Subir a Serra Amarela em Gêres (Portugal)

Parecia que o hiking seria fácil, apenas 10,9 km e o máximo de 946 m de elevação.  O dia estava lindo. O percurso foi escolhido utilizando a app Wikiloc: Serra Amarela – Ermida + Bilhares + Martinguine + Viduak.

A cada curva a natureza revelava todo o seu encanto, e a trilha sonora era o som de pequenas cachoeiras.

Até que se chegou à Branda de Bilhares. O que parecia ter sido uma pequena aldeia que vivia do pastoreio e cultivo, sobretudo no Verão.

Pelo caminho ainda avistamos várias cachoeiras. A água era bastante fresca. E a subida seguiu em bom ritmo.

Até que alcançamos o topo da trilha escolhida. Por algum tempo exploramos os pequenos detalhes da natureza. Não podíamos passar muito tempo. O pôr do Sol era por trás de uma colina e começava a arrefecer. Tínhamos que ser rápidos. 

Em princípio uma descida era para ser fácil, mas na prática não foi isso que aconteceu. O caminho revelou uma vegetação não indicada no aplicativo. Muitos degraus em pedra que à medida que se aproximava do riacho tornavam-se escorregadios. Erramos o caminho, sofremos com a vegetação cerrada do caminho errado. Já pensávamos em passar a noite por ali, molhados até ao joelho devido a travessia do riacho que não era necessária. Não seria prudente. Seguimos. Logo veio a noite, os celulares se aproximavam do fim da bateria.

O meu silêncio na volta foi notado pelo meu filho mais velho que passou a caminhar colado a mim. A sua sensibilidade tinha razão. Era um mal sinal que eu emitia sobre o meu limite mental. A condição física estava boa, mas a mental sofria. 

antes da descer a Serra Amarela

Reencontrar Bilhares foi um alívio.  Faltava “pouco”. O céu à noite era lindo. Na Bélgica não vejo a beleza de tantas estrelas e constelações.

Cada momento era precioso, e assim, na descida não houve fotos. Apenas um vídeo caseiro às escuras. Já no caminho correto e sem obstáculos, essa foto foi o único registro. Uma respeitosa salamandra que atravessava o caminho.

E o vídeo que fiz da subida…

Até ao próximo post!

Linguine com couve flor, presunto de Parma e ervilhas

Eu vi esta receita sendo feita num programa de culinária na televisão belga. Eu confesso que não sou fã de couve flor, mas a garra do chef convenceu-me a tentar esta receita. Fui às compras, e o resultado foi esse…

Para 4 pessoas:

1 couve flor pequena 
1 cubo caldo de legumes 
1 chalota
1 dente de alho
2 colheres de sopa de manteiga
100 ml de leite
1 pitada de noz moscada
100g de presunto de Parma
400g de linguine
200g de ervilhas congeladas
Queijo parmesão q.b.
Pimenta e sal q.b.

  • Numa panela para cozer a couve flor coloque o caldo de legumes e um pouco de sal. A couve flor deve estar em pedaços.
  • Colocar o presunto numa frigideira para torná-lo crocante.
  • Num mixer colocar a couve flor cozida, o alho, a chalota, o leite, manteiga, noz moscada, pimenta e sal se necessário ao provar. Raspar um pouco de queijo parmesão.
  • Cozer a pasta junto com as ervilhas.
  • Picar o presunto de Parma que já está crocante.
  • No prato de servir colocar o molho de couve flor, por cima a pasta com ervilhas, parmesão ralado, um fio de azeite e no topo o presunto.

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XL

Para conhecer a escritora Clarice Lispector seguem sínteses de 4 crônicas da escritora para o Jornal do Brasil.

A tempestade de 28 de Março, domingo

Clarice Lispector relembra um domingo, 28 de Março. Jogo Botafogo e Vasco, no Maracanã. Calor. Praia. Ela rezou por chuva.
Combinou com uma amiga de ir no Açude da Solidão, na Floresta da Tijuca*, mas previu que algo ruim estava para acontecer. Não quis ir à Floresta da Tijuca. Decidiram dar uma volta de carro e ir até ao Leblon visitar a igreja da Lagoa. O céu escureceu. A natureza respondeu a sua reza por chuva com fúria. O carro ficou cercado de água e lama. Com dificuldade chegou em casa. Preocupou-se por seus familiares como um filho que estava no jogo de futebol. Seu telefone não funcionava. Finalmente alguém da família telefonou e estavam todos bem. Voltou a rezar pelo filho, e de repente, sentiu uma grande calma. Disse à amiga que podia ir para a casa dela, pois ia dormir. Deixou mensagem ao filho e foi dormir confiando em Deus.


A prof. Teresa Monteiro, autora do livro O Rio de Clarice, indica 5 lugares na cidade do Rio de Janeiro que Clarice adorava ir:
Jardim Botânico,
Floresta da Tijuca,
Praia do Leme,
Largo do Boticário,
Parque Lage.

Só como processo 

Não apenas uma receita ou processo, a verdade que não tem bem nem mal: “Julgar de acordo com o bem e o mal é o único método de viver.”

Seguir a força maior

Este é o nosso livre-arbítrio:
Ser livre: Seguir o próprio determinismo.
Prisão: Seguir um destino que não fosse o próprio.

Uma revolta

Clarice Lispector: “Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.


Até ao próximo post!

The Lighthouse, o curta metragem

Como primeiro post de 2021 escolhi trazer o curta metragem The Lighthouse (O farol da responsabilidade) para refletirmos sobre o tema “responsabilidade“.

A responsabilidade começa dentro de casa e vai além da porta de nossas casas. É algo tão grande que dá medo. A falta de responsabilidade tem sido a causadora de infelicidade, de tragédias, e do pouco controle sobre esta pandemia. A falta de responsabilidade tem sido o grande mal que causa injustiça social, que degrada o meio ambiente, que retira verbas da educação e saúde, que desampara crianças e idosos. 

Posso também refletir, principalmente, que juntos somos muito mais, somos capazes de fazer muito mais, e começa com a nossa responsabilidade enquanto pais, filho, funcionário, empresário,… e eleitor.
Somos responsáveis pelo outro. Precisamos um do outro.

The Lighthouse…

Até ao próximo post!

O Santo e a Porca, o livro

Se você deseja uma leitura leve, rápida e com o complemento de boas gargalhadas, então indico esta peça do brasileiríssimo Ariano Suassuna, O Santo e a Porca (1957).

Algumas páginas iniciais do livro são tomadas pela história de vida do escritor nascido na Paraíba. Só então começa a peça de três atos que foi montada em 1958, no Rio de Janeiro, e contava com nomes que na minha infância eram verdadeiros “monstros” da cultura brasileira: Ziembinski, Cacilda Becker, Cleide Yaconis, entre outros. Eles vestiram a “pele” dos personagens Euricão, Eudoro, Caroba, Pinhão, Dodó, Margarida e Benona, e cujo tema central da peça é a avareza.

“Ai a crise, ai a carestia! Santo Antônio, Santo Antônio!”

Ariano Suassuna deixava claro que O Santo e a Porca é uma imitação nordestina da peça Aulularia (Comédia de Panela) do dramaturgo romano Tito Plauto, que por sua vez inspirou Shakespeare e Molière.

Diante de um ano que foi tão difícil para a humanidade, a leitura do humor regionalista de Suassuna é um doce, que no final mostra-nos uma lição de vida para encarar uma realidade consumista que nos cega para os verdadeiros tesouros da vida.

Até ao próximo post!

Saúde é a mais bonita prenda

Muito já se falou sobre esse ano atípico de 2020. Se retornarmos para a mesma data em 2019, ninguém imaginava o que viria pela frente, mas vamos pensar no hoje. Logo mais, famílias estarão reunidas para festejar esta noite com conotação religiosa ou não, não importa. Importa estarmos em paz, esperançosos, e sobretudo, reunidos de forma responsável para que sejam acrescidas a possibilidade de voltar a nos reunir. Solidariedade, responsabilidade, empatia, cuidar, podem ser algumas das prendas a oferecer, mas a mais importante é a saúde.

Essa publicidade de um supermercado belga reflete bem o espírito que devemos ter hoje e amanhã à noite neste ano que marcou as nossas vidas. A criança oferece uma prenda à sua avó com uma cartinha que diz  ‘Vacina para a avó’. A frase final da publicidade diz :  Saúde é a mais bonita prenda. Todo o comercial é embalado por um folk rock do grupo The Heart Design, A Hero of a different kind. Vale a pena vê-lo por completo.

Boas festas com responsabilidade e saúde !

Até ao próximo post!

Ermida, uma pacata aldeia

A aldeia Ermida está localizada no Parque Nacional Peneda-Gêres (Portugal), rodeada de natureza, cascatas e pastos. Para se chegar até a aldeia é preciso percorrer as curvas estreitas da serra com cautela, pois também pode se deparar com um pequeno rebanho de ovelhas.

Já bem próximo de se chegar à aldeia avista-se ao longo da estrada pequenas cachoeiras. É lindo e reconfortante. 

O mais interessante é que essa aldeia portuguesa vive em regime comunitário. O povo reúne-se para decidir os problemas da pequena aldeia, bem como juntos revivem tradições antigas como a pastorícia. Cada família contribui para a limpeza dos caminhos por onde passa o gado. O miradouro foi construído graças a contribuição dos moradores. 

Caminhei numa manhã  por suas ruas estreitas ainda com marcas no chão da passagem de algum gado e observei a existência de pouca população e avistei apenas 3 crianças, de uma das casas ouvia-se o som de uma rádio portuguesa. Também avistei alguns espigueiros em pedra que eram utilizados para secar o milho. Não há mercado, nem restaurante, nem padaria. Algum comércio só a cerca de 4 km. Assim é a pacata aldeia de Ermida.

espigueiro
espigueiro

Aqui o curto vídeo que fiz…

Até ao próximo post!

Clarice Lispector XXXIX

Conhecer Clarice Lispector através de suas próprias crônicas escritas para o Jornal do Brasil.

A posteridade nos julgará

Quando for descoberto o remédio preventivo contra a gripe, as gerações futuras nunca mais poderão nos entender. Gripe é uma das tristezas orgânicas mais irrecuperáveis, enquanto dura. Ter gripe é ficar sabendo de muitas coisas que, se não fossem sabidas, nunca precisariam ter sido sabidas. É a experiência da catástrofe inútil, de uma catástrofe sem tragédia. É um lamento covarde que só outro gripado compreende. Como poderão os futuros homens entender que ter gripe nos era uma condição humana? Somos seres gripados, futuramente sujeitos a um julgamento severo ou irônico.”

A festa do termômetro quebrado

Era uma festa para Clarice quando se quebrava em casa um termómetro. A gota gorda e contida de mercúrio prateado, no chão, uma pequena corrida e depois imobiliza-se, imune. Tenta pegá-la com uma folha de papel por baixo.
Quando pensa que pegou o mercúrio, estilhaça-se, como dizem que nos acontece depois da morte – o espírito vivo se espalha em energia solta, pelo ar, pelo cosmo.
O mercúrio é um objeto que tem vida própria. Lidar com ele é uma experiência não substituível por outra qualquer. Ele não se cede a ninguém. E ninguém consegue pôr-lhe a mão. O espírito, através do corpo como meio, não se deixa contaminar pela vida, e esse pequeno e faiscante núcleo é o último reduto do ser humano.” As feras também são assim íntegras, indomesticáveis e vitais.

Até ao próximo post!

Geike de volta ao Hooverphonic

Se você, como eu, é fã do trio belga Hooverphonic vai comemorar o retorno da melhor vocalista de sempre do trio, Geike Arnaert. Ela esteve junto a Alex Callier e Raymond Geerts entre 1997 e 2008. Retorna em 2020 após tentar outros caminhos em carreira solo.

Esse retorno coincide com os 20 anos do lançamento de um álbum de sucesso do trio “The Magnificent Tree“, e visa a participação no Eurovision Song Contest em Rotterdam, que foi adiado para o próximo ano devido a pandemia.

O single de sucesso “Mad About You” é a música do album que foi regravada, e marca esse retorno da formação que maior sucesso internacional conseguiu desde que a banda surgiu em 1995.

Até ao próximo post!

A beleza na simplicidade

Por todos os caminhos que andei na região do Alto Minho encontrei esta flor que com sua simplicidade alegrava a trilha. Seu nome é açafrão-bravo (crocus serotinus).
Esta espécie surge durante as primeiras chuvas do Outono Ibérico em terrenos secos e pedregosos.
Sem dúvida, a felicidade está na beleza das pequenas coisas.

açafrão-bravo
açafrão-bravo
açafrão-bravo

Até ao próximo post!