Ser voluntário

De 23 de fevereiro à 3 de março/2019 foi comemorado na região flamenga da Bélgica, a semana dos voluntáriosB. Uma campanha annual que visa sensibilizar as pessoas para o trabalho voluntário.

Um dos modelos da campanha deste ano foi o nosso Raphael (16) que iniciou desde setembro passado o voluntariado na instituição Bonangana auxiliando crianças do 5º e 6º ano da escola primária com suas tarefas da escola para casa. A maioria das crianças são estrangeiras ou de pais estrangeiros. Já somos 3 em casa a fazer voluntariado.

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Chega um momento que não podemos esperar apenas pelo Estado, precisamos “arregaçar as mangas” e doar algum tempo pela sociedade, pela natureza, para o bem da humanidade, e para o nosso próprio bem. Não quero com essas palavras sugerir uma atitude passiva em relação ao Estado. Não mesmo!

Vejam o vídeo da camapanha. 😉

Baú Aberto 16

Faz algum tempo que queria falar no tema deste post: voluntariado. Falei no post anterior sobre o grupo de voluntários do Bonangana.

Faz um ano que me tornei voluntária. Há na cidade que vivo, um site com várias oportunidades. Eu optei por um voluntariado que não fosse necessário o perfeito conhecimento do holandês. Havia pelo menos 3 possibilidades.

Eu não disponho de muitas horas livres. Então, optei por algo que unisse várias características do meu agrado. Eu gosto de ajudar em ações pela natureza, eu preciso fazer exercício físico, eu preciso ter mais contato com a língua holandesa, e eu dou preferência em algo mais individual com horário variado sem compromisso de tal dia, tal hora. 😊

Foi assim que restou uma opção. Ser voluntária para manter a rua limpa. Participo da ação Mooimakers (fazer bonito), cujo lema é: “pequena ação, grande resultado”. Assim, eu faço uma espécie de “plogging”. Eu não corro, mas ando de forma rápida, e em movimento vou recolhendo o lixo. Não é uma total novidade para mim, pois é algo que ainda no Brasil fazia na praia que frequentava.

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Para começar apresentei-me no escritório da empresa que recolhe o lixo. Notei que foi uma certa surpresa por eu ser uma estrangeira interessada neste voluntariado. A senhora responsável disse-me que estuda espanhol e também foi um momento para ela praticar o idioma. Fizeram-me um seguro, e deram-me todo o equipamento. Ao longo do ano recebi um novo equipamento, que raramente um dos meus filhos usa-o comigo. E eu também, próximo ao Natal do ano passado, recebi um cartão de agradecimento pela minha prestação.

E assim, passei a dar 2 horas por semana do meu tempo para a sociedade, mas sobretudo para a natureza. É um momento da semana muito gratificante. Não há um dia que eu não receba um agradecimento de pessoas desconhecidas. Eu recebo um simples bom dia sorridente, ou um nítido e repetido “muito obrigado”, ou uma buzinada acompanhada de um agradecimento com o polegar, e até mesmo um “senhora, bravo!” já recebi, e fiquei emocionada. Alguns param para conversar comigo, basta eu diminuir a minha velocidade que isso acontece, se houver alguém por perto. E é o momento de adaptar o ouvido aos mais diversos dialetos que há neste país, e também melhorar a minha pronúncia. São tantos dialetos, que já houve belga que me disse que nem eles entendem, às vezes. 😊

No fim do ano passado houve uma reunião e para minha surpresa eram muitos voluntários. Na sala estavam no mínimo cerca de 50 pessoas, alguns reformados, outros que ainda trabalham e donas de casa. Foi preparado um agradável lanche e estivemos reunidos para dar a conhecer quantos somos e nossas áreas de atuação, bem como dar sugestões e combinar, por exemplo, a forma de recolha do lixo em nossa casa. Eu, por exemplo, comunico por e-mail quantos sacos tenho e combino de deixá-los na frente de casa todas as quintas-feiras. Aproveito também para solicitar novos sacos. Eu optei por usar 2 sacos em cada saída, um azul para latas e plásticos, e o branco para lixo diverso. Há quem prefira sair só com um e em casa fazer a separação.

Resolvi contar a minha história, finalmente, porque há tanto por onde fazer, por onde ajudar. Eu encontro mais essa aceitação pelo voluntariado nos países do Norte da Europa. Não há muito isso de esperar pelo Governo, ou de dizer que já pago imposto para que façam. Sim, eu ouvi isso de um colega do Afeganistão que tem trabalho. Eu não me importo, eu não penso assim. Eu saio de casa durante as 4 estações do ano a pensar que estou fazendo bem para mim e para a natureza. Eu não tenho vergonha! Penso nas aves, quando eu apanho uma goma de mascar no chão, ou um resto de sanduíche ainda embrulhado com papel.

É também interessante observar o comportamento das pessoas. Por exemplo, nas semanas de bom tempo encontro sempre muitas pontas de cigarro, mais latas de bebida, embalagem de chips, etc. Quando os dias estão mais frios estes itens diminuem brutalmente, e dão lugar às toalhitas, aos papéis para assoar o nariz, copos de café, etc.

Recentemente, eu vi alguns sites no Brasil também com vagas para voluntários. Em Portugal havia o “Banco de Tempo” em que as pessoas trocavam ações, por exemplo, a pessoa poderia ensinar crochê, e a outra pessoa poderia ensinar a tocar um instrumento. Havia cheques simbólicos para os serviços prestados. Você pode conhecer mais em: http://www.bancodetempo.net/pt/

É isso! Espero que tenham gostado de conhecer este lado do Miau do Leão. E espero que a partir de setembro, quando começa o próximo ano letivo, eu consiga manter estas horas disponíveis durante a semana.

Até o próximo post! 😉

Pedalar com amigos

No domingo passado participei pela primeira vez de um passeio de bicicletas com um grupo chamado Bonangana. São voluntários, a maioria de reformados, que ajudam estrangeiros com o holandês em duas ocasiões por semana, e também realizam atividades como este passeio de bicicletas, caminhadas, quizz, almoços comemorativos, leitura de livros. Sempre que estou disponível tento participar. O grupo fica em Sint-Niklaas. Também ajudam crianças com as tarefas escolares de casa, mas apenas uma tarde por semana.

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E, desta vez, tudo combinou bem para minha participação. Saímos da sede até a cidade de Hamme, cerca de 25km. Só que nos primeiros quilómetros, o pneu da minha bicicleta teve um furo. Nenhum problema, todos pararam mais à frente e dois senhores vieram me ajudar. Como não havia solução para o pneu, estacionei-a e foram super gentis arranjando-me uma bicicleta emprestada. Tudo muito organizado e até lanche levaram para todos. Atravessamos um rio através de um serviço gratuito de barco durante o percurso de volta.

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Vez por outra, um ou outro, vinham conversar um pouco, mas eu estava tão cansada que nem português queria falar. E, quando descobriram que eu era brasileira, já imaginam, não é? A infelicidade do Brasil contra a Bélgica no jogo do Mundial de Futebol. Eu fui com meu filho mais velho, e ele que respondia. :))))))

O que importa mesmo, e é a intenção deste post , é chamar a atenção para a importância do voluntariado. Eu sei que alguns não concordam, porque acham que já pagam impostos para isso, mas eu não vejo assim, e por isso, eu própria sou voluntária. Algo que quero falar num futuro post. Sempre há o que fazer e fazer o bem!

Para quem quiser conhecer o projeto e ver mais fotos: http://www.bonangana.be/

Mais fotos do passeio estão no site do Bonangana, clicar em Foto’s e depois escolher Gezinfietstocht.

Até o próximo post! 😉