Passeio até Ieper, Bélgica

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Sábado passado foi o primeiro lindo dia de primavera na Bélgica. Não se pode esperar por amanhã, há que aproveitar. É essa mentalidade que muitos seguem, num país cujo clima é frequentemente de céu cinzento ou chuva. E, foi o que fizemos, aproveitar o dia, a vida! Decidimos rapidamente entre 2 sugestões de passeio. E, seguimos até Ieper, na região flamenga.

O meu filho mais novo já escreveu um post (aqui) como convidado. Ele foi o nosso guia neste passeio, e estava muito orgulhoso disso. Eu fui levando o carro, e fiquei logo impressionada com a beleza desta pequena cidade carregada de glórias e tristezas, e sobretudo valentia. À entrada há um belo pórtico erguido em homenagem aos heróis da Primeira Guerra Mundial. Há muitas outras homenagens na cidade.

Miguel contou isso no guest post, mas vale relembrar que foi nesta cidade que os alemães lançaram pela primeira vez em guerra um gás que recebeu o nome em alusão a esta cidade, o gás iperita, também conhecido como gás mostarda.

A cidade tem a sua arquitetura marcadamente flamenga. Logo no Grote Markt, a praça principal, está um imponente prédio que abriga o Flanders Fields Museum. Que foi um dos objetivos de nosso passeio. Sempre é tempo para cultura e história! Chegamos à cidade às horas de almoçar, e foi esse o nosso primeiro alvo. Quando decidimos ainda em casa o destino, fizemos logo a escolha de onde íamos almoçar. Falarei sobre isto em outro post, bem como sobre o museu.

Como é época de Páscoa, aproveitei para tirar 2 fotos de vitrinas (montras) de lojas com o tema chocolate, que é um produto top na Bélgica. Eu sou uma apaixonada por aves e apesar de não encontrá-las neste passeio, não me esqueci delas. Deste passeio só não deu para eu tirar foto dos vários balões no céu  que vi quando voltamos pela estrada. Estava mesmo um belo dia de primavera com os seus 11º C e céu quase limpo.

Vamos ver um pouco da cidade em fotos e um filme. Vem comigo!

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Flanders Fields Museum

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Tot ziens! 😉

Festa dos 100 dias de aulas – Bélgica

Hoje vou falar de uma tradição que há na região flamenga da Bélgica e ocorre todos os anos. É o Honderd Dagen (Cem Dias), também conhecido como  Chrysostomos ou Chrysostomosfeest (Festa de São Cristovão) que é celebrado durante toda esta semana para comemorar os 100 últimos dias de escola para os alunos do último ano escolar (antes da universidade).

Então, durante esta semana os alunos vão para escola fantasiados. Na escola dos nossos filhos há um tema por dia. A foto abaixo foi do tema água. Daqui a 2 anos será a vez do nosso filho mais velho participar. Passa rápido o tempo!

É engraçado ver na rua um jovem passar vestido de touro em cima de sua bicicleta. Ou ver uma jovem pedalando fantasiada de gata.  Também este ano vi a Cinderela (Gata Borralheira), uma princesa. Durante o intervalo de aulas há sempre uma festa no pátio com muita música. É uma forma divertida de celebrarem seus últimos dias de escola juntos.

Em algumas escolas flamengas comemoram os 50 dias, ao invés dos 100 dias.

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Foto Facebook da escola

Tot ziens! 😉

Um Brasileiro na Alemanha, o livro

livroUma brasileira na Bélgica leu “Um Brasileiro em Berlim”, de João Ubaldo Ribeiro. Com essas últimas palavras já dá para perceber o que nos trará o livro.
A experiência vivida pelo, ao mesmo tempo, autor/personagem confunde-se com a experiência vivida por nós, os emigrantes, independente da nacionalidade.
Toda aventura de Um Brasileiro na Alemanha começa já no avião, em seguida um aeroporto que já parece do tamanho do Brasil. Já a caminhar pelas ruas de Berlim saca, trêmulo, o amigo de todos nós, o dicionário de bolso !

Identifiquei-me logo com o livro não apenas por ser emigrante, mas também devido a alguma semelhança que há entre o idioma alemão e o neerlandês. Nos dois idiomas, além de sons parecidos há também muitas junções de palavras o que deixa frustrado o nosso amigo dicionário de bolso que não consegue nos ajudar. Há existência de aglomerados de palavras que formam uma nova e comprida palavra. E, ainda, saber quando o verbo vem no início da frase e, às vezes, vai lá para o fim de uma enorme frase. Circunstâncias que o autor revela sempre com muito humor que só cabe em nosso imortal João Ubaldo Ribeiro.

As semelhanças entre o idioma alemão e o neerlandês não param por aí. Dei uma gargalhada quando ele descreve sobre as inúmeras preposições. Essas criaturas existem em grande quantidade, e ainda formam os verbos separáveis! Amai! (expressão típica daqui) Daí, numa frase dependendo do tempo verbal vão parar lá para o fim da frase. E, no mesmo contexto, o João Ubaldo fala escreve sobre a dificuldade em se traduzir certas palavras, porque na língua portuguesa, e para isso dá o exemplo da palavra “amanhã”, pode ter vários significados.

Mais os pontos em comum da realidade alemã e flamenga seguem-se com a semelhança climática, quando com muito bom humor, o escritor relata a um amigo que vive no Brasil que 9hs é que começa a surgir alguma presença do amigo Sol, e que logo se vai às 16hs. Realmente, está é a realidade mais difícil de ultrapassar, as horas de escuridão durante o inverno. No verão descontamos, é verdade.

Ele não esquece de contar a experiência com os dialetos. Já não é suficiente ser uma língua difícil de aprender e temos que sofrer com a existência de dialetos e expressões entre regiões, e até mesmo entre cidades de uma mesma região. É verdade, que mesmo no Brasil, ou até mesmo em Portugal, há diferenças de pronúncia, de palavras diferentes para o mesmo objeto, mas nada se compara com o que acontece na região flamenga da Bélgica, e muito também acontece na Alemanha, segundo o escritor. Porque temos um idioma que é a língua de imprensa, e de quem se dirige ao público e na rua há outro idioma. Oh não!!!

Depois ele cita que não entende como o alemão consegue ser tão organizado. Mais gargalhadas dei. Uma vez vi uma reportagem, nos anos 80, com um amigo alemão de Nelson Piquet, ex-piloto de F1, e esse tal amigo dizia que entre outras coisas o que mais gostava no Brasil era poder sentir por alguns momentos a desorganização. O que só comprova as observações do João Ubaldo.

Quatro pequenos choques deste brasileiro na Alemanha: alemães nus, a bandeijinha, tráfego e olhar. Até agora só passei por dois destes choques, mas não chega a ser exatamente um “choque”, diria que foi mais uma observação. No choque “tráfego”, a situação que ele descreve, passada na Alemanha, aqui na região flamenga é idêntica quanto à pista de bicicletas. E o choque “olhar” também, as pessoas respeitam mais a privacidade e as escolhas dos outros.

No livro, o escritor também fala um pouco de sua infância no Nordeste do Brasil. Quase uma história que revela como tornou-se um escritor. No fim do livro apresenta um apêndice de palavras que podem ser úteis na Alemanha ao se visitar ou viver.

Ele, como eu, e penso que todo emigrante passa a ter uma nova visão e compreensão do país que se escolheu para viver, independente dos motivos que o levaram, e que só é possível com a vivência, com as experiências positivas e menos positivas.

Tot ziens !;)

 

Pannenkoekendag

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Hoje, 2 de Fevereiro,  comemoramos o dia das panquecas ou crepes.
Oba! Boa desculpa para comer muitas panquecas ou crepes durante todo o dia! E, os flamengos adoram-nas. Amai, dat is lekker !
Mais o dia não é celebrado apenas pelo motivo delicioso de comê-las. O Pannenkoekendag = Lichtmis, ou seja, é uma tradição com origem cristã e celta.
Na tradição cristã comemora-se o dia em que Maria, após 40 dias de nascimento de Jesus, leva-o ao Templo de Jerusalém para completar a sua purificação após o parto, segundo a tradição judaica. A festa é conhecida como o dia de Nossa Senhora das Candeias ou Candelária.
Na tradição celta, a festa simboliza o fim dos dias escuros e o retorno da luz, a aproximação da primavera. Um dia muito esperado para os que vivem no Norte da Europa, por exemplo.
Aqui, na região flamenga da Bélgica, mesmo estando a ser um dia chuvoso, de facto já se notou mais luz no céu de manhã cedo!? Uma boa panqueca de otimismo, pois às 8hs da manhã, as luzes da cidade ainda estavam acesas. Bem, mas diz a tradição que se no dia 2 de Fevereiro estiver um dia com Sol, ainda virá muito “inverno”; se no dia estiver com chuva, então o “inverno” já passou.
Ainda bem que chove! E eu já comi as minhas panquecas caseiras. 😉

Tot ziens! 🙂