O Gambito da Dama, a série

(Sem spoiler) O Gambito da Dama (The Queen’s Gambit) é uma série com 7 episódios, e que foi baseada no romance de Walter Tevis, o mesmo autor de O Homem que Caiu na Terra, também adaptado para o cinema. Eu “engoli” rapidamente os episódios acompanhada dos filhos, e juntos, foi possível rever um mundo que já esteve presente em nossas vidas.

O xadrez é o tema central, no período da Guerra Fria, entre os anos 50 e 60, e numa época que os homens dominavam o xadrez. Surge uma jovem orfã com um enorme talento, mas com uma vida regada de problemas que vão desde a morte da mãe, passagem por orfanato, alcoolismo, dependência de medicamentos, boas e más influências de amigos, etc.

Algo que nos chamou a atenção é que os personagens pareciam ser, em certa medida, a representação de grandes mestres do xadrez. Por exemplo, a jovem talentosa Elisabeth Harmon (interpretada pela igualmente talentosa Anya Taylor-Joy) seria inspirada no Bobby Fischer, grande mestre de xadrez americano. Chegamos a essa conclusão devido o título da série e o comportamento da personagem principal. O gambito da dama seria a abertura preferida de Fischer, mas Harmon gostava da abertura siciliana.

Vale a pena conferir o trailer da série…

Até ao próximo post!

Adú, o filme

A dica para o fim de semana é um filme espanhol, que mexerá com sua sensibilidade, Adú (Netflix, 2020).

O filme mostra vários personagens e seus dramas. O relacionamento difícil entre um pai e uma filha rebelde. Esse mesmo pai trava uma luta contra a caça de elefantes em alguns países africanos. A criança, Adú, e sua irmã, que tentam fugir da sofrível vida nos Camarões entrando no porão de um avião que pensam estar voando para Paris. Ainda há como personagem um guarda espanhol fronteiriço impotente diante da problemática dos refugiados que buscam uma melhor vida na Europa. E mais alguns poucos personagens. Todos eles vão se cruzar na trama de alguma forma. E aí é que está a beleza do filme.

Eu esperava algo mais do filme, mas penso que o filme cumpriu o objetivo de nos sensibilizar para um drama real de todos os dias nas fronteiras europeias. O drama de pessoas que buscam uma vida digna, afinal somos todos seres humanos, e cada vida tem o seu valor. 

Até ao próximo post!

Cafarnaum, o filme

Cafarnaum (Capharnaüm, 2018), um filme libanês, dirigido por Nadine Labaki, que surge também como uma personagem desse filme sensível, belo, emocionante, triste, mas real.

Zain, um menino refugiado sírio, que talvez tenha 12 anos, vive sob um Líbano desgastado por guerras e conflitos internos. A maturidade de Zain faz-nos refletir sobre a importância de ouvir as crianças. Será que maus pais merecem gerar mais crianças? Essa é uma pergunta central deste marcante filme.

Até ao próximo post!


Gagarin – o primeiro no espaço, o filme

Interessante produção russa (2013) que assisti pela Netflix onde mostra o cosmonauta soviético Yuri Gagarin desde sua infância até o seu primeiro vôo ao espaço. De uma infância humilde à fama de herói. 

Além da vida de Gagarin, o filme também mostra toda a preparação para a volta sob a Terra que durou 108 min, desde a seleção de candidatos, exercícios, o lançamento da Vostok 1 no Cazaquistão até o seu retorno ao solo do nosso planeta em terras soviéticas.

Um filme que vale a pena ser visto. Também o encontrarás completo no YouTuBe.

Até ao próximo post!

 

 

Bonsai, o livro

zambraO primeiro livro do chileno Alejandro Zambra possui poucas páginas, quase a sinopse de um roteiro. E que, realmente, veio a se tornar um filme. Um livro premiado e traduzido para vários idiomas.

Julio e Emilia, dois jovens estudantes, que se conhecem numa noite que era para ser de estudos, começam um relacionamento com diversão, sofrimento, mentira, revelações íntimas, cumplicidades, sexo, e que liam muito juntos, comentavam sobre a leitura antes de trançarem as pernas, por isso há no livro muitas citações de livros e autores.

bonsaiParece uma história de relacionamento amoroso como outras, a diferença é que Zambra deixa logo claro que Emilia morrerá. Mesmo com essa revelação, Zo escritor consegue provar que um livro mesmo sendo curto pode ser capaz de surpreender e cativar o leitor. Sobre o livro se chamar ‘Bonsai‘ deixo em aberto, mas segue a dica retirada de uma das páginas do livro.

Um bonsai nunca é chamado de árvore bonsai. A palavra já inclui o elemento vivo, a árvore deixa de ser um bonsai.” 

P.S.: Segue trailer do filme Bonsái do realizador chileno Christián Jiménez baseado no livro. Uma co-produção entre Portugal, Argentina, Chile e França.

Até ao próximo post!

 

O que é amor

Paul Éluard (1895-1952), poeta francês surrealista, escreveu sobre a liberdade, sobre a guerra, … e sobre o amor.

 Anna Karina recita poema de Paul Éluard no filme Alphaville (1965) de Jean Paul Godard.

E o amor era o mais puro sentimento, apesar de uma vida marcada pela doença, pela infidelidade,  pela traição,  pela depressão, era o amor que brotava da boca do coração de Paul Éluard, capaz de revelar “o que é amor“, publicado no livro “A capital da dor” (1926).

Sua voz, seus olhos,
Suas mãos, seus lábios.
Nosso silêncio, nossas palavras.
A luz que vai embora, a luz que volta.
Um único sorriso entre nós.
Por necessidade de saber,
Vi a noite criar o dia,
Sem que mudássemos de aparência.
Oh, bem-amado de todos,
E bem-amado de um só!
Em silêncio, sua boca prometeu ser feliz.
Cada vez mais longe, diz o ódio.
Cada vez mais perto, diz o amor.
Uma carícia leva-nos da nossa infância
Cada vez que vejo a forma humana
Como um diálogo de amantes.
O coração tem uma única boca.
Tudo por acaso.
Todas as palavras ditas inesperadamente.
Os sentimentos à deriva.
Os homens vagueiam pela cidade.
Um olhar, uma palavra
Porque eu te amo
Tudo está em movimento
Basta avançar, para viver,
Seguir adiante em direção aqueles que você ama.
Fui em sua direção, sem parar na direção da luz
Se você sorrir, é para melhor me envolver
Os raios dos seus braços entreabriram a névoa.

Segue este bela homenagem à Anna Karina, com imagens do filme Vivre Sa Vie (1962), de Jean-Luc Godard, e o amor na belíssima música de HanteQue Reste​-​t​-​il de notre amour ?.

Até ao próximo post!

 

A Fronteira e The Terminal

A fronteira é um chamado para acordar. Na fronteira, não podemos evitar a verdade; as reconfortantes camadas do cotidiano, que nos isolam das realidades mais ásperas do mundo, são removidas e, de olhos arregalados, à luz fluorescente dos salões sem janelas da fronteira, vemos as coisas como são. A fronteira é a prova física do eu dividido da espécie humana, a prova de que a utópica visão aérea de Merlin é uma mentira. Eis a verdade: essa linha, diante da qual temos de parar até nos ser permitido ultrapassar e apresentar nossos documentos para serem examinados por um funcionário que tem o direito de nos perguntar mais ou menos qualquer coisa. Na fronteira, somos despidos de nossa liberdade — esperamos que temporariamente — e entramos no universo do controle. Mesmo a mais livre das sociedades livres não é livre no limite, onde coisas e pessoas saem e outras pessoas e coisas entram, onde apenas as coisas e pessoas certas devem entrar e sair. Aqui, no limite, nos submetemos ao escrutínio, à inspeção, ao julgamento. As pessoas que guardam essas linhas têm de nos dizer quem somos nós. Temos de ser passivos, dóceis. Agir de outra forma é ser suspeito, e na fronteira ser alvo de suspeita é o pior de todos os crimes possíveis.” – Salman Rushdie

Ao ler esse trecho do livro “Cruze esta linha” veio à memória o filme do Steven Spielberg, “The Terminal”, com a excelente interpretação do Tom Hanks. Segue o trailer…

Até ao próximo post!

Camino a La Paz, o filme

O título do filme Camino a La Paz (2015) saltou-me logo aos olhos, uma oportunidade de viajar sem sair de casa. Acabei por conhecer não só um pouco da paisagem entre Buenos Aires e La Paz, como também um filme sensível com dois atores dedicados na sua interpretação (Rodrigo De La Serna e Ernesto Suárez), uma trilha sonora com um bom rock da banda argentina Vox Dei, e um enredo com uma rara amizade que acontecerá entre um jovem e um senhor de “mundos” completamente diferentes.

Apesar de um filme pouco pretensioso e com algumas cenas lentas, pareceu-me um bom exemplar de filme no gênero Road Movie. Se for o seu estilo de película, deixo a seguir um trailer. O filme completo está no YouTube com áudio e legenda em espanhol.

Até ao próximo post! 😉

Como um chefe, o filme

Como um chefe (Comme un chef, 2012) é uma comédia francesa. O filme conta com a estrela Jean Reno no papel de um chef de cozinha tradicional que entra em conflito com o CEO do restaurante que procura inovação.

Esse conflito muda de rumo quando ele conhece o talentoso Jacky Bennot (Michaël Youn), que espera uma chance na vida de mostrar todo o seu conhecimento culinário, sendo ele mesmo um fã do chef Alexandre Lagarde (Jean Reno).

Se você gosta de culinária e comédia, de certeza se divertirá com essa película.

Até ao próximo post!

O Silêncio do Mar, o filme

O Silêncio do Mar (Le silence de la mer, 2004) é uma co-produção franco-belga baseada no livro editado em 1940 com o mesmo título. Disponível no YouTuBe com legenda.

A história de uma paixão/ódio entre um militar alemão e uma jovem francesa, que dá aulas de piano dentro de um cenário de ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial.

Não achei um filme excepcional, mas foi interessante observar a tentativa de diálogo do jovem militar com a jovem francesa e o seu avô, bem como relembrar esse momento da guerra quando um presidente francês era simpatizante da causa nazista.

Marcou-me a frase dita pelo jovem militar alemão apaixonado pela cultura francesa e pela música clássica: “O amor é silencioso, mas temos que saber escutar.”

Até ao próximo post!