… Um novo capítulo em minha vida. Vem comigo!

Tot ziens! 😉