A elegância do ouriço, o livro

Hoje faz um mês que terminei a leitura do livro A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery. Um livro memorável com personagens raras e interessantes. Ao ler as suas últimas folhas eu chorava sem parar. Não era um choro de tristeza, mas de emoção. Nunca tinha acontecido comigo isso antes. Chorava por sentir o que se passava com os quatro personagens principais nas últimas linhas do livro. O livro cativou-me para sempre.
Vai aqui algumas das linhas que mexeu intensamente comigo.

Como já sinto saudade de você… Esta manhã, compreendo o que quer dizer morrer: na hora de desaparecer, são os outros que morrem para nós, pois estou aqui deitada no asfalto meio frio e pouco ligando para falecer; algo tão sem sentido hoje de manhã como ontem. Mas não tornarei a ver os que amo, e, se morrer é isso, é de fato a tragédia que dizem ser.

As bruxas de Edimburgo

Andando pelo perímetro do castelo de Edimburgo encontra-se uma fonte e uma placa, discretamente num canto. A fonte foi projetada por John Duncan, um pintor simbolista escocês, que é referenciado por temas lendas e folclore celta.

A placa sobre a fonte está perto do local em que muitas bruxas foram queimadas na fogueira, a cabeça perversa e a cabeça serena significam que algumas usaram seu conhecimento excepcional para fins malignos, enquanto outras foram incompreendidas e desejavam nada além do bem do significado do mal e da sabedoria.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

A expedição do belga Gerlache

Faz tempo que não escrevo sobre fatos curiosos sobre a Bélgica. Retorno hoje, afinal a ideia e o nome do blog partiu da necessidade de conhecer mais sobre o país que vivo. Vou contar sobre uma expedição belga que entrou para a história.

Há 125 anos que o navio de pesquisa Belgica partiu de Antuérpia para a Antártida. Foi a primeira expedição científica para a área. A missão liderada pelo belga Adrien de Gerlache, então com 31 anos, se transformou em uma jornada infernal na qual a tripulação teve que passar o inverno na Antártida sem planejamento, algo que ninguém jamais fez antes.

No final do século 19, a Antártida era desconhecida, e o jovem oficial da marinha belga conseguiu ser o primeiro a organizar uma expedição científica até lá. A Bélgica não era um país de marinheiros.

Ele esperava que o rei Leopoldo II e ricos industriais o ajudassem, mas isso não aconteceu e ele levou anos para conseguir o dinheiro necessário.

Em 1896, Adrien De Gerlache comprou o Patria, um baleeiro e caçador de focas na Noruega, e o converteu em um navio de pesquisa. E ele o chamou de Belgica, mas a marinha belga recusou-se a registrar o navio.

O navio suportou várias tempestades e quase naufragou por duas vezes. Na Antártida, ele ficou preso no bloco de gelo. Só após 1 ano foi libertado do gelo pela tripulação e depois de 2 anos voltou a atracar no porto de Antuérpia.

Sua tripulação era de 24 pessoas de 6 nacionalidades diferentes. E durante o período  que ficaram presos no gelo, viveram na escuridão total por meses, em um ambiente hostil com tempestades e nevascas. A temperatura a bordo estava sempre abaixo de zero. Usavam velas. A tripulação adoeceu por falta de vitaminas. Também mentalmente foi muito difícil devido à falta de sol e ao isolamento.  Um cientista belga com problema cardíaco congênito veio a falecer e um marinheiro norueguês lutou contra a psicose até o fim da sua vida.

A expedição forneceu informações sobre a fauna, flora e paisagens da Antártida e da Terra do Fogo. Eles também mapearam uma parte da Antártida que faltava, e descobriram um estreito, que mais tarde foi chamado de Estreito de Gerlache. Vários cabos, baías, ilhas e montanhas receberam nomes belgas, por exemplo: Ilha de Antuérpia, Ilha Brabante, Ilha de Gent, Ilha de Liège e Baía de Flandres.

Hoje, o Estreito de Gerlache é a área turística mais visitada da Antártida.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Zeppelin L14 em Edimburgo

Continuando sobre Edimburgo, Escócia…

Na noite de 2 para 3 de abril de 1916, dois dirigíveis alemães, o L14 e o L22, lançaram 23 bombas em Leith e na cidade de Edimburgo.

O aviso do ataque aéreo iminente foi recebido às 19h de domingo, 2 de abril de 1916, e a polícia de Leith e da cidade de Edimburgo instituiu precauções contra ataques aéreos: o Departamento de Luz Elétrica baixou todas as luzes, o tráfego foi interrompido e as luzes dos veículos foram apagadas. O Corpo de Bombeiros Central e a Cruz Vermelha foram notificados e todos os policiais foram acionados.

Os primeiros relatos de explosões de bombas foram recebidos pela polícia pouco antes da meia-noite. O zeppelin L14, tendo atravessado a costa em St Abbs Head em Berwickshire na rota para Rosyth e Forth Railway Bridge, não conseguiu ver seus alvos e lançou suas bombas sobre Leith e o centro de Edimburgo.

Com duração de aproximadamente uma hora, dezenas de bombas seriam lançadas em Leith e Edimburgo, deixando treze mortos e mais vinte e quatro feridos.

As bombas foram lançadas à mão e eram aproximadamente do tamanho de um saco de farinha.

Uma bomba explodiu do lado de fora do White Hart Hotel no Grassmarket (centro de Edimburgo), matando um e ferindo quatro. Uma laje localizada neste local marca o evento. E foi caminhando que encontrei esta laje, e conheci um pouco desse momento histórico ocorrido durante a Primeira Grande Guerra Mundial.

L14 Fonte: Google-National Records of Scotland

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Edimburgo, está-se bem

Essa foi uma viagem que fiz, mas só após quase 3 anos a trago ao blog. Motivo? Vários, mas essencialmente porque ela foi feita em tempo de medo, incerteza, carregada com um sentimento de que se estava a fazer algo errado. Foi logo no início da pandemia, ainda quando a máscara não era obrigatória. Voltar para casa foi até um alívio, pois já se questionava fechar fronteiras, fechar restaurantes,… 
Ficou a recordação de uma cidade que parece não ter sofrido mudanças com o tempo, mas mesmo assim, uma cidade agradável de se estar, Edimburgo.
O turismo em Edimburgo define-se em duas partes: a cidade velha (Old Town) e a cidade nova (Niew Town).
Entre elas está a jóia da cidade, o Castelo. A partir dele tem-se uma boa visão da cidade. O Castelo olha sobre todos e todos olham para o Castelo. Chegar até ele é o mais divertido, pois a rua que lhe dá acesso está cheia de lojinhas de souveniers e atrações turísticas como The Scotch Whisky Experience e Camera Obscura & World of Illusions. Não estive em nenhuma delas, contentava-me em caminhar e caminhar, admirar sua arquitetura, sentir o bom humor escocês, provar sua gastronomia. E é um pouco sobre isso que tentarei mostrar em próximos posts. Vem passear comigo em Edimburgo! Hoje, o Castelo, em dia nublado e em dia ensolarado. 🙂





Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

O ritual do chá

Tenho feito uma leitura curiosa sobre o livro de Muriel Barbery, A elegância do ouriço. Além de escritora, ela também é professora de filosofia na França. Esse “detalhe” talvez explique juntar uma zeladora culta, um personagem japonês que desperta curiosidade, um crítico de gastronomia, uma adolescente observadora, todos convivem num prédio de um bairro elegante em Paris. A filosofia e suas reflexões sobre o tempo, a vida e a morte, vem em forma de romance com um elegante humor.

“O ritual do chá, essa recondução exata dos mesmos gestos e da mesma degustação, esse acesso a sensações simples, autênticas e requintadas, essa licença dada a cada um, a baixo custo, de se tornar um aristocrata do gosto, porque o chá é a bebida tanto dos ricos como dos pobres, o ritual do chá, portanto, tem essa virtude extraordinária de introduzir no absurdo de nossas vidas uma brecha de harmonia serena. Sim, o universo conspira para a vacuidade, as almas perdidas choram a beleza, a insignificância nos cerca.”
(A elegância do ouriço, Muriel Barbery, pág. 83 da versão Epub)

Eu trago neste post um trecho do romance. De sobra vem o vídeo do escoceses Belle and Sebastian.

Agradeço a leitura e até ao próximo post!

Passeio de bicicleta

Julho e Agosto são os meses das grandes férias escolares. Várias atividades são divulgadas e participamos de uma delas no domingo passado. É a segunda vez que participo dessa atividade organizada pelo Bonangana. O Bonangana é um grupo de voluntários que ajudam estrangeiros com o idioma holandês e promovem atividades de integração.

Um passeio de bicicleta em grupo cujo objetivo era ir até uma eólica e conhecê-la por dentro. Antes de chegar ao destino paramos deslumbrados com a beleza simples do moinho Roomanmolen, um patrimônio protegido em Sint-Gilli Waas. Valeu o passeio, valeu o dia.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Clarice Lispector LVI

Com esses dois trechos de duas crônicas de Clarice Lispector para o Jornal do Brasil termino a leitura de Aprendendo A Viver. A escritora durante essas crônicas mostrou um pouco de si própria para quem a queira conhecer. Ela que buscava sempre conhecer a natureza humana, e a sua própria natureza. Com este post encerro esse ‘canto’ do blog.

Exercício

  “É curiosa esta experiência de escrever mais leve e para muitos, eu que escrevia “minhas coisas” para poucos. Está sendo agradável a sensação. Aliás, tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.”

As três experiências 

“Espero em Deus não viver do passado. Ter sempre o tempo presente e, mesmo ilusório, ter algo no futuro.
  O tempo corre, o tempo é curto: preciso me apressar, mas ao mesmo tempo viver como se esta minha vida fosse eterna. E depois morrer vai ser o final de alguma coisa fulgurante: morrer será um dos atos mais importantes da minha vida. Eu tenho medo de morrer: não sei que nebulosas e vias lácteas me esperam. Quero morrer dando ênfase à vida e à morte.”

Agradeço sua leitura e até ao próximo post.

A comunicação muda

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.

Clarice Lispector, em Aprendendo a Viver

Lendo as crônicas escritas por Clarice Lispector e reunidas no livro Aprendendo a Viver deparei-me com o trecho acima, daí lembrei da música Modern Loneliness do artista americano Lauv, que canta a solidão moderna.

Até ao próximo post!

Baú aberto 25 – Aniversário

Faz tempo que não escrevo nada para ser colocado neste baú. Escolhi hoje para voltar a abri-lo por ser um dia especial.
É, hoje é o meu aniversário. Aconteceu de ser feriado na Bélgica, e assim ter tempo para escrever.
Esta semana conheci uma música que eu acho que nunca a ouvi antes. Conheci-a ao assistir o show de jubileu da rainha. Eu não conhecia também a banda. Fui pesquisar sobre a banda ainda enquanto assistia sua apresentação. E perguntei-me: Como nunca ouvi essa música? E a banda? Onde eu estava com a cabeça quando foi lançada?  Afinal, representa um gênero musical que rapidamente me identifico. Linda melodia e letra.
É, neste dia eu fui um dia bonito para alguém. “Alguém” muito especial, a minha mãe. É graças a minha mãe que me espelho para vencer os obstáculos que vão surgindo. O medo é grande, é como se ainda eu fosse criança a precisar de colo. Quem sabe a minha história, sabe que só o amor explica, mas nem todos sabem ser amados, e buscam aventuras de tostões. Eu entendo que precisamos viver o presente, pois é o que temos, mas isso não valida riscar o respeito, o companheirismo, esquecer as lutas e as vitórias. Há limites para tudo, principalmente para a falta de respeito. Isso vale para todas as relações que temos. Eu dei o meu melhor, mas parece não ter sido suficiente. Eu vivo o presente, mas sem esquecer que posso ter ainda um amanhã e dias bonitos. Sigo de cabeça erguida. 
Passou na minha vida um trem que parecia querer ir até ao fim do trilho. Engano. Um trem perturbado que acabou por não se revelar realmente um trem, mesmo assim fui empurrando os vagões, mas o trem insistiu várias vezes em seguir outros caminhos por mais que eu e outros conhecedores dos trilhos da vida avisa-se sobre as consequências de seguir outro trilho. Até que chegou o limite das minhas forças. E pensei: O que eu estou a fazer comigo? Chega! Sigo a trilha com meus dois preciosos vagões. 

Hoje era esperada muita chuva, mas amanheceu um dia lindo de céu azul. A primeira mensagem que li foi de minha mãe e agradeci por ainda poder receber mensagens dela.

Um dia como este. Vamos ouvir?

Agradeço a leitura e até ao próximo post!