A vida no céu, o livro

Quando faço viagens de avião levo sempre um livro como companhia, e isso ajuda-me a passar o tempo de tensão. Para a viagem à Hong Kong, a escolha foi uma sugestão da Carina, do blog Condownloadtador D’Estórias. Mais do que uma blogueira, a Carina(portuguesa) é uma amiga virtual especial que mora na Bélgica, como eu, mas que ainda não nos conhecemos.

O livro foi: “A vida no céu”, de José Eduardo Agualusa. Este escritor angolano tem ascendência portuguesa e brasileira. Fiquei logo curiosa no que resultaria essa mistura do mundo lusófono.

Essa multiculturalidade revelou a estória de um novo mundo, ou melhor, numa nova forma de viver depois que a Terra sofreu um dilúvio, e assim o livro é como uma fábula, e torna-se de fácil leitura para qualquer geração. Aliás, o autor informa logo à entrada: Romance para jovens e outros sonhadores.

A estória conta a vida entre zepelins com nomes de cidades conhecidas de todos nós, por exemplo, sobre a cidade flutuante de Paris. E a estória é conduzida pelo personagem Carlos, e ao longo dos capítulos vão surgindo novas personagens. E é justo sobre os personagens que fica a minha única crítica. Na minha opinião faltou mais desenvolvimento das personagens, mas nada que desqualifica esta obra.

O objetivo de encontrar um pedaço de terra que só os habitantes mais velhos ainda conseguem recordar é o que motiva as personagens. As desigualdades continuam no céu apesar da nova vida. O dilúvio não foi capaz de fazer surgir alguma harmonia.

Em cada abertura de capítulo o Agualusa fazia uma citação. E eram como “cerejas sobre o bolo”. E, como o autor disse “é um brevíssimo dicionário filosófico do mundo flutuante para uso de nefelibatas amadores”. E assim, conheci a definição para céu, viagem, noite, terra, magia, mar, voar, identidade, sonhar, nuvens, esperança, vida, epifania, luz e liberdade.

A definição que mais tocou-me foi viagem: “todo movimento de aproximação de uma pessoa a outra. Movimentos de fuga não são viagens”.

Já quase no fim do livro encontrei minha frase preferida: “O homem é o seu próprio paraíso e o seu próprio inferno”.

E o livro termina com a seguinte frase: “O melhor da viagem é o sonho”.

Até o seguimento da viagem à Hong Kong! 😉

O miau

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Ismael e Chopin, o livro

livroUma pausa nas aventuras em Hong Kong para falar de um livro que eu li, pela segunda vez na vida. A primeira foi em 2013. Esta segunda vez foi bem pouco antes de viajar à Hong Kong, ou seja, em março 2018.

Eu havia lido um livro do escritor Miguel Sousa Tavares chamado Equador. Um livro que também gostei muito, até que surgiu este livro e tornou-se um sucesso em vendas. Pensei logo em comprá-lo para os meus filhos, mas acabou por ser eu a primeira a lê-lo.  Isso mesmo, um livro para crianças, mas que em minha opinião, é para todas as idades. Um livro sublime!

Uma particularidade para quem não sabe, é que este escritor e jornalista português, é filho da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.

Ismael é o filho nº 29 e tem 52 irmãos. Todos os nomes terminam com “el”. É assim que começa essa encantadora estória.

Ismael foi escolhido pelo pai para aprender todo o seu conhecimento acumulado por gerações. E seu pai era o mais inteligente do bosque. Sabia tudo sobre como sobreviver e se defender dos seus predadores, incluindo os homens que são perigosos, mas também estúpidos. No entanto, são esquisitos e inteligentes, pois conseguem escrever a língua que falam. É aqui que é desvendado o segredo da família de Ismael. E, claro, não vou contar para vocês, queridos seguidores. 😉

E, o pai de Ismael diz (pág.19): “Os homens são estranhos, Ismael. Nem sempre escolhem o que mais gostam, aquilo que os faz ser felizes”.

E Ismael continua o aprendizado até que descobre algo extraordinário, a música de Chopin. E não é só ele que fica apaixonado, também uma árvore amiga.

O encontro entre Ismael e Chopin é mágico e emocionante. E mais não revelo deste livro que apesar da aparência de sua capa infantil, garanto-vos que é para todas as idades. Fica a dica para este feriado de um livro encantador com 58 páginas.

Espero por vocês no próximo post! ;)*

Crônica de Uma Morte Anunciada, o livro

Faz uns 3 dias que terminei de ler o livro “Crônica de Uma Morte Anunciada”, do Gabriel Garcia Márquez, coincidência com uma semana de outra morte quase que anunciada de Marielle Franco, mas motivo diferente da morte de Santiago Nassar.

Eu decidi ler esta obra, porque ia fazer uma curta viagem, e gosto sempre de ler enquanto viajo, mas eu tive alguma dificuldade em terminar a leitura deste curto livro. O que ia se passar na história, já se sabia, mas saber os motivos e como foi a morte, isso já demorou mais a se saber.

Algumas vezes, perdi-me na leitura, porque a história é contada sob o ponto de vista de um narrador, que eu pensava que seria desvendado como alguém importante na trama, mas isso não aconteceu. Só depois, pesquisando, sobre esse narrador é que vi que parece ter sido algo vivido durante a juventude do autor. Não sei se é verdade, mas pode fazer algum sentido.

Uma história que conta o assassinato de um jovem morador pelos irmãos de uma jovem que fora desvirginada antes de se casar. Com o que tenho lido de notícias ultimamente, não é algo tão irreal nos dias de hoje.

Vale a pena ter que esperar até quase o fim da leitura do livro para ler a cena da morte de Santiago Nassar, que é tão bem descrita em detalhes por Garcia Márquez que parece real. Apesar de chocante, é também quando se percebe o que é um escritor em maiúsculas.

Ao contrário de Cem Anos de Solidão, nesta obra não encontrei a riqueza de detalhes do ambiente tropical da Colômbia.

De qualquer forma sempre vale a pena ler, ainda mais quando se trata de Gabriel Garcia Márquez.

Tot ziens!;)

Prêmio Oceanos de Literatura 2018

Autores de língua portuguesa de qualquer lugar do mundo poderão inscrever suas obras na edição de 2018 do Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, parceria entre o Itaú e o Oceanos, a partir do dia 9 de fevereiro.

Obras nos gêneros de poesia, romance, conto, crônica e dramaturgia, que tenham sido publicadas pela primeira vez em 2017, podem participar da premiação.

As inscrições serão feitas a partir do preenchimento dos dados da ficha presente no site www.itaucultural.org.br/oceanos/2018 que estará disponível a partir das 10h do dia 9 de fevereiro até 18 de março. Tanto o as editoras quanto os autores podem inscrever as obras.

O livro deve ser anexado em formato PDF, mesmo que tenha sido publicado apenas em versão impressa, permitindo, assim, que os concorrentes sejam avaliados por um júri internacional, composto por escritores, críticos, professores e jornalistas do Brasil, de Portugal e de países da África lusófona.

A composição da curadoria traz dois novos nomes do universo literário em língua portuguesa, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal, e a editora Mirna Queiroz, do Brasil. As duas se juntam à gestora e idealizadora do prêmio Selma Caetano e ao jornalista Manuel da Costa Pinto, ambos brasileiros.

Premiação

Obras de diferentes gêneros concorrem entre si pelas quatro premiações do Oceanos, que correspondem a um valor total de 230 mil reais – R$ 100 mil para o primeiro colocado, R$ 60 mil para o segundo, R$ 40 mil para o terceiro e R$ 30 mil para o quarto.

O processo de avaliação e atribuição final do Oceanos ocorrerá em três etapas. Na primeira fase, um Júri de Avaliação formado por jurados convidados pela curadoria do prêmio elegerá 50 obras semifinalistas entre os livros inscritos validados pela curadoria e escolherá, por votação, os membros dos júris subsequentes (Júri Intermediário e Júri Final).

Ao Júri Intermediário caberá selecionar dentre os 50 semifinalistas os 10 finalistas, dentre os quais serão escolhidos, pelo Júri Final, os premiados de 2018. Estes serão anunciados no dia 29 de novembro, em local e horário a confirmar.

Notícia : O Globo (Brasil)
Tot ziens! 🙂

Clube da Luta,o livro

Estou de volta! Estive por um mês no Nordeste do Brasil e alguns dias em Budapeste. Mais sobre esses momentos tão distintos falarei no futuro.
Sempre que viajo levo um companheiro de viagem, um livro. E, para essas viagens  que falei não foi diferente.
Motivada por dois blogs que gosto de seguir, Ice Paradise e 1 Pedra no Caminho, a escolha do livro foi “Clube da Luta“, de Chuck Palahniuk.
Eu já tinha ouvido falar sobre o filme, mas nunca houve interesse em vê-lo, o título e os atores não me convenciam.
Primeiro li o livro e depois vi o filme. Como eu estava enganada!
O livro não é uma leitura fácil. É preciso estar muito atento. Mais o livro puxa a curiosidade de onde é que aquilo tudo vai terminar. E,o final é impressionante! Eu fiquei com ar do tipo: Como é que eu não percebi isso antes? Ao terminar o łivro disse para mim mesma que, sem dúvida, daria um bom filme.
Também foi surpreendente que este livro como o anterior que eu li, Sono, a personagem principal tem problemas de insónia.
Fui ver o filme. E concordo com a Val (blog: 1 Pedra no Caminho), eu também nunca vi o Brad Pitt atuar tão bem, e o Edward Norton foi escolhido com perfeição para o papel.
Achei o filme muito bom. Fiquei a pensar no filme e no livro por vários dias, bom sinal! O filme vem esclarecer todas as dúvidas e vazios que surgiram durante a leitura do łivro.
Neste post não é minha intenção fazer uma resenha, mas as minhas impressões sobre o livro e o filme. Não deixem de ler as resenhas dos blogs que citei acima. Se eu fosse acrescentar algo ao que elas escreveram, acabaria por revelar a grande surpresa do livro, e você perderia a vontade de navegar pela inteligente escrita do escritor americano Palahniuk.
Concluo que muitos de nós gostaríamos de ter um escape na vida como o clube da luta foi para o personagem principal.

Tot ziens! 🙂

Sono, o livro

Sono é um conto do escritor japonês Haruki Murakami. Eu escolhi esta leitura com um pouco de receio, mas o tema atraía-me, porque ultimamente tendo tido alguma má relação com o sono.
Não conhecia o autor, apesar do nome não vir a ser totalmente estranho. Ao pesquisar o nome, descobri que ele é um sucesso literário.
Sono é uma leitura simples, sem palavras difíceis com uma narrativa surpreendentemente ocidental. Por vezes, esta história não parece real, como se fosse produto de um sonho. Uma dona de  casa que sem motivos passa a ter problemas em dormir, ficando mesmo acordada por 17 dias.
A personagem, apesar de casada e ter um filho pequeno, parece viver num mundo solitário dentro de um vazio interior. Ela passava as suas horas sem dormir entre atividades domésticas, alguma atividade desportiva e a ler obras de Dostoievski. Não queria consultar um médico. O conhaque acompanhava na leitura. Estava satisfeita por poder se concentrar apesar da situação que se encontrava.
Começou a comparar o sono com a morte e revelando-se em perguntas filosóficas sobre o tema.
O conto é composto de algumas ilustrações no final de cada capítulo. O fim é como aqueles filmes que você está no êxtase e, de repente, acaba. então, você fica aborrecido porque parece que a história não fez sentido, que você perdeu seu tempo, e que vai ter mesmo que esperar pela continuação em Sono 2.
De qualquer forma valeu a pena conhecer mais um autor asiático, e como ele consegue adaptar para uma realidade quase ocidental.

Tot ziens! 🙂

A Desumanização, o livro

Mais um livro do Valter Hugo Mãe que li. Uma história triste que se passa num país pouco badalado nas notícias, a Islândia. Entre fiordes surge a história de Halldora que perdeu a sua irmã gémea (Sigridur), e que passou a ser conhecida como a “menos morta”. E a sua irmã gémea é a criança plantada. Durante a leitura vamos conhecer um pouco dos personagens que a cercam.
É um livro diferente dos demais livros deste autor português. Um livro com uma sublime nuvem poética em que o autor nos leva a saborear o belo e a tristeza, em histórias do passado e do presente dos personagens.
Este livro não é apenas uma história poética, é também uma coletânea de cultura islandesa. Há, durante o desenvolvimento desta história, referências à culinária, à música, à literatura, e ainda descrição da paisagem islandesa, que nos deixa curioso por conhecer este país que pouco se fala, que pouco se conhece, além da estupenda música de Björk.
A minha frase escolhida é muito forte, e retrata bem o sentimento da narradora desta história (Halldora):

“… Talvez valesse a pena a morte. Estaria do outro lado, sossegadamente, liberta de tanta incapacidade para ser feliz.”
pág. 101, versão e-book

Tot ziens! 🙂