Zero, o curta metragem

Zero, um curta metragem australiano (2010), que já foi bastante premiado, e legendado para vários idiomas, incluindo o português.

Interpretá-lo traz-nos várias possibilidades de análise para uma discussão. Desde refletir sobre as crianças que vivem na rua em todo o mundo, a discriminação, a superação,… O amor.

Zero é o personagem principal em uma sociedade numérica. Ele encontra uma amiga também zero, e juntos não terão fim. Vem conhecer Zero (versão em português)!

Até ao próximo post! 😉

À Bout de Souffle, 1960

 

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À Bout de Souffle(fr)
Breathless (ing)
O acossado (pt)

 

Outro dia vi este filme francês, alugado na biblioteca da cidade. Não imaginava que fosse o primeiro longa metragem de Jean-Luc Godard, e que foi filmado em menos de quatro semanas, sem roteiro concluído. Os atores recebiam as falas à medida que as cenas eram realizadas.

Este filme é considerado o melhor representante da Nova Onda (Nouvelle Vague), que buscava retratar o amor livre. Os filmes desta corrente tinham a juventude dos seus autores e estes sempre dispostos a transgredir as regras do cinema comercial da época. Eles tentaram restabelecer o conceito de cinema de autor do início da década de 30.

O título original do filme é uma expressão francesa que significa “no final das forças, sem fôlego”, e representa bem o personagem Michel Poiccard interpretado pelo belo e jovem Jean-Paul Belmondo.

Em 1983 é feita uma refilmagem, desta vez com Richard Gere em A Força do Amor, outros personagens, outro destino.

No início do filme cheguei a achar o enredo um pouco entediante e passei a admirar o “preto e branco” do filme, o vestuário e os carros da época, e tentando imaginar como estariam hoje os atores principais do filme. Isso foi só no início, o período de adaptação. Logo o filme começou a prender a minha atenção. Havia um cuidado com os ângulos de filmagem, a fotografia, não havia figurantes combinados nas ruas. No entanto, foram os diálogos filosóficos que mais me chamaram a atenção.

As frases de culto do filme que mais gostei:

  • Afinal de contas, sou estúpido se for preciso!
  • Há alguma diferença entre erotismo e amor? Não, nem por isso, acho que não acredito. Erotismo é uma forma de amor, e amor é uma forma de erotismo.
  • Qual é a sua ambição? Sr. Parvulesco? Tornar-me imortal e depois … morrer. (Respondida pelo próprio autor e produtor romeno Jean Parvulesco que participou no filme).

Até ao próximo post! 😉

Onde é a casa do meu amigo?, o filme

Muito se tem ouvido falar nos últimos dias sobre o Irão/Irã, mas acerca do obsessivo plano de guerra de um atual presidente americano, que busca deixar a sua marca de gestão com uma guerra. Eu prefiro seguir o cinema iraniano.

Eu vi este filme por três vezes na vida, e sempre fico absorvida por sua mensagem, pelo olhar e sentimento do seu personagem principal (uma criança de 8 anos). Encanta-me a trilha sonora que acompanha os movimentos do pequeno Ahmad.

Para devolver um caderno de escola que pode custar a não continuação de um amiguinho na escola, o jovem Ahmad, desobedece a mãe, sobe e desce um monte, anda por um vilarejo desconhecido, pergunta aos moradores pelo amigo, enfrenta escuridão e mais alguns poucos contratempos.

A minha dica de hoje é sobre o valor da amizade. Onde é a casa do meu amigo (1987), é um filme do já falecido diretor iraniano Abbas Kiarostami, um vencedor de vários prêmios internacionais de cinema. O filme é uma homenagem de Abbas ao amigo Sohrab Sepehri, que foi um representante da poesia moderna iraniana.

Você pode assistir ao filme completo no YouTube com legenda em português. Vamos ao trailer com legenda em inglês:

Até a próxima semana com mais posts! 😉

The Eichmann Show, o filme

Nós somos o que somos? Ou somos resultado de um meio? É possível existir humanidade num assassino de milhares de pessoas?

O filme (produção BBC Two) mostra como foi todos os preparativos e o julgamento de Adolf Eichmann, o responsável pelo extermínio de milhares de judeus. As cenas são tensas. Os testemunhos durante o julgamento são chocantes. O julgamento ocorreu em 11 de abril de 1961, em Israel.

Além do próprio Eichmann, outro personagem principal do filme é o diretor da transmissão do evento, Leo Hurwitz. Ele faz-nos refletir durante todo o filme. Seja sobre a existência do Estado de Israel, o sionismo, o fascismo, e principalmente, ele busca, incansavelmente, algum sinal de humanidade no acusado, mas Eichmann esteve todo tempo paciente diante de todos os relatos de sofrimento. Ele respondia que estava cumprindo ordens. Até onde vai a sua culpa ? Parcial ou total ?

Um filme para pensar, refletir e estar atento porque o fascismo está a dar provas que não foi extinto. Nunca será, infelizmente, mas podemos estar atentos, e evitar o seu crescimento para que um capítulo triste da humanidade não se volte a repetir, em nenhuma circunstância.

Até ao próximo post! 😉

Na natureza selvagem, o filme

Eu vi este filme faz alguns anos, mais precisamente em 2007 (Into The Wild). Foi um filme que marcou-me muito, e até hoje não consigo esquecê-lo. O que é felicidade?

Tecnicamente foi uma agradável surpresa o talento de Sean Penn para direção.

O filme aborda um jovem e sua família que preza o status, num teatro de hipocrisia com toques de opressão. Uma situação comum em muitas famílias, e até mesmo em famílias de origens simples. O filho rasga esse ritual, e segue em busca de um isolamento por paisagens do Alasca. Uma viagem ao Alasca! O fim é surpreendente.

Bom fim de semana! 😉

O escafandro e a borboleta, o filme

Primeiro fim de semana de Junho e o blog inaugura este mês com uma dica de filme. Espero que gostem. 😉

O enredo deste filme é desenvolvido através do livro homônimo de Jean Dominique Bamby.

Ele era o ainda jovem editor da revista Elle. Com uma vida invejável, de repente, sofre um acidente vascular cerebral. A sua vida de bon vivant transforma-se numa vida presa a uma cama ou cadeira de rodas. Descobre-se que foi vítima de uma doença rara, a síndrome de “locked in”.

Preso fisicamente, mas a sua mente continua em movimento, intelectualmente ativa, cria memórias, e não deixa de demonstrar um bom humor.

Através de um olho e da ajuda de uma assistente escreve o livro que deu origem a este filme. Fiz uma leitura rápida do livro, pois a versão que encontrei não tinha boa qualidade visual. O livro tem poucas páginas e com capítulos curtos.

A explicação sobre o título deixo para quando assistirem ao filme. Que faz-nos refletir sobre nossos limites, eutanásia, superações. Um filme que vale a pena conhecer.

O trailer:

Até ao próximo post! 😉

Tomboy, o filme

Estamos no fim de semana, então vai a dica de um filme europeu. 😉

Tomboy (2011), uma película francesa que aborda a questão da identidade de gênero ainda na infância. Laure com 10 anos assume perante novos amigos que é Michael. Ela observa o comportamento dos meninos vizinhos com a sua mesma idade e imita-os, tenta ser aceite no grupo. Um filme vencedor de vários prêmios.

O pai ocupado em se fixar numa cidade finge que nada se passa, a mãe grávida não aceita, a irmãzinha é uma grande companheira.

Tomboy significa maria-rapaz (port.-Pt), mas até que ponto a situação é um caso de identidade de gênero, em que a pessoa não se reconhece no corpo que nasceu, ou é uma situação ainda de construção de identidade?

Não sei responder, não fica muito claro  no filme, e acho que não é o objetivo da película. É suficiente ter conhecimento sobre. É suficiente saber que há pessoas que sofrem por não poderem revelar à sociedade a sua identidade de gênero.

Senti a dor de Laure ao ser humilhada, e quando a mãe disse-lhe que não havia outra alternativa. E tudo acontece sobre o ritmo de um filme europeu, como se estivesse a beber um bom vinho. Não há pressa, aprecia. 😉

Até ao próximo post! 😉