Os espigueiros de Soajo, Portugal

A vila de Soajo, na região do Minho, não é só natureza. Por lá, também podemos admirar uma estrutura característica desta região, os espigueiros. Semelhante estrutura é encontrada também na região da Galiza (Espanha), e há relatos de sua presença também na Noruega e Suécia.

Espigueiros em Soajo próximos a uma escola primária

Os espigueiros são estruturas em pedra e madeira com a função de secar o milho. Possuem alguma elevação como forma de se proteger dos roedores. Costumam se localizar em zonas onde o terreno é mais elevado para permitir uma melhor secagem das espigas, principalmente no inverno, através das fendas laterais. 

Os espigueiros são além de tudo verdadeiras obras de arte popular com uma forte simbologia religiosa observada pela existência de uma cruz para proteção do elemento que constituirá o pão que alimentará a mesa de muitas famílias.

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Caminhos do pão e da fé, em Soajo (Portugal)

Mais um hiking em terras portuguesas. Desta vez, a vila de Soajo (Nov/2020) foi escolhida para seguir o percurso longo do conhecido caminhos do pão e da fé (Wikiloc). Há um caminho curto e outro longo. A caminhada  não foi difícil, seguindo calçadas razoavelmente conservadas, caminhos em terra e um curto trecho em estrada estreita.

brandas pastorícias

A natureza à volta convidava a seguir cada vez mais, tendo a companhia das vacas cachenas e ovelhas a pastarem.

Um percurso com séculos de história, passagem de vidas peregrinas movidas pela fé, sinais do cultivo do milho, da moagem do grão para o fabrico do pão, que foi um elemento de sobrevivência de gerações naquelas terras ao redor, a criação do gado com as brandas pastorícias.

antigo moinho

As levadas (canais de irrigação) estão sempre presentes nos percursos curto e longo dos caminhos do pão e da fé. Eram usadas para o regadio dos campos de cultivo, e para movimento dos moinhos que transformavam o grão na farinha.

levada (canal de irrigação)

Um percurso agradável de ser feito e que me fez relembrar uma das minhas primeiras memórias vividas em Portugal, conhecer e plantar um diospireiro (caqui). Também foi inesquecível o meu encontro frente a frente com uma vaca cachena, espécie típica de Portugal e Galiza (Espanha).

Um pouco desses momentos estão no vídeo (56 seg) que fiz. Vem comigo!

Até ao próximo post!
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Subir a Serra Amarela em Gêres (Portugal)

Parecia que o hiking seria fácil, apenas 10,9 km e o máximo de 946 m de elevação.  O dia estava lindo. O percurso foi escolhido utilizando a app Wikiloc: Serra Amarela – Ermida + Bilhares + Martinguine + Viduak.

A cada curva a natureza revelava todo o seu encanto, e a trilha sonora era o som de pequenas cachoeiras.

Até que se chegou à Branda de Bilhares. O que parecia ter sido uma pequena aldeia que vivia do pastoreio e cultivo, sobretudo no Verão.

Pelo caminho ainda avistamos várias cachoeiras. A água era bastante fresca. E a subida seguiu em bom ritmo.

Até que alcançamos o topo da trilha escolhida. Por algum tempo exploramos os pequenos detalhes da natureza. Não podíamos passar muito tempo. O pôr do Sol era por trás de uma colina e começava a arrefecer. Tínhamos que ser rápidos. 

Em princípio uma descida era para ser fácil, mas na prática não foi isso que aconteceu. O caminho revelou uma vegetação não indicada no aplicativo. Muitos degraus em pedra que à medida que se aproximava do riacho tornavam-se escorregadios. Erramos o caminho, sofremos com a vegetação cerrada do caminho errado. Já pensávamos em passar a noite por ali, molhados até ao joelho devido a travessia do riacho que não era necessária. Não seria prudente. Seguimos. Logo veio a noite, os celulares se aproximavam do fim da bateria.

O meu silêncio na volta foi notado pelo meu filho mais velho que passou a caminhar colado a mim. A sua sensibilidade tinha razão. Era um mal sinal que eu emitia sobre o meu limite mental. A condição física estava boa, mas a mental sofria. 

antes da descer a Serra Amarela

Reencontrar Bilhares foi um alívio.  Faltava “pouco”. O céu à noite era lindo. Na Bélgica não vejo a beleza de tantas estrelas e constelações.

Cada momento era precioso, e assim, na descida não houve fotos. Apenas um vídeo caseiro às escuras. Já no caminho correto e sem obstáculos, essa foto foi o único registro. Uma respeitosa salamandra que atravessava o caminho.

E o vídeo que fiz da subida…

Até ao próximo post!

Ermida, uma pacata aldeia

A aldeia Ermida está localizada no Parque Nacional Peneda-Gêres (Portugal), rodeada de natureza, cascatas e pastos. Para se chegar até a aldeia é preciso percorrer as curvas estreitas da serra com cautela, pois também pode se deparar com um pequeno rebanho de ovelhas.

Já bem próximo de se chegar à aldeia avista-se ao longo da estrada pequenas cachoeiras. É lindo e reconfortante. 

O mais interessante é que essa aldeia portuguesa vive em regime comunitário. O povo reúne-se para decidir os problemas da pequena aldeia, bem como juntos revivem tradições antigas como a pastorícia. Cada família contribui para a limpeza dos caminhos por onde passa o gado. O miradouro foi construído graças a contribuição dos moradores. 

Caminhei numa manhã  por suas ruas estreitas ainda com marcas no chão da passagem de algum gado e observei a existência de pouca população e avistei apenas 3 crianças, de uma das casas ouvia-se o som de uma rádio portuguesa. Também avistei alguns espigueiros em pedra que eram utilizados para secar o milho. Não há mercado, nem restaurante, nem padaria. Algum comércio só a cerca de 4 km. Assim é a pacata aldeia de Ermida.

espigueiro
espigueiro

Aqui o curto vídeo que fiz…

Até ao próximo post!

A beleza na simplicidade

Por todos os caminhos que andei na região do Alto Minho encontrei esta flor que com sua simplicidade alegrava a trilha. Seu nome é açafrão-bravo (crocus serotinus).
Esta espécie surge durante as primeiras chuvas do Outono Ibérico em terrenos secos e pedregosos.
Sem dúvida, a felicidade está na beleza das pequenas coisas.

açafrão-bravo
açafrão-bravo
açafrão-bravo

Até ao próximo post!

Alto Minho, Portugal

Seguindo do Porto para a pequena e sossegada aldeia de Ermida (Parque Nacional da Peneda-Gêres), pouco mais de uma hora, já me tinha esquecido de como era viajar sentindo o agradável cheiro de eucalipto. 

Chegámos à noite na aldeia, e só na manhã do dia seguinte foi possível vislumbrar a natureza à volta e ouvir o chocalho do gado.

Ermida
Ermida

Em próximos posts contarei como foram as duas caminhadas (hiking) que realizei com a família, em Ermida (10,9 km) e Soajo (5,81 km), durante o chamado Verão de São Martinho, quando no Outono ocorre uma pausa, e o Sol e calor retornam por uns dias para aquecer o São Martinho (11 de Novembro). É o momento da tradição de saborear as castanhas portuguesas com jeropiga, água-pé, ou ginjinha, mas acompanhei com um bom moscatel de Setúbal.

Foi agradável voltar a saborear alguns pratos da culinária portuguesa e o vinho verde da região, mesmo que em take away devido a situação preocupante com a segunda onda da pandemia.

Tripas à Moda do Porto
Francesinha

E ainda mais a contar, … esse meu inesquecível encontro frente a frente. Vem comigo!

Até ao próximo post!

Strudel de alheira

É quase fim de semana vai uma dica de culinária. 😉

O Miau do Leão vai à cozinha para trazer um pouco da culinária portuguesa.  Desta vez preparei um strudel de alheira que é um enchido  típico português. Fui aos arredores de Bruxelas para comprar as alheiras no maior mercado português existente na Bélgica. É lá que também encontro algumas delícias brasileiras. A receita é do website de um supermercado português (Pingo Doce). É perfeita a combinação de alheira e maçã com um toque improvisado de espinafres substituindo os grelos da receita original. As sementes de papoila permaneceram na cobertura dando um acabamento todo especial. Acompanhei com uma salada bem composta de folhas diversas, pepino, tomate, passas, nozes, quejo feta, temperada com zatar, vinagre balsâmico e azeite português. Uma receita suficiente para 4 pessoas. Voilá! 😉

INGREDIENTES da receita original

400 g (2 unid.) alheiras de Mirandela
320 g (4 unid.) maçãs
1 c. de chá canela em pó
1 dente de alho
1 c. de sopa azeite
400 g (1 emb.) grelos congelados ( substitui por espinafres)
1 c. de chá sal
qb pimenta
230 g (1 emb.) massa folhada
1 ovo M
1 c. de sopa sementes de papoila

PREPARAÇÃO

1. Pré-aqueça o forno a 200 °C.

2. Coza as alheiras em água a ferver por cerca de 4 minutos. Retire-as da água, corte-lhes a pele e retire o recheio para uma taça. Reserve.

3. Descasque e corte as maçãs aos cubos para um tacho com um pouco de água. Junte a canela e deixe cozinhar em lume médio até as maçãs estarem macias.

4. Enquanto isso, numa frigideira, salteie o alho no azeite. Adicione os grelos e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos em lume brando. Tempere com sal e pimenta a gosto. Reserve.

5. Desenrole a massa folhada e com a ajuda de um rolo da massa estique-a ligeiramente até que tenha um formato rectangular. Coloque-a num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

6. Ponha no centro da massa uma camada de maçã, outra de grelos e outra de alheira.

7. Com a ajuda de uma faca, corte as laterais da massa em tiras e entrance-as uma a uma.

8. Pincele a massa com o ovo batido, polvilhe com as sementes de papoila e leve ao forno cerca de 12 minutos. (Deixei 25 min)

Acompanhei com salada!

Até ao próximo post!

Monsaraz, uma bela vila portuguesa

Monsaraz, uma das mais belas vilas de Portugal, aliás até o seu nome é de uma bela sonoridade, “Monsaraz”.

De lá é possível avistar terras espanholas e uma parte da paisagem do Alentejo. Uma região de vinho e azeite de qualidade. Uma vila que é um museu a céu aberto. Suas casas caiadas em branco é outro charme, suas ruas e vielas são de pura paixão. Estrategicamente situada foi palco de batalhas entre o primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques contra espanhóis e mouros. Hoje suas ruas abrigam a calmaria interrompida apenas pelos passos dos turistas. Linda, Monsaraz!

Antes de chegar lá, foi momento de conhecer o Cromeleque do Xerez. São menires dispostos em círculo com cerca de 5000 anos antes da nova era, estando associados ao culto dos astros e da natureza, sendo considerado um local de rituais religiosos e de encontro tribal.

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cromeleque do xerez

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ao fundo o convento da orada

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talvez um menir de sacrificio

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uma das entradas para a vila de Monsaraz

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já dentro das muralhas que cerca a vila

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pelourinho

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uma rua central

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rua em Monsaraz

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à direita prédio da Universidade de Évora

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comércio de artesanato local

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rua de Monsaraz

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Monsaraz é inspiração

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museu judaico

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vista da paisagem do Alentejo

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ruínas do castelo transformada em praça de touros

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vista de Monsaraz

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ao fundo, terras espanholas

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ruína do antigo castelo

E agora, o vídeo que fiz…

Até ao próximo post! 😉

Évora, ama-se ou odeia-se

Corre pelas ruas da literatura que Vergílio Ferreira foi quem melhor compreendeu e escreveu sobre o modo de ser e estar eborense.

Vivi 12 anos em Évora, e não compreendi. Uma das primeiras frases que ouvi sobre a cidade foi: Évora, ama-se ou odeia-se. Depois do susto de ouvi-la. Exercitei o amar e o odiar. Não consegui nem uma coisa nem outra. Retorno, após 5 anos, a este cantinho do Alentejo, de Portugal. Lá lembrei de Florbela Espanca, poetisa alentejana, que viveu pouco tempo, mas intensamente. Arrepiei-me… Évora!

Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas… Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
Que nos perdoe as míseras vaidades!

Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora!… O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de Abril
Que o coração no peito me alvoroça!

…Em cada viela o vulto dum fantasma…
E a minha alma soturna escuta e pasma…
E sente-se passar menina e moça…

Florbela Espanca

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Um dos prédios da Universidade de Évora

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Amanhecer em Évora

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Igreja de São João Evangelista também conhecida como Igreja dos Lóios

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Museu de Évora

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Templo Romano de Évora

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Biblioteca Pública de Évora

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Pousada dos Lóios

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Vista da cidade sob um dos parques da cidade

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Pátio interior da Pousada dos Lóios

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Corredor da Pousada dos Lóios

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Antiga cela do Convento dos Lóios, hoje quarto de  hóspedes. Todo recuperado após o terremoto de 1755.

Évora é uma cidade com muitas atrações históricas e culturais. Estas imagens foi uma pequena pincelada diante da pintura que é a cidade.

Até ao próximo post! 😉

Cemitério militar português, para não esquecer

O cemitério militar português da Primeira Guerra Mundial “é um lugar único em França.” Situado em Neuve-Chapelle, próximo ao cemitério indiano que está sob os cuidados da Commonwealth War Graves Commission (CWGC).

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“O terreno foi adquirido em Agosto de 1924. De 1924 a 1938, a comissão das sepulturas de guerra reúne 1831 corpos provenientes de França, Bélgica e Alemanha.”

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“Em 1935, o muro, a porta monumental e os túmulos são construídos com materiais importados de Portugal.”

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“O cemitério é protegido como Monumento Histórico desde 2017.”

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“A capela de Nossa Senhora de Fátima foi construída em 1976, em frente ao cemitério, em homenagem aos soldados que sofreram com a ofensiva alemã de Abril de 1918.”

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Estava muito vento, mas foi possível fazer um curto filme.

 

Até ao próximo post!

P.S.: Em aspas são transcrições de partes de vários textos que se encontram ao longo do muro do cemitério.