Spinoza em 90 minutos, o livro

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Décadas atrás, eu estudei engenharia civil, mas tinha filosofia como disciplina no currículo. Os meus colegas de turma perguntavam-me como eu poderia gostar de filosofia. Eu colecionava alguns 10/10, e precisava sempre de mais folha para completar a prova. E eu tinha em casa vários livros de filosofia, sociologia, antropologia,… Não havia conversas sobre o assunto em casa, mas eu explorava-os sozinha como uma espécie de hobby. Era fácil passar a gostar e compreender filosofia.

No presente, ainda tenho alguns livros, mas já não os visito como antes. No entanto, depois de uma conversa com meu filho de 17 anos, a chama da filosofia voltou a acender dentro de mim, e com muito orgulho de mãe por ele ser muito bom no assunto, e questionar todos os aspectos da vida. Foi nestas conversas que surgiu Spinoza. Corri para buscar um livro sobre o mesmo e foi esse o resultado…

Spinoza é considerado o filósofo dos filósofos. Nasceu na Holanda, filho de portugueses. Era um homem religioso, judeu, mas que na prática não professava nenhuma fé. E por esse último detalhe, e não só, foi abominado e teve suas obras perseguidas, mesmo numa Holanda à frente do seu tempo no século XVII.

O seu sistema definiu deus como natureza, e era composto de definições, axiomas e demonstrações geométricas, uma inspiração que veio de Descartes. É o Panteísmo: doutrina filosófica em que Deus e o Universo é uma coisa só.

Spinoza também escrevia sobre teoria política, acreditando que o propósito do Estado era proteger o indivíduo, para que este pudesse desenvolver livremente através da razão iluminista. Ele estava muito à frente de seu tempo e atento para a realidade e o mundo moderno. Surgia a liberdade de expressão.

No século XVII, os judeus não eram considerados cidadãos holandeses, e criticar a bíblia era como atacar o cristianismo. Dizer que na bíblia não havia provas de que deus tinha um corpo, de que a alma era imortal, ou que os anjos não existiam, era entrar num grande sarilho. Tentaram ameaçá-lo, silenciá-lo com dinheiro, e mesmo chegou a sofrer um ataque com punhal.

A comunidade judaica de “Amsterdam” excomungou Spinoza, abandonando-o com a finalidade de demonstrar à comunidade cristã que nada tinha a ver com o filósofo. Passou a ser o “maldito”. Seu pai faleceu, e sua irmã aproveitou para tomar toda a parte na herança que cabia à Spinoza. Ele entrou com processo, venceu, mas acabou por dar quase tudo à irmã. Ele só queria vencer com argumentos. Passou uma vida de dificuldades, vivendo na máxima simplicidade, aprendeu um novo ofício, tornando-se fabricante de lentes, mas não parou de escrever a sua filosofia.

Suas obras mais conhecidas são: Princípios da Filosofia (uma série de demonstrações geométricas do pensamento de Descartes), o Curto Tratado sobre Deus, o Homem e o Bem Estar, e Ética (obra póstuma). 

Bem, essa é uma curtíssima explanação sobre o livro Spinoza em 90 minutos de Paul Strathern, que estudou filosofia no Trinity College de Dublin. O livro é uma rápida leitura, como diz o título, para conhecer este filósofo. Outros filósofos também são retratados na coleção 90 minutos, e pretendo continuar a revê-los, agora que a chama acendeu.

Eu deixo mais explicações com o vídeo do professor de filosofia da UERJ, Marcos André Gleizer…

Até ao próximo post! 😉