Risoto Vegano de Feijão Branco


Navegando pela Internet à procura de algo novo para mim na culinária e que não tivesse carne como um dos ingredientes, cheguei até a esta proposta do site/canal Plantte. Eles chamaram essa proposta de Risoto, mas como não usam vinho, nem manteiga, então eles permitem que chamem de arroz cremoso ou algo do tipo.
Para mim, o que importa é que me surpreendeu pela aparência final e sabor. Você pode acompanhar com brócolis, mas como eu não os tinha, então decorei com folhas de basílico.

  • 2 xícaras de feijão branco cozido
  • 1 colher (sopa) de sumo de limão
  • 2 colheres (sopa) de azeite de oliva, divididas
  • 1/2–1 xícara de caldo de legumes ou de água
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • 1 cebola grande, picada
  • 1 colher (sopa) de estragão seco
  • 1–2 xícara(s) de arroz cozido
  • Adicione em um liquidificador o feijão branco cozido, o sumo de limão, 1 colher (sopa) de azeite de oliva, 1/2 xícara de caldo de legumes (ou de água) e sal e pimenta do reino a gosto. Bata até obter um creme liso. Se for necessário, adicione mais caldo de legumes. Prove e ajuste o sal e a pimenta conforme seu paladar. Reserve.
  • Em uma panela, refogue a cebola picada em 1 colher (sopa) de azeite de oliva. Quando estivem translúcidas, adicione o estragão e refogue por mais 1 ou 2 minutos.
  • Adicione o creme de feijão branco na panela junto com a cebola e o estragão e misture bem, em fogo médio. Quando estiver quente, adicione o arroz cozido. Caso seja necessário, adicione mais caldo de legumes ou água para obter a consistência desejada. Corrija o sal e a pimenta conforme seu paladar.
  • Sirva com o acompanhamento de sua preferência. Sobras podem ser armazenadas em um pote fechado na geladeira por até 4 dias.

Até ao próximo post!

Olhar Blasé

O seu olhar lembra-me uma canção de Adriana Calcanhoto. É um “olhar sem sonhos”, um “olhar blasé que não só já viu quase tudo, como acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver”.

Pág 89, versão Epub, Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa

Já que Agualusa lembrou de uma música de Adriana Calcanhoto, vamos ouvi-la, …

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XLV

Alguém se atreve a responder as perguntas de Clarice Lispector?
Vem uma sensação de ansiedade, uma sensação de que vivemos e nada sabemos. Prefiro sentir, seguir adiante e viver o tempo que não sei quanto me cabe.
São estranhas as perguntas sobre Deus vindas de uma pessoa com ascendência judaica. Seria Clarice uma espécie de Spinosa(za) na versão feminina?  Dá o que pensar.

Uma pergunta 
“Gastar a vida é usá-la ou não usá-la? Que é que estou exatamente querendo saber?”

Sou uma pergunta 
“Quem fez a primeira pergunta?
  Quem fez o mundo?
  Se foi Deus, quem fez Deus?
  Por que dois e dois são quatro?
  Quem disse a primeira palavra?
  Quem chorou pela primeira vez?
  Por que o Sol é quente?
  Por que a Lua é fria?
  Por que o pulmão respira?
  Por que se morre?
  Por que se ama?
  Por que se odeia?
  Quem fez a primeira cadeira?
Por que se lava roupa?
  Por que se tem seios?
  Por que se tem leite?
  Por que há o som?
  Por que há o silêncio?
  Por que há o tempo?
  Por que há o espaço?
  Por que há o infinito?
  Por que eu existo?
  Por que você existe?
  Por que há o esperma?
  Por que há o óvulo?
  Por que a pantera tem olhos?
  Por que há o erro?
  Por que se lê?
  Por que há a raiz quadrada?
  Por que há flores?
Por que há o elemento terra?
  Por que a gente quer dormir?
  Por que acendi o cigarro?
  Por que há o elemento fogo?
  Por que há o rio?
  Por que há gravidade?
  Por que e quem inventou os óculos?
  Por que há doenças?
  Por que há saúde?
  Por que faço perguntas?
  Por que não há respostas?
  Por que quem me lê está perplexo?
  Por que a língua sueca é tão macia?
Por que há o elemento terra?
  Por que a gente quer dormir?
  Por que acendi o cigarro?
  Por que há o elemento fogo?
  Por que há o rio?
  Por que há gravidade?
  Por que e quem inventou os óculos?
  Por que há doenças?
  Por que há saúde?
  Por que faço perguntas?
  Por que não há respostas?
  Por que quem me lê está perplexo?
  Por que a língua sueca é tão macia?
Por que fui a um coquetel na casa do Embaixador da Suécia?
  Por que a adida cultural sueca tem como primeiro nome Si?
  Por que estou viva?
  Por que quem me lê está vivo?
  Por que estou com sono?
  Por que se dão prêmios aos homens?
  Por que a mulher quer o homem?
  Por que o homem tem força de querer a mulher?
  Por que há o cálculo integral?
  Por que escrevo?
Por que Cristo morreu na cruz?
  Por que minto?
  Por que digo a verdade?
  Por que existe a galinha?
  Por que existem editoras?
  Por que há o dinheiro?
  Por que pintei um jarro de vidro de preto opaco?
  Por que há o ato sexual?
  Por que procuro as coisas e não encontro?
  Por que existe o anonimato?
  Por que existem os santos?
  Por que se reza?
  Por que se envelhece?
  Por que existe câncer?
Por que as pessoas se reúnem para jantar?
  Por que a língua italiana é tão amorosa?
  Por que a pessoa canta?
  Por que existe a raça negra?
  Por que é que eu não sou negra?
  Por que um homem mata outro?
  Por que neste mesmo instante está nascendo uma criança?
  Por que o judeu é a raça eleita?
  Por que Cristo era judeu?
  Por que meu segundo nome parece duro como um diamante?
Por que hoje é sábado?
  Por que tenho dois filhos?
  Por que eu poderia perguntar indefinidamente por quê?
  Por que o fígado tem gosto de fígado?
  Por que a minha empregada tem um namorado?
  Por que a Parapsicologia é ciência?
  Por que vou estudar Matemática?
  Por que há coisas moles e há coisas duras?
  Por que tenho fome?
  Por que no Nordeste há fome?
Por que uma palavra puxa a outra?
  Por que os políticos fazem discurso?
  Por que a máquina está ficando tão importante?
  Por que tenho de parar de fazer perguntas?
  Por que existe a cor verde-escura?
  Por quê?
  É porquê.
  Mas por que não me disseram antes?
  Por que adeus?
  Por que até o outro sábado?
  Por quê?”

Até ao próximo post!

A vida que ninguém vê, o livro

Este é o segundo livro escrito por Eliane Brum. A jornalista e escritora foi em busca do que não é notícia, e acabou por revelar vidas de personagens encantadores.

A sua sensibilidade alerta que o mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. E é isso que sentimos nas vinte e quatro histórias que ela capturou em cenas corriqueiras. Histórias de vidas reais que vale muito a pena conhecê-las.

Quem consegue olhar para a própria vida com generosidade torna-se capaz de alcançar a vida do outro. Olhar é um exercício cotidiano de resistência.

pág 113, versão Epub

Até ao próximo post!

Experiências culinárias

Não faz muito tempo passei por duas experiências culinárias completamente diferentes, a culinária da Etiópia e a do Havaí. O sabor de ambas mereceu repetir a experiência.

Na culinária havaiana descobri e confeccionei o Salmon Poke Bowl que é apropriado para uma tigela. Um prato com influência japonesa que pode também ser feito com atum ou polvo, mas escolhi o salmão que ficou em marinada com temperos asiáticos. É servido na tigela com arroz japonês (o mesmo do sushi), abacate, cenoura, algas, repolho roxo com maçã e cebolinho.

Na culinária etíope não pode faltar a Injera que é uma espécie de panqueca confeccionada a partir de um grão típico da região. À volta da Injera estão porções de acompanhamentos com carne, vegetais, molho, alguma leguminosa. Come-se com as mãos e em grupo, retirando uma parte de Injera para pegar algum dos acompanhamentos, sendo alguns picantes, mas suportável. Também há uma versão vegetariana.

Até ao próximo post!

Voluntariado

Recebi essa prenda da prefeitura da cidade onde vivo por fazer trabalho voluntário.
Um simpático funcionário bateu à porta e entregou-me uma carta de agradecimento e esta caixa decorada com uma fita com as cores da cidade (azul e amarelo) e dentro com produtos de comércio justo (fairtrade).
Isso tudo é um grande incentivo.

Até ao próximo post!

Mulheres, Luís de Camões

Luís de Camões não parece ter gostado das mulheres de Goa. Sobre as portuguesas que encontrou por aqui escreveu ele, em carta a um amigo: “todas caem de maduras, que não há cabo que lhe tenha os pontos, se lhe quiserem lançar pedaço”. Sobre as indianas escreveu pior: “além de serem de ralé (…) respondem-vos numa linguagem meada de ervilhaca, que trava na garganta do entendimento, a qual vos lança água na fervura da maior quentura do mundo”. Linguagem meada de ervilhaca? Sabendo-se que a ervilhaca é uma trepadeira de confusos e enredados caules compreende-se melhor o violento veneno desta metáfora. O poeta terminou, afinal, cativado por uma escrava negra,“de rosto singular, olhos sossegados, pretos e cansados”. Uma “Pretidão de Amor”, Bárbara de seu nome, cuja beleza inspirou um dos mais extraordinários poemas escritos em língua portuguesa: “Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão, que o siso acompanha; Bem parece estranha, Mas bárbara não”.
(pág 99, Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa, versão epub)

Para este post trago a música Believe da banda portuguesa The Black Mamba com imagens do Norte de Moçambique.

Até ao próximo post!

Eurovisão 2021

Começa hoje o festival da canção na Holanda. A Holanda foi a última vencedora. Em 2020 não foi possível a realização do evento devido a pandemia.
Este ano serão 39 países participantes, que estarão divididos em duas semi-finais.
Hoje será dia da participação da Bélgica na primeira semi-final. O país tem boas possibilidades, afinal conta com uma banda de peso, o Hooverphonic. O trio participará com sua melhor formação, e para isso inscreveram uma nova música. E fizeram bem! Eu sou suspeita, pois gosto muito do trio da cidade que vivo.
Portugal, infelizmente, vem cantando em inglês. Para mim, é uma pena. Observar que a Itália, a França e Espanha cantarão em seus idiomas respectivos.

O Eurovisão tem perdido algum respeito, na minha opinião. Alguns países apelam no visual, ou em algum tipo de vitimização, em detrimento do que está mesmo em conta num festival de música. Depois o processo de votação nem sempre é justo, permitindo situações em que se vota no “amiguinho”, por exemplo, não estranhe a Grécia dar muitos pontos para o Chipre, e vice-versa. De qualquer maneira, e em tempos de pandemia, sempre é uma possibilidade de distração, de conhecer outros países e suas línguas.
Segue o vídeo com um resumo da música que cada participante defenderá. Qual a sua música preferida ?

Até ao próximo post!

P.S.: Penso que será possível acompanhar via YouTuBe.

Identidade

Inicio um espaço novo no Blog, “citações“. Serão curtos e interessantes trechos que vou lendo, para refletir, discutir, um pouco de tudo. Sempre acompanhado de uma música. No menu “citações” recoloquei outros posts anteriores no mesmo sentido.

Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o país deixará de existir. Repare: os portugueses construíram a sua identidade por oposição à Europa, ao Reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao mar e vieram ter aqui, fundaram o Brasil, colonizaram África. Ou seja, escolheram não ser europeus.
(Personagem Plácido Domingo no livro Um Estranho em Goa, José Eduardo Agualusa)

Trago a música A velha Europa, do B. Fachada, que é o nome artístico de Bernardo Cruz Fachada. Deixo a letra da canção abaixo do vídeo. Uma doce música com um toque de pureza. E espero o seu comentário sobre a citação e/ou a música.

Quando chegares à velha europa, amor,
Tira umas fotos com um bom compositor
Se ele te piscar o olho, nem hesites em dizer “doutor,
O meu marido queria ser como o senhor”
Quando chegares à velha europa em flor
Quero que arranjes um amante sedutor
Se ele te pedir divórcio, nem hesites em dizer “amor,
O meu marido não tem culpa, não, senhor”
Quando chegares à velha europa atrás
De alguma coisa que afinal não satisfaz
Tenta lembrar-te dos carinhos que eu te dei se fores capaz
E não me troques por beijinhos de rapaz
Quando chegares da velha europa, amor,
Eu já terei pintado o quarto de outra cor
Para entreter durante a tua longa ausência o meu pavor
De me perder sem o teu fio condutor
Perguntei ao vento se trazia um cabelinho teu
E até ao momento o raio do vento não me respondeu

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XLIV

Nada melhor do que voltar a escrever num dia especial no país que nasci (Brasil) e no país que vivo (Bélgica), o Dia das Mães.
A vida continua, e devemos enaltecer quem nos dá o real valor.
Eu amo ser mãe de dois maravilhosos rapazes amigos, eu que sou filha de uma mãe amiga e forte, e eu que venho de uma família de mulheres guerreiras da vida… Trago de volta ela que também foi uma mãe especial, a escritora Clarice Lispector.

Os prazeres de uma vida normal 

Clarice Lispector que sofria de insónia, conseguiu dormir dez horas. E se perguntou se seria isso vida normal.
Ela também experimentou a vida anormal para comer quando fez dieta para perder uns quilos. Comer bem dá até vergonha.

Que nome dar à esperança 

Onde a esperança corre, a coisa é atingida.
Precisa-se dar outro nome a certo tipo de esperança, pois esperança significa espera. E a esperança é já.

Apenas um cisco no olho

Clarice teve quatro vezes em menos de um ano o olho esquerdo agredido por objetos estranhos: ciscos não identificados, grão de areia e um cílio. Precisou ir ao oftalmologista de plantão. Na última ida perguntou: por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência? 
O médico respondeu que não. Este era o seu olho diretor, o que vê mais, e o mais sensível, prende o corpo estranho, não o expulsa.
Ela ficou pensativa. Será a pessoa que mais vê, a que mais sente e sofre?

Caderno de notas

Nota que estava num caderno de notas antigo e escrita em francês por alguém: “Todos aqueles que fizeram grandes coisas fizeram-nas para sair de uma dificuldade, de um beco sem saída.” Clarice considerou uma verdade.

Até ao próximo post!