A biblioteca da meia-noite, o livro

Não me recordo de como cheguei ao livro A biblioteca da meia-noite (The midnight library) de Matt Haig, mas recordo que as palavras que compõem o seu título tiveram um grande poder de atração.

O livro começa com uma citação de Sylvia Plath que diz tudo sobre o que a leitura irá revelar. Um livro que eu não queria que terminasse, um livro com sabor de um bom vinho. Eu achei o livro fantástico.

Não posso ser todas as pessoas que quero e viver todas as vidas que quero. Não posso desenvolver em mim todas as aptidões que quero. E por que eu quero? Quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis de minha existência.” Sylvia Plath

A personagem principal é Nora. Ela vive o que muitos de nós vivemos, os arrependimentos. Nora sentia-se como um buraco negro, uma estrela moribunda, colapsando sobre si mesma, apesar de ser admiradora do filósofo Henry David Thoreau, ela dizia que nada nunca acontecia e esse era o problema. E ela pensa que a morte é o remédio. É quando surge a Biblioteca da Meia-Noite que dá título ao livro. A biblioteca é o intervalo entre a vida e a morte, e onde ela é a fonte de seus problemas, mas também a solução, “o livro dos arrependimentos”.

E a meia-noite é quando toda vida nova é oferecida, onde você pode escolher as opções, mas não as consequências. E a única maneira de aprender é vivendo, e não esquecer que somos como a semente de uma árvore. A árvore é a nossa vida. Esta árvore produz ramos, que por sua vez produzirão outros ramos a cada momento. E se você ficar procurando pelo sentido da vida, então não irá vivê-la.

Nora, em uma de suas vidas, conclui que “a gente passa tanto tempo desejando que a vida fosse diferente, se comparando com outras pessoas e com outras versões de nós mesmos, quando, na verdade, a maioria das vidas contém um certo grau de coisas boas e um certo grau de coisas ruins.”

É fácil lamentar as vidas que não estamos vivendo, porque não exige esforço. E o arrependimento é o que nos faz encolher.

Foram três palavras com potencial que Nora aprendeu: EU ESTOU VIVA.

Para mim: UM LIVRO PARA SEMPRE.

Até ao próximo post!

Formas de voltar para casa, o livro

Mais um livro em minha vida. Mais uma vez, ler o chileno Alejandro Zambra foi uma confirmação do seu talento como escritor e de sua sensibilidade em nos levar sobre os caminhos tortuosos das relações humanas.

Formas de Voltar Para Casa começa sua história na noite do terremoto em 3 de Março de 1985 no Chile sob a ditadura de Pinochet. São as memórias de um menino na época com 9 anos. Um menino que tinha medo, mas também  lhe agradava o que estava acontecendo com barracas sendo montadas nos jardins dos vizinhos.

Alejandro Zambra escreve com um humor sutil, daqueles que nos faz sorrir como a pureza de uma criança. Pinochet para esse menino era um personalidade da televisão que interrompia a programação nas melhores partes com enfadonhos pronunciamentos. E para esse menino comunista era alguém que lia o jornal e recebia em silêncio a zombaria. Esse menino cresce, torna-se um adolescente, e depois um adulto escritor, em que “ler é cobrir a cara e escrever é mostrá-la.”

A leitura de um livro é sempre um momento de viver outras vidas, de viajar, de conhecer aspectos de outras culturas e tanto mais. Com este livro fiquei a saber que o escritor Alejandro Zambra foi eleito pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispano-americanos. Esta mesma revista que foi criada por estudantes de Cambridge também existe com o mesmo nome e com publicação  simultânea em Portugal e no Brasil. Penso que vale a pena uma visita ao site desta revista: http://granta.tintadachina.pt/

Agradeço sua leitura, e até ao próximo post!

O Homem Que Escutava As Abelhas, o livro

Este é o primeiro livro que leio da escritora inglesa Christy Lefteri. O Apicultor de Alepo (POR) ou O Homem Que Escutava As Abelhas (BRA) narra a história imaginária de Nuri (apicultor) e sua esposa Afra (artista) durante a recente Guerra Civil na Síria. Uma busca que pela sobrevivência que os leva de Alepo para Grécia na tentativa de chegar à Inglaterra.

A escritora sendo filha de refugiados cipriotas durante a invasão turca a Chipre, e também voluntária na ajuda à refugiados que chegavam à Grécia consegue nos conduzir por uma história com beleza apesar de todo o sofrimento à volta.

Foi a experiência vivida por ela no centro de refugiados em Atenas que lhe abriu os olhos, e que a fez perceber que as pessoas queriam lhe contar a história de suas vidas e, principalmente, serem ouvidas. Elas vinham em 2007 em sua maioria da Síria e Afeganistão. Assim, surgiram os seus personagens e as abelhas, sendo estas símbolos de vulnerabilidade, vida e esperança.

Um livro que vale a pena ser lido!

Até ao próximo post!

Meus desacontecimentos, o livro

Depois de ler “A vida que ninguém vê” fiquei curiosa por conhecer a fonte de inspiração da escritora e jornalista Eliane Brum. Foi assim que cheguei a mais outro livro dela “Meus desacontecimentos“. E descobri que a história de sua própria família é a sua fonte inspiradora.

Desde quando emigraram para o Brasil, os Brun ganham uma “perna” a mais em seu nome, e passam, por erro do escrivão, a serem os Brum. A maior parte dessa história passa-se em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A menina Eliane viveu a sua vida cercada de mulheres bondosas e tristes. A mulher onde nasceu vivia para suportar a vida. E é através do poder da história contada e da palavra que é outro corpo que a habita, a escritora vai revelando o seu segredo de inspiração e sensibilidade.

“A morte é um mundo sem palavras.”

“Um filho é mundo sem tempo.”

Obrigada por sua leitura e até ao próximo post!

Dentro do segredo, o livro

Estava curiosa por ler algum livro do português José Luís Peixoto, e a impressão foi positiva. Ele conseguiu transformar uma viagem à fechada Coreia do Norte, que é repleta de limitações para um visitante, em um livro que você deseja pacientemente percorrer e saber sua conclusão final.

A ideia inicial do escritor era estar num local onde as pessoas não tivessem a sua aparência. Para ele, é um país que estimula a imaginação por ser um país que esconde muita coisa. Através do livro conhecemos também alguns detalhes do sofrimento que foi a ocupação colonial japonesa. Sendo este o único aspecto que tanto os coreanos do Norte e do Sul estão de acordo.

Segundo o escritor, as palavras de Confúcio explicavam tudo sobre a Coreia do Norte: “Ouço e esqueço. Vejo e lembro. Faço e compreendo.” 

E ele explica mais: “A Coreia do Norte é uma ditadura severa, provavelmente a mais severa do mundo, mas não é comunista. A Coreia do Norte é o último reduto de alguma coisa, muito provavelmente também é o primeiro e único reduto dessa mesma coisa, mas não é estalinista.”

Se viajar é interpretar, então José Luís Peixoto dá sua honesta visão e opinião sobre o que viu e viveu, que pode ser diferente de outra pessoa, e isso é especialmente verdadeiro em se tratando da Coreia do Norte.

Até ao próximo post!

A vida que ninguém vê, o livro

Este é o segundo livro escrito por Eliane Brum. A jornalista e escritora foi em busca do que não é notícia, e acabou por revelar vidas de personagens encantadores.

A sua sensibilidade alerta que o mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. E é isso que sentimos nas vinte e quatro histórias que ela capturou em cenas corriqueiras. Histórias de vidas reais que vale muito a pena conhecê-las.

Quem consegue olhar para a própria vida com generosidade torna-se capaz de alcançar a vida do outro. Olhar é um exercício cotidiano de resistência.

pág 113, versão Epub

Até ao próximo post!

A última pílula

Continuando a escrever as minhas notas quando da leitura do livro A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, de Mark Manson sob forma de “pílulas”, e está é a última pílula.

A vida é feita de escolhas, e quem de forma consistente faz as melhores escolhas acaba por vencer no pôquer, e na vida. Alguns têm a obsessão de estarem certos a respeito da vida, que acaba por não vivê-la.

Durante essa caminhada, a mente humana é rápida para acreditar em irrealidades, porque o nosso cérebro é uma máquina de gerar “significado”.

A incerteza  (e anteriormente, citou o sofrimento na mesma linha) é a raiz de todo crescimento e resistência. Para o autor, os clichés como “confiar em si mesmo” e “seguir seu coração”  não devem ser assim tão rígidos, mas sim, confiar menos em si mesmo, pois o nosso coração e nossa mente falham, por isso precisamos questionar ainda mais nossas intenções e motivações.

Vivemos hoje um mundo de aparências e o sistema econômico promove essa farsa. Todo mundo precisa se importar com alguma coisa para valorizar alguma coisa. Nem sempre mais é melhor. Você já é bom o suficiente, por que o stress de buscar mais e mais? As experiências fazem parte da juventude, o descobrir. No entanto, a profundidade é o tesouro, e para trazê-lo para si é preciso compromisso. E isso vale muito para os relacionamentos.

O nosso projeto de imortalidade são os valores. O medo da morte vem do medo da vida. Quem a vive plenamente estará pronto para morrer. E para nos distrair desse momentos mais que certo, precisamos nos importar com alguma coisa.

E por aqui termino as minhas notas que poderiam ter sido muito mais. Tudo que tenho escrito foram apenas “notas”, com isso quero dizer que não concordo com todos os seus pensamentos no livro, mas identifiquei-me com alguns como com o que está escrito nos dois últimos parágrafos anteriores a este. 

Este livro conheci no blog da Irina, o Of Heart and Soul. Foi o post da querida Irina que me despertou para o livro. https://irinamarques.wordpress.com/2020/08/31/a-arte-subtil-de-saber-dizer-que-se-fda-de-mark-manson-irina-marques-arte-pensamento/
Terminei a sua leitura no ano passado quando sobrevoava Portugal.

Até ao próximo post!

Agualusa em Um Estranho em Goa

“Escrevo porque quero saber o fim”. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele.
(versão Epub, pág. 9)

E eu gosto do que Florbela Espanca escreveu e o cantor português Luís Represas, no Trovante, tão bem interpretou… “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior”. Ouçam…

Até ao próximo post!

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Um estranho em Goa, o livro

Meu último “mergulho” na literatura foi uma viagem exótica com o escritor angolano José Eduardo Agualusa até Goa, através do seu livro Um estranho em Goa. Da leitura extraí alguns trechos que me tocaram, e que passo a apresentar em alguns posts, que serão acompanhados de uma música.

” Alma parece-me uma palavra muito grande. Já toda a gente abusou dela, poetas medíocres, filósofos, guerreiros, conspiradores, mas ainda assim continua enorme. “
(pág 8, versão Epub)

A palavra “alma” continua enorme e alegre na voz da cantora brasileira Zélia Duncan…

Até ao próximo post!

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Pílula de choque III

Mark Manson escreve também sobre o sofrimento, e afirma:
A vida em si já é uma forma de sofrimento!

Calma, não é preciso encarar a afirmação como negativa, mas como realista no sentido de pelo menos atenuar o sofrimento. A evolução nos fez viver constantemente com certo grau de insatisfação, diz o autor. O sofrimento é a inspiração para mudanças, e o que nos leva a evitar os mesmos erros no futuro. No entanto, quanto mais profunda é a dor, mais impotentes nos sentimos diante dos problemas, e mais arrogantes ficamos.

Por isso, diz Mark Manson, não devemos encarar a nossa existência sob valores como o sucesso material e “prazeres-escrotos”. Devemos pautar nossa existência sob valores bons e saudáveis, e cita: “honestidade, auto aprimoramento, humildade, auto consciência, auto defesa, defesa dos outros, auto respeito, interesse pelo novo, altruísmo, criatividade “.

Numa lista que poderá surpreender alguns leitores, quais seriam os valores ruins e não saudáveis? E cita: “alcançar o poder através de manipulação ou violência, fazer sexo indisciminado, sentir-se bem o tempo todo, ser sempre o centro das atenções, não ficar sozinho, ser amado por todos, ser rico só pela riqueza, sacrificar pequenos animais aos deuses pagãos. Os valores ruins geralmente dependem de eventos externos, mesmo que venham a ser divertidos e prazerosos, que muitas vezes são alcançados por meios socialmente nocivos ou supersticiosos.

De bônus deixo a música do belga Stromae, Alors On Danse (Então, vamos dançar), que faz também refletir sobre o conteúdo do post…

Até ao próximo post!

Pílula de choque I
Pílula de choque II
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