Clarice Lispector VII

download.jpegO primeiro livro de cada uma de minhas vidas 

Clarice dizia que não havia o livro de sua vida, mas sim “o livro de cada uma de suas vidas”.

O livro de suas vidas foram:

  • A história do patinho feio e da lâmpada de Aladim.
  • Reinações de Narizinho
  • O lobo da estepe
  • Aos 15 anos, um livro que Clarice dizia que era ela: Felicidade, da escritora Katherine Mansfield.

Até ao próximo post!;)

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Clarice Lispector VI

 

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Publicado em 1931

Tortura e Glória

Clarice tinha uma colega de escola em Recife, que não estava enquadrada no padrão de beleza moderno, ao contrário de Clarice e suas amigas. Mas, esta colega possuía o que toda criança que gostasse de ler desejaria ter: “um pai dono de livraria.”

A colega era cruel e parecia odiar Clarice e suas amigas. Havia algum sadismo nas suas maldades para com Clarice. O gosto em ler era tanto que Clarice preferia suportar as humilhações e tentava com persistência que a tal garota emprestasse o livro da moda na época: As reinações de Narizinho.

A tal colega disse para Clarice passar em sua casa que o emprestaria. Clarice foi até a casa da garota a andar pulando, “que era o seu modo estranho de andar pelas ruas do Recife“.

Clarice batia à porta, e a garota a torturava com desculpas: “Volte amanhã. Você chegou tarde e emprestei a outra”. E, assim torturou por dias. Até que a mãe da garota fez o flagrante da maldade da filha. Desmascarou a própria filha com sua atitude vergonhosa e a fez emprestar o livro que nunca havia saído da casa, e por tempo indefinido.

Clarice retornou para casa em passos vagarosos, abraçando o livro contra o peito. Era o seu troféu, ou como Clarice disse: “Era uma mulher com o seu amante”.

 

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector V

As grandes punições 

Clarice estudou no Jardim de Infância do Grupo Escolar João Barbalho, em Recife. Foi lá que fez o seu primeiro amigo, o colega Leopoldo.

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Grupo Escolar João Barbalho

Tinham os dois boas notas, menos em comportamento. Eram impossíveis! Certo dia, Clarice começa a soluçar baixinho ao ouvir a professora chamá-la e ao Leopoldo também. Era para fazer um teste de avaliação avançada, a punição divina.

Clarice pensava ter nascido com o pecado mortal. Leopoldo tranquilo consolava Clarice, que nem sabia o que era exame, pois nunca tinha feito. Afinal, ela estava no 1° ano e faria uma avaliação do 4° ano.

Quando a professora disse: Agora! Clarice e seus soluços abafados aumentaram. Leopoldo, sempre atencioso com a menina Clarice, orientava-a. Foi graças ao Leopoldo que Clarice quis para o resto da vida a proteção masculina.

Clarice não conseguiu escrever uma única palavra, papel ensopado, lágrimas que não a deixavam enxergar, e a professora disse: Chega!

Clarice fez o 3° ano primário no Ginásio Pernambuco e voltou a encontrar Leopoldo.
Quando estava no 3° ano do ginásio, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Só voltou a ver Leopoldo, já adultos, uma vez e por acaso, na rua.

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Ginásio Pernambucano

Estes dois amigos de infância tornaram-se impossíveis, mas de outra forma. Ele é Leopoldo Nachbin, foi um dos grandes matemáticos. Um dos teoremas de Análise Complexa recebe o seu nome, Teorema de Nachbin.

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Leopoldo Nachbin

P.S.: Leopoldo Nachbin, filho de judeu polonês/polaco e judia austríaca, nasceu no Recife em 1922, e faleceu no Rio de Janeiro em 1993. Teve dois filhos,  o jornalista Luís Nachbin, e o matemático André Nachbin.

Até ao próximo post! 😉

Clarice Lispector V

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Elisa (Leah), mãe Marieta (Mania) e Clarice (Chaya)

Medo da eternidade

A ideia de eternidade surgiu na vida de Clarice em forma de chiclete. Nunca se acaba, parece história de príncipes e fadas que dava medo. Sua irmã mais velha comprou-lhe o seu primeiro chiclete. Era cor de rosa, e ao perder o sabor transformou-se em cinzento. Pareceu-lhe o elixir do longo prazer. No entanto, não foi bem assim que sentiu a novidade, e então deu um jeito de se livrar da massa cinzenta, mentindo para a irmã, que lhe prometeu dar outro em breve. Clarice sentiu algum remorso pela mentira.

P.S.: A irmã mais velha chamava-se Leah, mas quando emigrou da Ucrânia para o Brasil teve o seu nome alterado para Elisa. Ela também foi escritora e publicou sete romances e três livros de contos. Elisa Lispector faleceu no dia 6 de janeiro de 1989. Clarice Lispector a 9 de dezembro de 1977. Eram 3 irmãs: Elisa (Leah), Clarice (Chaya) e Tanya (a única da família que não teve o nome alterado). A irmã Tanya Lispector está atualmente com 104 anos.

Clarice I
Clarice II
Clarice III
Clarice IV

 

 

Clarice Lispector IV

 

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Cem anos de perdão

Clarice quando era criança gostava de roubar rosas dos grandes jardins dos palacetes em alguma rua do Recife. Ela elaborava um plano cheio de paixão para capturá-la. A menina Clarice também gostava de roubar as escondidas pitangas, e dizia para si mesma que ladrão de rosas e pitangas tem cem anos de perdão.

 

 

Clarice I
Clarice II
Clarice III

 

Clarice Lispector III

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Casa que viveu Clarice de  1925 à 1937 numa travessa da rua do Aragão no Recife

Restos do Carnaval

Clarice esperava todos os ano pelo Carnaval. As quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas de Recife, despojadas de serpentina e confete, faziam a menina Clarice, de 8 anos, sonhar. Não participava do Carnaval, mas deixaram-na ficar até 23hs sentada nos batentes da escada da casa que morava a observar a diversão dos outros. No entanto, houve um Carnaval diferente em que com as sobras da fantasia de uma amiguinha, a mãe desta fez-lhe uma fantasia de rosa com papel crepom. Este mesmo Carnaval diferente também trouxe a piora na saúde da mãe de Clarice.

 

 

 

Clarice Lispector I
Clarice Lispector II

Clarice Lispector II

Vamos começar a conhecer a Clarice menina até a Clarice mulher através de suas próprias crônicas publicadas. Ver Clarice I.

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Clarice e sua família

Banhos de mar

O pai de Clarice dizia que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. Saíam ainda de madrugada, em jejum, para pegar o bonde que levaria a família de Recife para o mar de Olinda. Não ficavam muito tempo na praia, porque o pai precisava ir trabalhar. Ao chegar em casa é que tomavam o café da manhã.

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Bonde na rua do Sol em Olinda
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Banhos medicinais em Olinda

P.S.: Naquela época havia o que se chamava “banhos medicinais em Olinda”. Eu própria, décadas depois de Clarice menina, também ia para esses banhos por causa do meu irmão mais novo. Hoje, infelizmente, a qualidade da água do mar não permite.

Fotos Google.