O que é amor

Paul Éluard (1895-1952), poeta francês surrealista, escreveu sobre a liberdade, sobre a guerra, … e sobre o amor.

 Anna Karina recita poema de Paul Éluard no filme Alphaville (1965) de Jean Paul Godard.

E o amor era o mais puro sentimento, apesar de uma vida marcada pela doença, pela infidelidade,  pela traição,  pela depressão, era o amor que brotava da boca do coração de Paul Éluard, capaz de revelar “o que é amor“, publicado no livro “A capital da dor” (1926).

Sua voz, seus olhos,
Suas mãos, seus lábios.
Nosso silêncio, nossas palavras.
A luz que vai embora, a luz que volta.
Um único sorriso entre nós.
Por necessidade de saber,
Vi a noite criar o dia,
Sem que mudássemos de aparência.
Oh, bem-amado de todos,
E bem-amado de um só!
Em silêncio, sua boca prometeu ser feliz.
Cada vez mais longe, diz o ódio.
Cada vez mais perto, diz o amor.
Uma carícia leva-nos da nossa infância
Cada vez que vejo a forma humana
Como um diálogo de amantes.
O coração tem uma única boca.
Tudo por acaso.
Todas as palavras ditas inesperadamente.
Os sentimentos à deriva.
Os homens vagueiam pela cidade.
Um olhar, uma palavra
Porque eu te amo
Tudo está em movimento
Basta avançar, para viver,
Seguir adiante em direção aqueles que você ama.
Fui em sua direção, sem parar na direção da luz
Se você sorrir, é para melhor me envolver
Os raios dos seus braços entreabriram a névoa.

Segue este bela homenagem à Anna Karina, com imagens do filme Vivre Sa Vie (1962), de Jean-Luc Godard, e o amor na belíssima música de HanteQue Reste​-​t​-​il de notre amour ?.

Até ao próximo post!

 

À Bout de Souffle, 1960

 

images (1).jpeg

À Bout de Souffle(fr)
Breathless (ing)
O acossado (pt)

 

Outro dia vi este filme francês, alugado na biblioteca da cidade. Não imaginava que fosse o primeiro longa metragem de Jean-Luc Godard, e que foi filmado em menos de quatro semanas, sem roteiro concluído. Os atores recebiam as falas à medida que as cenas eram realizadas.

Este filme é considerado o melhor representante da Nova Onda (Nouvelle Vague), que buscava retratar o amor livre. Os filmes desta corrente tinham a juventude dos seus autores e estes sempre dispostos a transgredir as regras do cinema comercial da época. Eles tentaram restabelecer o conceito de cinema de autor do início da década de 30.

O título original do filme é uma expressão francesa que significa “no final das forças, sem fôlego”, e representa bem o personagem Michel Poiccard interpretado pelo belo e jovem Jean-Paul Belmondo.

Em 1983 é feita uma refilmagem, desta vez com Richard Gere em A Força do Amor, outros personagens, outro destino.

No início do filme cheguei a achar o enredo um pouco entediante e passei a admirar o “preto e branco” do filme, o vestuário e os carros da época, e tentando imaginar como estariam hoje os atores principais do filme. Isso foi só no início, o período de adaptação. Logo o filme começou a prender a minha atenção. Havia um cuidado com os ângulos de filmagem, a fotografia, não havia figurantes combinados nas ruas. No entanto, foram os diálogos filosóficos que mais me chamaram a atenção.

As frases de culto do filme que mais gostei:

  • Afinal de contas, sou estúpido se for preciso!
  • Há alguma diferença entre erotismo e amor? Não, nem por isso, acho que não acredito. Erotismo é uma forma de amor, e amor é uma forma de erotismo.
  • Qual é a sua ambição? Sr. Parvulesco? Tornar-me imortal e depois … morrer. (Respondida pelo próprio autor e produtor romeno Jean Parvulesco que participou no filme).

Até ao próximo post! 😉