À Procura da Felicidade (2007), o filme e o livro.

The Pursuit of Happyness (bra: À Procura da Felicidade; prt: Em Busca da Felicidade).
Esse filme emocionante foi visto por mim mais de uma vez. Daí, resolvi ler o livro cujo filme foi baseado. Afinal, há sempre uma boa probabilidade do livro ser ainda melhor que o filme. Desta vez, não senti essa regra. O filme é melhor do que o livro. No filme, o personagem principal e real, Chris Gardner, é interpretado por Will Smith, que faz você torcer muito pelo sucesso do personagem. Aliás, Gardner, durante as filmagens, encantou-se com a dignidade, humildade e talento do ator.

O filme é a história real de um jovem pai, sem emprego, com problemas financeiros, que chegou a viver em abrigos, estações de trem, aeroporto, etc., e com a responsabilidade de cuidar de um filho de tenra idade enquanto buscava uma melhor oportunidade de emprego na tentativa de um estágio numa corretora de valores.

“Compreendendo as frustrações que ela teve antes e depois de mim, pude ver que, embora muitos de seus sonhos tivessem sido destruídos, ao me desafiar a sonhar, ela estava se dando uma nova chance.” (Pág 25, versão epub, Chris Gardner refletia sobre a vida de sofrimento da mãe)

O livro tem 3 partes principais e retrata a vida problemática de Chris desde a infância sem pai. O filme retrata a vida já a partir da fase adulta, ou seja, a parte 3 do livro. Há algumas diferenças entre o livro e o filme. A principal delas é que no livro, o filho Christopher que foi deixado pela mãe aos cuidados do pai tem apenas dezenove meses, e muitas vezes leva-o consigo ao trabalho, chegando ambos a dormirem por baixo da mesa de trabalho. No filme, o pequeno Chris tem mais idade, e é representado pelo filho do ator Will Smith. 

No livro sobre a sua vida de luta, Chris Gardner deixa claro no início que algumas circunstâncias e conversas retratadas não são uma representação precisa do que viveu. Muitas vezes no livro, ele aborda a discriminação que sofreu,nos Estados Unidos dos anos 80, por ter a sua cor de pele escura como identidade. No filme, a discriminação não é abordada de forma tão direta nos diálogos, mas as cenas mostram como o sistema americano pode ser discriminatório.

Segue um trailer do filme …


Até ao próximo post!

The Lighthouse, o curta metragem

Como primeiro post de 2021 escolhi trazer o curta metragem The Lighthouse (O farol da responsabilidade) para refletirmos sobre o tema “responsabilidade“.

A responsabilidade começa dentro de casa e vai além da porta de nossas casas. É algo tão grande que dá medo. A falta de responsabilidade tem sido a causadora de infelicidade, de tragédias, e do pouco controle sobre esta pandemia. A falta de responsabilidade tem sido o grande mal que causa injustiça social, que degrada o meio ambiente, que retira verbas da educação e saúde, que desampara crianças e idosos. 

Posso também refletir, principalmente, que juntos somos muito mais, somos capazes de fazer muito mais, e começa com a nossa responsabilidade enquanto pais, filho, funcionário, empresário,… e eleitor.
Somos responsáveis pelo outro. Precisamos um do outro.

The Lighthouse…

Até ao próximo post!

O Gambito da Dama, a série

(Sem spoiler) O Gambito da Dama (The Queen’s Gambit) é uma série com 7 episódios, e que foi baseada no romance de Walter Tevis, o mesmo autor de O Homem que Caiu na Terra, também adaptado para o cinema. Eu “engoli” rapidamente os episódios acompanhada dos filhos, e juntos, foi possível rever um mundo que já esteve presente em nossas vidas.

O xadrez é o tema central, no período da Guerra Fria, entre os anos 50 e 60, e numa época que os homens dominavam o xadrez. Surge uma jovem orfã com um enorme talento, mas com uma vida regada de problemas que vão desde a morte da mãe, passagem por orfanato, alcoolismo, dependência de medicamentos, boas e más influências de amigos, etc.

Algo que nos chamou a atenção é que os personagens pareciam ser, em certa medida, a representação de grandes mestres do xadrez. Por exemplo, a jovem talentosa Elisabeth Harmon (interpretada pela igualmente talentosa Anya Taylor-Joy) seria inspirada no Bobby Fischer, grande mestre de xadrez americano. Chegamos a essa conclusão devido o título da série e o comportamento da personagem principal. O gambito da dama seria a abertura preferida de Fischer, mas Harmon gostava da abertura siciliana.

Vale a pena conferir o trailer da série…

Até ao próximo post!

Adú, o filme

A dica para o fim de semana é um filme espanhol, que mexerá com sua sensibilidade, Adú (Netflix, 2020).

O filme mostra vários personagens e seus dramas. O relacionamento difícil entre um pai e uma filha rebelde. Esse mesmo pai trava uma luta contra a caça de elefantes em alguns países africanos. A criança, Adú, e sua irmã, que tentam fugir da sofrível vida nos Camarões entrando no porão de um avião que pensam estar voando para Paris. Ainda há como personagem um guarda espanhol fronteiriço impotente diante da problemática dos refugiados que buscam uma melhor vida na Europa. E mais alguns poucos personagens. Todos eles vão se cruzar na trama de alguma forma. E aí é que está a beleza do filme.

Eu esperava algo mais do filme, mas penso que o filme cumpriu o objetivo de nos sensibilizar para um drama real de todos os dias nas fronteiras europeias. O drama de pessoas que buscam uma vida digna, afinal somos todos seres humanos, e cada vida tem o seu valor. 

Até ao próximo post!

Cafarnaum, o filme

Cafarnaum (Capharnaüm, 2018), um filme libanês, dirigido por Nadine Labaki, que surge também como uma personagem desse filme sensível, belo, emocionante, triste, mas real.

Zain, um menino refugiado sírio, que talvez tenha 12 anos, vive sob um Líbano desgastado por guerras e conflitos internos. A maturidade de Zain faz-nos refletir sobre a importância de ouvir as crianças. Será que maus pais merecem gerar mais crianças? Essa é uma pergunta central deste marcante filme.

Até ao próximo post!


Gagarin – o primeiro no espaço, o filme

Interessante produção russa (2013) que assisti pela Netflix onde mostra o cosmonauta soviético Yuri Gagarin desde sua infância até o seu primeiro vôo ao espaço. De uma infância humilde à fama de herói. 

Além da vida de Gagarin, o filme também mostra toda a preparação para a volta sob a Terra que durou 108 min, desde a seleção de candidatos, exercícios, o lançamento da Vostok 1 no Cazaquistão até o seu retorno ao solo do nosso planeta em terras soviéticas.

Um filme que vale a pena ser visto. Também o encontrarás completo no YouTuBe.

Até ao próximo post!

 

 

Bonsai, o livro

zambraO primeiro livro do chileno Alejandro Zambra possui poucas páginas, quase a sinopse de um roteiro. E que, realmente, veio a se tornar um filme. Um livro premiado e traduzido para vários idiomas.

Julio e Emilia, dois jovens estudantes, que se conhecem numa noite que era para ser de estudos, começam um relacionamento com diversão, sofrimento, mentira, revelações íntimas, cumplicidades, sexo, e que liam muito juntos, comentavam sobre a leitura antes de trançarem as pernas, por isso há no livro muitas citações de livros e autores.

bonsaiParece uma história de relacionamento amoroso como outras, a diferença é que Zambra deixa logo claro que Emilia morrerá. Mesmo com essa revelação, Zo escritor consegue provar que um livro mesmo sendo curto pode ser capaz de surpreender e cativar o leitor. Sobre o livro se chamar ‘Bonsai‘ deixo em aberto, mas segue a dica retirada de uma das páginas do livro.

Um bonsai nunca é chamado de árvore bonsai. A palavra já inclui o elemento vivo, a árvore deixa de ser um bonsai.” 

P.S.: Segue trailer do filme Bonsái do realizador chileno Christián Jiménez baseado no livro. Uma co-produção entre Portugal, Argentina, Chile e França.

Até ao próximo post!

 

O que é amor

Paul Éluard (1895-1952), poeta francês surrealista, escreveu sobre a liberdade, sobre a guerra, … e sobre o amor.

 Anna Karina recita poema de Paul Éluard no filme Alphaville (1965) de Jean Paul Godard.

E o amor era o mais puro sentimento, apesar de uma vida marcada pela doença, pela infidelidade,  pela traição,  pela depressão, era o amor que brotava da boca do coração de Paul Éluard, capaz de revelar “o que é amor“, publicado no livro “A capital da dor” (1926).

Sua voz, seus olhos,
Suas mãos, seus lábios.
Nosso silêncio, nossas palavras.
A luz que vai embora, a luz que volta.
Um único sorriso entre nós.
Por necessidade de saber,
Vi a noite criar o dia,
Sem que mudássemos de aparência.
Oh, bem-amado de todos,
E bem-amado de um só!
Em silêncio, sua boca prometeu ser feliz.
Cada vez mais longe, diz o ódio.
Cada vez mais perto, diz o amor.
Uma carícia leva-nos da nossa infância
Cada vez que vejo a forma humana
Como um diálogo de amantes.
O coração tem uma única boca.
Tudo por acaso.
Todas as palavras ditas inesperadamente.
Os sentimentos à deriva.
Os homens vagueiam pela cidade.
Um olhar, uma palavra
Porque eu te amo
Tudo está em movimento
Basta avançar, para viver,
Seguir adiante em direção aqueles que você ama.
Fui em sua direção, sem parar na direção da luz
Se você sorrir, é para melhor me envolver
Os raios dos seus braços entreabriram a névoa.

Segue este bela homenagem à Anna Karina, com imagens do filme Vivre Sa Vie (1962), de Jean-Luc Godard, e o amor na belíssima música de HanteQue Reste​-​t​-​il de notre amour ?.

Até ao próximo post!

 

A Fronteira e The Terminal

A fronteira é um chamado para acordar. Na fronteira, não podemos evitar a verdade; as reconfortantes camadas do cotidiano, que nos isolam das realidades mais ásperas do mundo, são removidas e, de olhos arregalados, à luz fluorescente dos salões sem janelas da fronteira, vemos as coisas como são. A fronteira é a prova física do eu dividido da espécie humana, a prova de que a utópica visão aérea de Merlin é uma mentira. Eis a verdade: essa linha, diante da qual temos de parar até nos ser permitido ultrapassar e apresentar nossos documentos para serem examinados por um funcionário que tem o direito de nos perguntar mais ou menos qualquer coisa. Na fronteira, somos despidos de nossa liberdade — esperamos que temporariamente — e entramos no universo do controle. Mesmo a mais livre das sociedades livres não é livre no limite, onde coisas e pessoas saem e outras pessoas e coisas entram, onde apenas as coisas e pessoas certas devem entrar e sair. Aqui, no limite, nos submetemos ao escrutínio, à inspeção, ao julgamento. As pessoas que guardam essas linhas têm de nos dizer quem somos nós. Temos de ser passivos, dóceis. Agir de outra forma é ser suspeito, e na fronteira ser alvo de suspeita é o pior de todos os crimes possíveis.” – Salman Rushdie

Ao ler esse trecho do livro “Cruze esta linha” veio à memória o filme do Steven Spielberg, “The Terminal”, com a excelente interpretação do Tom Hanks. Segue o trailer…

Até ao próximo post!