A arte da dança 

“Contarei o milagre mas não contarei os santos. Não lhes pedi permissão. Eram um lindo casal de brasileiros que faziam estudos avançados na Universidade de Lovaina, Bélgica. Convidaram-nos para uma recepção e lá foram eles elegantemente vestidos. Música. Danças. Dançavam eles no salão quando notaram que os outros casais paravam de dançar e formavam uma roda ao seu redor, todos a olhar para eles. Pensaram: devemos estar dançando muito bem. Aí capricharam nos passos para não desapontar a platéia até que a música terminou. Ao se aproximarem de um professor amigo ele lhes disse com um divertido sorriso: “É a primeira vez que vejo um casal dançando o hino nacional da Bélgica…”

(Ostra feliz não faz pérola, Rubem Alves, pág.18, versão Epub)

Então vamos conhecer o motivo de tão animada dança. 🙂 O hino da Bélgica em suas línguas oficiais: holandês (De Brabançonne), alemão (Die Brabançone) e francês (La Brabançonne).

Até ao próximo post!

Dizem que sou louco

Sem invenção a vida fica sem graça.
Fica tudo muito difícil.
A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.

(A vida que ninguém vê, Eliane Brum, pág. 63, versão Epub)

Bem apropriada segue a Balada do Louco com Os Mutantes, na voz de Rita Lee.

Até ao próximo post!

Coreia do Norte

“Atualmente, nos documentos oficiais da Coreia do Norte o uso da palavra comunismo é extremamente raro ou nulo. Encontra-se com frequência a palavra revolução e algumas vezes, poucas, a palavra socialismo. B. R. Myers escreveu em The Cleanest Race que não saber que a Coreia do Norte é um país nacionalista é como não saber que o Irã é um país islâmico.”

(Dentro do Segredo, José Luís Peixoto, pág. 92, versão Epub)

Para acompanhar esse trecho do livro do português José Luis Peixoto trago a cantora da Coreia do Norte Ri Kyong-Suk que faz parte do grupo Pochonbo Eletronic Ensemble também da Coreia do Norte. Ela canta Lambada, em português!

Agradeço a sua leitura e até ao próximo post.

O que eu vou ser?

“O que eu vou ser? Quando você perde uma pessoa de quem sempre dependeu inteiramente e simplesmente é mandado para um lugar diferente, muitas coisas ruins acontecem, quando você não está onde devia estar. Você precisa se submeter a qualquer um que está naquele lugar e eles nunca estarão errados enquanto você estiver lá. É sempre você que leva a culpa.”

(Rainha de Katwe, Tim Crothers, pág. 45, versão Epub)

Para acompanhar a citação trago a música/vídeo dos islandes Sin FangSóley & Örvar Smárason. São 3 artistas islandeses que se reúnem uma vez por ano para divulgar um projeto em comum. O vídeo é da música Random Haiku Generator.

Agradeço a leitura e até ao próximo post.

Segredos

Os segredos estão dentro de nós. Como tudo o que sabemos, também os segredos nos constituem. Também os segredos são aquilo que somos. Quando os seguramos, quando somos mais fortes e os contemos, alastram-se em nós. Desde dentro, chegam à nossa pele. Depois, avançam até sermos capazes de os distinguir à nossa volta. E, no silêncio, somos capazes de os reconhecer. Então, nesse momento, já não são apenas os segredos que estão dentro de nós, somos também nós que estamos dentro dos segredos.”

(Dentro do Segredo, José Luís Peixoto, pág.108, versão Epub)

Para combinar com este trecho do livro de José Luís Peixoto trago uma música do grupo francês M83 que fala sobre enfrentar “tempestades de poeira” e lutar até o fim. O vídeo tem muita qualidade técnica, no meu entender, com imagens que nos faz refletir. Espero que gostem desta música que está em minha playlist. As músicas do M83 constam em algumas trilhas sonoras de filme.

Agradeço a sua leitura e até ao próximo post!

As múmias egípcias

“As múmias egípcias, na sua esmagadora maioria, tiveram uma eternidade curta. Muitas foram destruídas por salteadores de tumbas. Outras conheceram um destino ainda mais atroz. No século XVII, por exemplo, os europeus acreditavam nos poderes terapêuticos do pó das múmias. Criou-se assim uma lucrativa indústria. As múmias eram reduzidas a pó no Egito e enviadas para a Europa. Em breve, faltando exemplares autênticos, alguns comerciantes egípcios mais empreendedores trataram de mumificar cadáveres dos seus contemporâneos, reduzindo-os a pó, e enviando-os depois, em pacotinhos, para a Europa. Muitas dessas pessoas haviam morrido de doenças contagiosas, como a varíola, e assim o pó de múmia, longe de tratar o que quer que fosse, ajudou a propagar tais moléstias entre os europeus.”

(Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa, pág.91, versão Epub)

Vale a pena rever o translado das múmias para o Museu Nacional da Civilização Egípcia…

Obrigada por sua leitura e até ao próximo post!

O sono

Era noite fechada quando regressei ao meu quarto. Lembrei-me, enquanto me estendia na cama, de uma frase chave do primeiro romance de Chico Buarque, Estorvo: “Sinto que, ao cruzar a cancela, não estarei entrando em nenhum lugar, mas saindo de todos os outros.” Não é isso o sono?

(Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa pág.52, versão Epub)

E por falar em Chico Buarque trago Tão bom que foi o Natal (1967), que foi uma espécie de jingle para uma imobiliária de São Paulo, mas não deveria ter fim comercial, nem tocar na rádio. No entanto, o acordo não foi respeitado.

Até ao próximo post!

Existência

A existência, toda e qualquer, é uma mera alternância entre a vida e a morte, entre crianças e velhos. Uma sucessão de nascimentos e enterros, os enterros para lembrar da finitude, e os nascimentos para garantir que a natureza se refaz. Onde o tempo obedece não à linha reta da aspiração humana, mas ao círculo de uma sabedoria mais antiga. Um álbum em círculos povoando a linha de uma, de várias vidas entrecruzadas. Casamentos, colheitas, batizados, copos-de-leite, enterros, gaitas, crismas, bicicletas, saudades, veraneios, casamentos, colheitas, batizados, copos-de-leite, enterros… Detalhes corriqueiros. Tão pouco, tudo.

(A vida que ninguém vê, Eliane Brum, versão Epub, pág. 93)

Noiserv é um projeto musical do português David Santos. Ele é a banda de um homem só. A música Today is the same as yesterday, but yesterday is not today ajuda a refletir um pouco mais sobre o que trata a citação deste post.

Até ao próximo post!

Vida

“A natureza criou o esquecimento para que nos seja possível suportar o terrível tédio deste minúsculo aquário a que chamamos vida.”

(Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa, pág. 69 versão epub)

Para refletir, trago esse emocionante encontro entre Marisa Monte e Julieta Venegas, Ilusion.

Até ao próximo post!