Meus desacontecimentos, o livro

Depois de ler “A vida que ninguém vê” fiquei curiosa por conhecer a fonte de inspiração da escritora e jornalista Eliane Brum. Foi assim que cheguei a mais outro livro dela “Meus desacontecimentos“. E descobri que a história de sua própria família é a sua fonte inspiradora.

Desde quando emigraram para o Brasil, os Brun ganham uma “perna” a mais em seu nome, e passam, por erro do escrivão, a serem os Brum. A maior parte dessa história passa-se em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A menina Eliane viveu a sua vida cercada de mulheres bondosas e tristes. A mulher onde nasceu vivia para suportar a vida. E é através do poder da história contada e da palavra que é outro corpo que a habita, a escritora vai revelando o seu segredo de inspiração e sensibilidade.

“A morte é um mundo sem palavras.”

“Um filho é mundo sem tempo.”

Obrigada por sua leitura e até ao próximo post!

Dentro do segredo, o livro

Estava curiosa por ler algum livro do português José Luís Peixoto, e a impressão foi positiva. Ele conseguiu transformar uma viagem à fechada Coreia do Norte, que é repleta de limitações para um visitante, em um livro que você deseja pacientemente percorrer e saber sua conclusão final.

A ideia inicial do escritor era estar num local onde as pessoas não tivessem a sua aparência. Para ele, é um país que estimula a imaginação por ser um país que esconde muita coisa. Através do livro conhecemos também alguns detalhes do sofrimento que foi a ocupação colonial japonesa. Sendo este o único aspecto que tanto os coreanos do Norte e do Sul estão de acordo.

Segundo o escritor, as palavras de Confúcio explicavam tudo sobre a Coreia do Norte: “Ouço e esqueço. Vejo e lembro. Faço e compreendo.” 

E ele explica mais: “A Coreia do Norte é uma ditadura severa, provavelmente a mais severa do mundo, mas não é comunista. A Coreia do Norte é o último reduto de alguma coisa, muito provavelmente também é o primeiro e único reduto dessa mesma coisa, mas não é estalinista.”

Se viajar é interpretar, então José Luís Peixoto dá sua honesta visão e opinião sobre o que viu e viveu, que pode ser diferente de outra pessoa, e isso é especialmente verdadeiro em se tratando da Coreia do Norte.

Até ao próximo post!

A vida que ninguém vê, o livro

Este é o segundo livro escrito por Eliane Brum. A jornalista e escritora foi em busca do que não é notícia, e acabou por revelar vidas de personagens encantadores.

A sua sensibilidade alerta que o mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. E é isso que sentimos nas vinte e quatro histórias que ela capturou em cenas corriqueiras. Histórias de vidas reais que vale muito a pena conhecê-las.

Quem consegue olhar para a própria vida com generosidade torna-se capaz de alcançar a vida do outro. Olhar é um exercício cotidiano de resistência.

pág 113, versão Epub

Até ao próximo post!

A última pílula

Continuando a escrever as minhas notas quando da leitura do livro A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, de Mark Manson sob forma de “pílulas”, e está é a última pílula.

A vida é feita de escolhas, e quem de forma consistente faz as melhores escolhas acaba por vencer no pôquer, e na vida. Alguns têm a obsessão de estarem certos a respeito da vida, que acaba por não vivê-la.

Durante essa caminhada, a mente humana é rápida para acreditar em irrealidades, porque o nosso cérebro é uma máquina de gerar “significado”.

A incerteza  (e anteriormente, citou o sofrimento na mesma linha) é a raiz de todo crescimento e resistência. Para o autor, os clichés como “confiar em si mesmo” e “seguir seu coração”  não devem ser assim tão rígidos, mas sim, confiar menos em si mesmo, pois o nosso coração e nossa mente falham, por isso precisamos questionar ainda mais nossas intenções e motivações.

Vivemos hoje um mundo de aparências e o sistema econômico promove essa farsa. Todo mundo precisa se importar com alguma coisa para valorizar alguma coisa. Nem sempre mais é melhor. Você já é bom o suficiente, por que o stress de buscar mais e mais? As experiências fazem parte da juventude, o descobrir. No entanto, a profundidade é o tesouro, e para trazê-lo para si é preciso compromisso. E isso vale muito para os relacionamentos.

O nosso projeto de imortalidade são os valores. O medo da morte vem do medo da vida. Quem a vive plenamente estará pronto para morrer. E para nos distrair desse momentos mais que certo, precisamos nos importar com alguma coisa.

E por aqui termino as minhas notas que poderiam ter sido muito mais. Tudo que tenho escrito foram apenas “notas”, com isso quero dizer que não concordo com todos os seus pensamentos no livro, mas identifiquei-me com alguns como com o que está escrito nos dois últimos parágrafos anteriores a este. 

Este livro conheci no blog da Irina, o Of Heart and Soul. Foi o post da querida Irina que me despertou para o livro. https://irinamarques.wordpress.com/2020/08/31/a-arte-subtil-de-saber-dizer-que-se-fda-de-mark-manson-irina-marques-arte-pensamento/
Terminei a sua leitura no ano passado quando sobrevoava Portugal.

Até ao próximo post!

Agualusa em Um Estranho em Goa

“Escrevo porque quero saber o fim”. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele.
(versão Epub, pág. 9)

E eu gosto do que Florbela Espanca escreveu e o cantor português Luís Represas, no Trovante, tão bem interpretou… “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior”. Ouçam…

Até ao próximo post!

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Um estranho em Goa, o livro

Meu último “mergulho” na literatura foi uma viagem exótica com o escritor angolano José Eduardo Agualusa até Goa, através do seu livro Um estranho em Goa. Da leitura extraí alguns trechos que me tocaram, e que passo a apresentar em alguns posts, que serão acompanhados de uma música.

” Alma parece-me uma palavra muito grande. Já toda a gente abusou dela, poetas medíocres, filósofos, guerreiros, conspiradores, mas ainda assim continua enorme. “
(pág 8, versão Epub)

A palavra “alma” continua enorme e alegre na voz da cantora brasileira Zélia Duncan…

Até ao próximo post!

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Pílula de choque III

Mark Manson escreve também sobre o sofrimento, e afirma:
A vida em si já é uma forma de sofrimento!

Calma, não é preciso encarar a afirmação como negativa, mas como realista no sentido de pelo menos atenuar o sofrimento. A evolução nos fez viver constantemente com certo grau de insatisfação, diz o autor. O sofrimento é a inspiração para mudanças, e o que nos leva a evitar os mesmos erros no futuro. No entanto, quanto mais profunda é a dor, mais impotentes nos sentimos diante dos problemas, e mais arrogantes ficamos.

Por isso, diz Mark Manson, não devemos encarar a nossa existência sob valores como o sucesso material e “prazeres-escrotos”. Devemos pautar nossa existência sob valores bons e saudáveis, e cita: “honestidade, auto aprimoramento, humildade, auto consciência, auto defesa, defesa dos outros, auto respeito, interesse pelo novo, altruísmo, criatividade “.

Numa lista que poderá surpreender alguns leitores, quais seriam os valores ruins e não saudáveis? E cita: “alcançar o poder através de manipulação ou violência, fazer sexo indisciminado, sentir-se bem o tempo todo, ser sempre o centro das atenções, não ficar sozinho, ser amado por todos, ser rico só pela riqueza, sacrificar pequenos animais aos deuses pagãos. Os valores ruins geralmente dependem de eventos externos, mesmo que venham a ser divertidos e prazerosos, que muitas vezes são alcançados por meios socialmente nocivos ou supersticiosos.

De bônus deixo a música do belga Stromae, Alors On Danse (Então, vamos dançar), que faz também refletir sobre o conteúdo do post…

Até ao próximo post!

Pílula de choque I
Pílula de choque II
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Pílula de choque II

Continuo a transmitir as impressões que Mark Manson registrou em seu livro “A sutil arte de ligar o foda-se“, sem “papas na língua”, seja no título do livro ou ao revelar cruamente as nossas “babaquices”.

Sim, babaquices, segundo o autor, porque a nossa crise deixou de ser material, e passou a ser espiritual. Por exemplo, aceitar sentimentos negativos deveria ser encarado como um sentimento positivo, o que chama de “lei do esforço invertido”. Negar os sentimentos negativos só os faz aprofundar e levar a problemas emocionais sérios. A extrema positividade, portanto, seria uma forma de fuga.

“Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é a felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”
Albert Camus (citação que está no livro)

Ele alerta que seu livro não tenta ensinar a subir na vida, mas a aceitar o erro, ou o perder, sem que te levem à destruição. Ao contrário de uma característica existente no mercado de livros de autoajuda que vende a euforia, e não ajuda a resolver os problemas que, realmente, são legítimos. Por isso, ligar o “foda-se”, segundo o autor, é encarar os desafios assustadores e difíceis da vida e agir. Agir!

Penso que combinará bem com esse post ouvir essa música que conheci em 2018 no verão italiano, FELICITÀ PUTTANA (Felicidade Filha da Puta). A letra tem humor, ironia, e o trecho que a marca: “Mas que filha da puta é esta felicidade / Que dura um minuto, mas que porrada nos dá“.

 

À Procura da Felicidade (2007), o filme e o livro.

The Pursuit of Happyness (bra: À Procura da Felicidade; prt: Em Busca da Felicidade).
Esse filme emocionante foi visto por mim mais de uma vez. Daí, resolvi ler o livro cujo filme foi baseado. Afinal, há sempre uma boa probabilidade do livro ser ainda melhor que o filme. Desta vez, não senti essa regra. O filme é melhor do que o livro. No filme, o personagem principal e real, Chris Gardner, é interpretado por Will Smith, que faz você torcer muito pelo sucesso do personagem. Aliás, Gardner, durante as filmagens, encantou-se com a dignidade, humildade e talento do ator.

O filme é a história real de um jovem pai, sem emprego, com problemas financeiros, que chegou a viver em abrigos, estações de trem, aeroporto, etc., e com a responsabilidade de cuidar de um filho de tenra idade enquanto buscava uma melhor oportunidade de emprego na tentativa de um estágio numa corretora de valores.

“Compreendendo as frustrações que ela teve antes e depois de mim, pude ver que, embora muitos de seus sonhos tivessem sido destruídos, ao me desafiar a sonhar, ela estava se dando uma nova chance.” (Pág 25, versão epub, Chris Gardner refletia sobre a vida de sofrimento da mãe)

O livro tem 3 partes principais e retrata a vida problemática de Chris desde a infância sem pai. O filme retrata a vida já a partir da fase adulta, ou seja, a parte 3 do livro. Há algumas diferenças entre o livro e o filme. A principal delas é que no livro, o filho Christopher que foi deixado pela mãe aos cuidados do pai tem apenas dezenove meses, e muitas vezes leva-o consigo ao trabalho, chegando ambos a dormirem por baixo da mesa de trabalho. No filme, o pequeno Chris tem mais idade, e é representado pelo filho do ator Will Smith. 

No livro sobre a sua vida de luta, Chris Gardner deixa claro no início que algumas circunstâncias e conversas retratadas não são uma representação precisa do que viveu. Muitas vezes no livro, ele aborda a discriminação que sofreu,nos Estados Unidos dos anos 80, por ter a sua cor de pele escura como identidade. No filme, a discriminação não é abordada de forma tão direta nos diálogos, mas as cenas mostram como o sistema americano pode ser discriminatório.

Segue um trailer do filme …


Até ao próximo post!

A sutil arte de ligar o f*da-se, o livro

Pílula de choque I:

O autor aborda vários temas, e momentos de sua própria vida, de uma forma que parece que você  recebeu um puxão de orelhas, e acorda para a realidade. Aliás, uma realidade, segundo o autor, vivida de forma obsessiva por nós, e portanto, muito pouco realista. Vivemos numa corrida para ser o mais saudável, o mais inteligente, o mais rápido, mais rico, mais produtivo, mais admirado,…, ser o melhor. E muita dessa obsessão vem… Surpresa! Vem de muitas mensagens de autoajuda que ouvimos, que lemos, e que muitas vezes se concentram no que não temos.

“O que torna-nos pior aos nossos olhos.” Mark Manson

Assim se você pensa o tempo todo em alcançar o mais longe, ir mais alto, ser mais forte, então você acaba por inconscientemente reforçar a realidade de que não é capaz. Essa obsessão acaba por fazer mal à sua saúde. E ele diz, sem papas na língua, que se você está se “fodendo” para esse mal estar, então acaba de entrar no chamado Círculo Vicioso Infernal e provocando curto-circuito.

Para terminar a primeira “pílula de choque“, deixo a Tina Turner (The Best, 1989) dizer com garra que você é simplesmente o melhor

Até ao próximo post!