Clarice Lispector XXXI

claAs maravilhas de cada mundo

Clarice Lispector tinha uma amiga chamada Azaleia. Sua vida era difícil, mesmo assim gostava de viver.
Essa amiga dizia que cada pessoa tinha suas setes maravilhas. As da amiga eram: ter nascido, seus cinco sentidos, sua capacidade de amar, sua intuição, sua inteligência, a harmonia, a morte.


O livro desconhecido

Clarice sonhava com um livro especial, um livro que ela mesma escreveria. Ela fazia fantasias sobre este livro. Um livro que se pode tudo.


Do modo como não se quer a bondade

Ser humana também é ter violências e defeitos. Dedica-se, portanto, a não ser humana. Compreendendo e perdoando. “A consoladora oficial”. A procurada. “Minha grande altivez: preciso ser achada na rua.”


O que é o que é ?

E a escritora “brinca” fazendo perguntas…

“Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto?
Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor?
Estar ocupado, e de repente parar por ter sido tomado por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? 
Até ao próximo post!

Tabule de lentilhas

O tabule (tabūlah/tabouleh/tabbouli) é uma salada do Médio Oriente, a palavra significa tempero. Há variações de sua confecção em alguns países, no entanto os fatores “ser saboroso” e “ser saudável” estará presente qualquer que seja a sua combinação.

IMG_20200112_185006180Encontrei essa combinação de tabule com lentilhas no site da kiwimilón. O resultado foi um prato rápido, simples, rico em sabor e saudável. E a presença do zátar (zaatar/za’atar), um condimento da mesma região do tabule proporcionou o toque final.


-Colocar uma xícara de lentilhas (preferência verde) para cozinhar em água já fervendo com sal por 20 min. Reservar até arrefecer. (Eu usei lentilhas em conserva)

-Colocar nas lentilhas arrefecidas: ½ xícara de cebola vermelha picada, 1 xícara de tomate picado, ½ xícara de salsa picada, 2 colheres de sopa de Zátar, sal, suco de meio limão amarelo, 3 colheres sopa de azeite. Misturar bem.

-Por cima espalhar um pouco de queijo feta esfarelado.

-E está pronto o tabule!

Até ao próximo post!

 

Em defesa do romance em Cruze esta Linha

images (1)Salman Rushdie cita uma conferência do professor George Steiner, que foi um crítico literário, sobre a “morte do romance” ou a transformação do leitor. Transformação na forma eletrônica.

Antigamente, dizer “eu não leio romances” era pronunciado como um pedido de desculpas, mas hoje há um certo tom de orgulho.

Milan Kundera, em ‘Testamentos Traídos”, revela a incapacidade da Europa em defender a mais europeia das artes, a arte do romance.

Salman Rushdie chega mesmo a dizer que há romances demais afastando os leitores. Nessa crítica, ele explica sobre o excesso de publicações e publicidade que produzem deficiência da leitura.

E você, caro(a) leitor(a) concorda? 

Senhor das moscas, o livro (Guest Post – Raphael)

lordHoje, O Miau do Leão tem um Guest Post do filho Raphael (17). Foi um texto opinião produzido para a disciplina de inglês no último ano do secundário. O livro Lord of the Flies (Senhor das Moscas, 1954) de William Golding (Prêmio Nobel de Literatura em 1983) apesar de fictício, parece o espelho de uma realidade atual de algum país conhecido. Penso que vale a pena a leitura do livro e uma boa reflexão sobre sua mensagem. 

Senhor das moscas: sem um líder, o grupo seria mais forte

“A união faz a força”. Esse é o lema nacional de vários países (incluindo a Bélgica). Essa unidade só pode ser alcançada se houver respeito, no qual não há uma pessoa que se posicione acima de todo mundo, que quase sempre descobre os planos para o grupo por conta própria. No livro “Senhor das moscas”, o grupo de meninos da ilha não conseguiu alcançar o grupo unido em que todos pensavam e trabalhavam para sobreviver e serem resgatados. Portanto, tudo se transformou em caos. Aqui estão algumas razões pelas quais uma sociedade mais unida e grupo respeitoso e, sem um líder, poderia ter salvo todos eles e também seria mais provável que acontecesse na vida real.

Todo mundo tem qualidades diferentes em diferentes aspectos, mas ninguém é perfeito em todos os aspectos. Não deve haver líder nesse caso de sobrevivência, para que as melhores qualidades de todos possam ser usadas e não apenas as do líder. Por exemplo, o líder original do grupo, Ralph, sempre esquecia o propósito de manter o fogo aceso, ao contrário de Piggy, que conseguia se lembrar de coisas melhores que Ralph, embora os meninos só ouvissem se Ralph falasse. Eu não quero dizer que Piggy também deveria ter sido o líder, porque ele é relativamente fraco e não poderia liderar as tarefas mais exigentes, como a caça. O grupo também, em realidade, estaria mais consciente de que eles poderiam ficar lá pelo resto de suas vidas, se não fizessem nada, portanto, eles provavelmente concordariam em usar as diferentes qualidades de todos para permanecerem vivos e serem resgatados. Em conclusão, as qualidades de cada garoto não foram usadas adequadamente, o resultado de apenas seguir o líder, na realidade não teria ocorrido.

A natureza da violência e o desejo de poder, notavelmente como no caso de Jack, não deveria ter acontecido em uma situação da vida real. Afinal, eles também devem ter sua família, amigos e sonhos para o futuro? Mas nesta história, isso parece ser completamente ignorado, embora Piggy foi o único que pelo menos mencionou sua ‘tia’ algumas vezes. Em resumo, em algumas situações críticas como essa, seria mais provável que os meninos não se importassem com o poder no grupo, mas em agir juntos, com respeito.

Mais unidade e respeito no grupo criariam melhores ideias sobre como sobreviver e obter resgate. Existe um ditado antigo: “Duas cabeças pensam melhor que uma”, significando que, se mais pessoas pensam em um problema, em vez de apenas um, é mais provável que uma boa solução seja encontrada, em menos tempo. Nesse caso, o mais notável Piggy, que teve algumas boas ideias, nunca poderia contá-las diretamente ao grupo, mas via Ralph, pois ele não estava sendo respeitado pelo grupo. Isso ocorreu devido aos dois líderes, especialmente Jack, que não apenas ouvia as ideias de Piggy, mas também era violento com ele. Os líderes (Ralph e Jack) influenciavam os outros, para que os outros agissem da maneira que o líder gostasse. Por exemplo, se o líder ri, os outros riam também, além disso todos seguiram a ideia de Jack para tornarem-se selvagens. Porém, isso dependia de quão convincente o líder era, e aparentemente, Jack era melhor nisso. No geral, o líder é quem influenciava mais os meninos. Devido a Ralph não ser convincente e Jack assumindo o poder e o grupo desuniu. Consequentemente, o grupo não teve boas ideias o suficiente e a maioria acabou como selvagens.

Por fim, podemos ver que um líder nessa situação pode causar mais problemas do que soluções. Os meninos não se beneficiaram de suas qualidades, o novo líder (Jack) usou a violência para alcançar o poder insignificante, e havia poucas boas ideias por causa da desunificação e falta de respeito dentro do grupo. Então, para manter a força de um grupo  deve existir união e respeito, em que todos possam expressar livremente sua opinião, sem um líder que diz o que deve ser feito, segundo ele próprio.

Até ao próximo post! 😉
Versão em inglês:

Lord Of The Flies: Without a leader, the group would be stronger “Unity makes strength”. That is the national motto of various countries (including Belgium).
This unity can only be achieved if there is respect, in which there isn’t a person that stands above everyone else, who almost always figures out the plans for the group on his own.Yet, in the book ‘Lord Of The Flies’, the group of boys on the island couldn’t achieve a proper united group in which everybody thought and worked on surviving and getting rescued. Hence, everything turned into chaos. Here are some reasons of why a more united and respectful group and, without a leader, could have saved them all, and would also be more likely to happen in real life.

Everyone has different qualities in different aspects, but nobody is perfect in all aspects.
There should be no leader in such a case of survival, so that the best qualities of everyone could be used and not only the leader’s ones. For instance, the original leader of the group, Ralph, would always forget about the purpose of keeping the fire alight, unlike Piggy, who could remember things better than Ralph, though the boys would only listen if Ralph spoke. I don’t mean that Piggy should have been the leader either, because he’s relatively weak, and couldn’t lead in more strength-requiring tasks, for example, hunting. The group would also, in reality, be more aware that they could stay there for the rest of their lives, if they did nothing, thus they would be likely to agree in using everyone’s different qualities to stay alive and get rescued. In conclusion, the qualities of each boy weren’t properly used as a result of just following the leader, that in reality shouldn’t have occurred.

The nature of violence and desire for power, notably like in Jack’s case, shouldn’t have
happened in a real life situation. After all, they must also have their family, friends and
dreams for their future? But in this story, that seems to get completely ignored, although
Piggy was the only one that at least mentioned his ‘auntie’ a couple times. In summary, in a critical situation like this, it would have been more likely that the boys didn’t care about power in the group, but more into acting together, with respect.

More unity and respect in the group would make better ideas about surviving and getting rescued. There’s an old saying: “Two heads are better than one”, meaning that if more people think about one problem, instead of just one, a good solution is more likely to be found, in a shorter matter of time. In this case, most noteworthy Piggy, that had some good ideas, could never tell them to the group directly, but via Ralph instead, since he was not respected by the group. This was due to both leaders, especially Jack, who would not only listen to Piggy’s ideas, but also be violent towards him. The leaders (Ralph and Jack) influence the others, so the others act in the way the leader likes. For example, if the leader laughs, the others laugh too, furthermore the way how everyone followed Jack’s idea to become savages. Though, this depended on how convincing the leader was, and apparently, Jack was better at this. Overall, the leader is the one who influences the boys the most. Due to Ralph not being convincing and Jack taking over, the group deunified. Consequently, the group didn’t get enough good ideas, and the majority ended up turning into savages.

Ultimately, we can see that a leader in this situation can cause more problems than solutions. The boys didn’t take profit from their qualities, the new leader (Jack) used violence to achieve his meaningless power, and there were few good ideas because of the deunification and lack of respect within the group. So, to keep a group’s strength, there should be union and respect, in which everyone can freely say their opinion, without a leader that tells what should be done, according to only himself.

See you in the next post! 😉

 

Poesia, o filme

Poesia (Poetry) é um filme coreano de 2010, vencedor de vários prêmios. Uma dica de filme que anotei de um comentário da Léo Campos, do blog Sementes ao Leo. Sim, eu tenho uma lista com sugestões dos meus leitores e dos blogs que sigo. 🙂

Poesia é um filme longo (2h 19m), mas que não foi cansativo para mim. Um filme sensível, que aborda um período da vida de uma senhora avó que buscava sentido para a sua vida através da poesia. A atriz desempenha esse papel muito bem. Estive sempre absorvida por aquela persistente e observadora senhora que buscava inspiração para escrever. Nem mesmo as preocupações causadas pelo neto ou a descoberta de um diagnóstico para Alzheimer faz essa introspectiva senhora desistir da poesia, matricula-se num curso de poesia e segue com seus exercícios de escrita.

O filme mostra um pouco da vida num subúrbio da Coreia do Sul, uma consulta em hospital naquele país, um adolescente que não se importa com a avó e algumas paisagens. Enfim, cenas do cotidiano tendo como foco a pessoa com tomadas de cenas que vem do longe, do redor, até captar a pessoa principal da trama.

Vamos ver o trailer?

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector XXX

O ritual

Clarice Lispector achava que enfeitar-se era um ritual “grave”. Perguntava-se como um tecido podia ganhar vida.
Não usava brincos. Uma pequena parte “modestamente nua”.
Seu segredo ignorado por todos: mulher.


Conversa puxa conversa à toa

Clarice observava a cozinheira cantarolar. Uma melodia linda e harmoniosa, criação da própria. Foi motivo para refletir que o mundo será muito criativo e como será o mundo no futuro, daqui a milhares de anos. Sentiu vertigem ao pensar. Voltou a observar a moça estendendo roupa e concluiu que ela era um “eu” da escritora.


A vida é sobrenatural

Refletiu e concluiu que os pensamentos são tão sobrenaturais como uma história passada depois da morte. E que a vida é sobrenatural.


clarice

Que viva hoje

… Sem nenhum acontecimento me provocando, sem nenhuma expectativa, de tarde, esta tarde, eu, aplicando-me na caligrafia como uma criança de escola, eu, também uma das freiras que costuram, em labor de abelha bordo a fio de ouro: Viva Hoje.”

Até ao próximo post!

Arthur Miller em Cruze Esta Linha

images (1)O dramaturgo e escritor Arthur Miller talvez seja mais conhecido por ter sido o primeiro marido de Marilyn Monroe, mas no livro de Salman Rushdie (Cruze esta Linha), ele é lembrado como a primeira voz em defesa do escritor perseguido por uma “fatwa” decretada pelo Aiatolá Khomeini, após a publicação de “Os Versos Satânicos”. 

Rushdie escreve que Miller apesar de ser oriundo de uma família voltada para o lucro, teve de se livrar dessa visão do mundo.

… a verdadeira condição dos homens era o oposto completo do sistema competitivo que eu concluíra ser normal, com todos os ódios e conspirações mútuos. A vida podia ser um abraço camarada, as pessoas se ajudarem umas às outras em vez de procurar maneiras de passar a perna nos outros.” – Arthur Miller

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Arthur Miller
não defendeu apenas o escritor Salman Rushdie, ele era um defensor de todos os escritores que sofriam perseguição no mundo. Uma figura incansável na luta contra a censura.

Temos de reimaginar a liberdade a cada geração, principalmente porque certo número de pessoas sempre tem medo dela.” – Arthur Miller

 

Até ao próximo post! 😉