A livraria mágica de Paris, o livro

download.jpegO livreiro parisiense Monsieur Perdu vende livros como se fossem remédios para os sofrimentos da alma, para proteger da burrice e de falsas esperanças. E assim, começa o livro que só pelo título conquistou-me. É verdade, que a um certo momento da leitura o livro perde a sua intensidade, voltando a recuperar o ritmo próximo ao fim deste romance.

Em sua farmácia literária recebia seus clientes, e com uma simples conversa era capaz de identificar em sua alma o que lhe faltava. Ele lia o corpo pela postura, por seus movimentos e gestos, o que afetava e oprimia, as predições de amor. Assim combinava os romances certos com as enfermidades. Era o dom de transpercepção.

No entanto, os livros não são capazes de mudar as pessoas más. Não era possível tornar pais, maridos ou amigos melhores. Estes continuariam sendo tiranos, torturadores, odiosos nas pequenas coisas, e covardes com o constrangimento de suas vítimas.

Perdu dizia pérolas aos que lhe cruzavam como: – limpar é meditação com movimento (adorei esta!);  – ninguém ficaria inteligente se não tivesse sido jovem e estúpido em algum momento; – nunca ouça o medo! O medo emburrece.

A sua sabedoria sobre o amor era resultado também de sua própria experiência com um amor que foi o motivo de sua existência. O amor, para ele, é uma morada onde nada deve ser escondido ou “poupado”. Habitar o amor por completo é não se deixar intimidar por nenhum quarto, nem porta. Brigar, acariciar, separar, fazem parte desta habitação. Aliás, Perdu chamava os livros de lares, e também de liberdades. E dizia mais: “Todos os amores. Todos os mortos. Todas as pessoas do nosso tempo. São os rios que formam nosso mar da alma. Quando não queremos nos lembrar deles, esse mar também seca.”

Ao longo da leitura deste livro, outros livros são citados. É a chamada Farmácia Literária de Emergência de Jean Perdu. Comecei a tomar anotações dos títulos dos livros e autor, mas no final do livro encontra-se a lista completa. Também encontrará no fim do livro receitas da região de Provence, em França. E mais ainda, um impressionante roteiro por esta região feito por Perdu e seu amigo escritor Max Jordan com outros amigos que iam conhecendo. Enquanto conduzia sozinho o carro, ouviu que tocaria “Albatross”, de Fleetwood Mac. Uma canção que fazia Jean Perdu pensar no vôo de gaivotas ao pôr do sol, em uma praia distante desse mundo, no estalar da fogueira de madeira tirada dos rios.

Estive a tentar construir este roteiro. Não vou descrevê-lo aqui, pois ficaria um post cansativo. Ficará para uma possível viagem no futuro. Quem sabe? E assim, descreveria-o no blog fazendo menção ao livro. Apesar de que antes de viver na Bélgica já estive nesta região, mas o blog é sobre tudo que me acontece após viver na Bélgica. No entanto, navegando na Internet, acabei por achar um mapa com uma parte do roteiro do livro. Interessante! E interessante também é que toda esse enredo foi construído por uma escritora com origem alemã, Nina George.

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Por fim, o próprio Perdu escreve o seu livro intitulado Grande Enciclopédia dos Pequenos Sentimentos, que é uma obra de consulta para livreiros, amantes e outros farmacêuticos literários.

E, assim foi mais um livro na minha vida. 😉

Até ao próximo post! 😉

 

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O milagre da manhã, o livro

downloadUm livro de ajuda escrito por Hal Erold, que pretende nos acordar através do milagre da manhã, porque a vida é curta demais e não há tempo para ser infeliz e medíocre. Segundo ele, é um hábito que muda a vida, em que começará cada dia com disciplina, clareza, desenvolvimento pessoal e do seu estado mental.

O plano de transformação consiste em 30 dias de O Milagre da Manhã, o qual desenvolverá a confiança e sedimentará os hábitos que a pessoa necessita para atrair, criar e sustentar continuamente os níveis de sucesso que deseja e merece em todas as áreas de sua vida.

E por que pela manhã? Pela manhã não se tem todas as desculpas que se acumulam durante o dia: estou cansado, não tenho tempo, etc. E se você quer que sua vida seja diferente, precisa estar disposto a fazer algo diferente, em primeiro lugar.

A vida não deve ser uma luta, e para impedir que isso aconteça, é preciso que saiba o que faz com que o ser humano acabe levando uma vida de mediocridade. Uma das causas é síndrome do espelho retrovisor, onde recriamos o nosso passado continuadamente. Para derrotar a mediocridade, você precisa de um propósito de vida. Pode ser algo simples, até pequeno. O propósito de vida pode ser mudado a qualquer momento.

Segundo o livro, é importante saber que onde você está, é resultado de quem você era, mas para onde você vai depende inteiramente de quem você escolhe ser, a partir deste momento. E sempre que você escolhe fazer a coisa fácil em vez da coisa certa, você está mudando sua identidade, tornando-se aquele que faz o que é fácil, e não o que é certo.

O sucesso está ligado a responsabilidade. A responsabilização é o ato de ser responsável pela ação ou pelo resultado de outra pessoa. Ela traz ordem para nossas vidas e permite progredir, melhorar e obter resultados que de outro modo não obteríamos. Assim, obtenha um parceiro de responsabilização.

O milagre da manhã começa, na verdade, na noite anterior, criando, conscientemente, uma expectativa positiva para a manhã seguinte, estabelecendo suas intenções antes de deitar. A seguir, coloque o seu despertador no outro lado do quarto e escove os dentes. Ao acordar, beba um copo cheio de água e vista suas roupas de ginástica, e vá correr ou caminhar.

As pessoas extraordinárias visualizam não o que é possível, mas o impossível. Elas utilizam afirmações como uma das ferramentas mais eficientes para se tornarem rapidamente a pessoa que precisa ser para conquistar tudo o que deseja na vida.

A programação de exemplo (60 min) do Milagre da Manhã consiste em: silêncio que é a primeira prática para melhorar nossos ruidosos estilos de vida. Em seguida, afirmações, visualização, exercícios, leitura, escrever.

E você está preparado(a) para mudar a sua vida logo de manhã cedo ? 😉

Até ao próximo post! 😉

Uma mente inquieta, o livro

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Não tenho a certeza, mas acho que a sugestão de ler este livro veio do blog da Bia Ribeiro. Vou escrever sobre o livro na visão de alguém que é fora da área de psicologia ou psiquiatria, mas o livro está ao alcance da compreensão de todos, uma leitura que flui facilmente.

O livro relata a experiência de como uma profissional de saúde, que se dedica à pesquisa e ao tratamento do transtorno bipolar, lida com esse mesmo transtorno como paciente. A história de vida de Kay Redfield Jamison.

Na adolescência esteve gravemente deprimida, depois presa sem trégua aos ciclos da doença maníaco-depressiva quando começou sua vida profissional. Tornou-se uma estudiosa das alternâncias do humor. Durante os dez primeiros anos não procurou nenhum tipo de tratamento. Quando iniciou a medicação percebeu que esta não só interrompia os períodos velozes, de vôos altos; mas também ela trazia consigo efeitos colaterais aparentemente intoleráveis. No entanto, a doença deformava o seu estado de humor e os pensamentos.

Ela relata a experiência, após 3 meses de ter se tornado professora universitária, de estar descontroladamente psicótica. Acordou um dia e estava louca. A sua relutância tinha origem numa negação fundamental de que o que ela tinha era uma doença de verdade. Uma reação comum, que segundo ela, surge de uma forma bastante contrária à intuição. E o não buscar ajuda vinha do que lhe tinham ensinado sobre aguentar o tranco, sobre a auto confiança e sobre não atrapalhar os outros com nossos problemas.

A doença maníaco-depressiva é uma doença médica, assim a autora acredita que, com raras exceções, é negligência tratar essa enfermidade sem uso de medicação. No entanto, ela temia que ao tomar a medicação estaria arriscando seu último recurso.

Ela perguntava-se sobre o sentido de seguir em frente, se não podia sentir, se não podia se mexer e se não conseguia se importar. Mesmo assim, sentia-se que ela tinha consciência de que a doença tanto mata quanto dá a vida. E, assim ela contribuiu para dar ênfase ao uso combinado de medicações e psicoterapia, em vez do uso exclusivo de medicações, salientando a importância da informação sobre as doenças e seus tratamentos aos pacientes e suas famílias, bem como ajudar a mudar as atitudes públicas.

Em seu ambiente de trabalho, a maioria dos seus colegas eram do sexo masculino, e mesmo que fossem imparcial e solidários, havia alguns homens cujas opiniões sobre as mulheres eram de um tipo que se precisava ver para crer.

Apesar das dificuldades que a doença lhe trazia, ela não deixou de viver a vida e de amar. Perdeu precocemente um grande amor. Foi quando percebeu que não só a vida, mas também o amor é extremamente complicado, mais do que lhe ensinaram.

No livro, ela descreve sobre a linguagem e expressões utilizadas para descrever a doença mental, e que fere os sentimentos e os direitos dos que sofrem. Por vezes, expressões humorísticas que fazem perpetuar uma falta de amor próprio e uma auto-estigmatização. A lembrança do preconceito e da falta de sensibilidade permanece por muito tempo. Por isso, permitir que esse tipo de linguagem passe sem correção ou sem controle contribui de modo direto e indireto para a discriminação na sociedade em geral.

Não só a linguagem popular para descrever alguém com uma doença mental, mas também a própria confusão quanto ao uso do termo mais popular “transtorno bipolar” em lugar do termo histórico “doença maníaco-depressiva”, vem ao debate. Sendo a palavra “bipolar” revelada como insultuosa de uma forma estranha e intensa, pois obscurece e minimiza a doença. Enquanto, a utilização de “maníaco-depressiva” é capaz de captar a natureza e a seriedade da doença sem encobrir a realidade. Mas “transtorno bipolar” é menos estigmatizante do que “doença maníaco-depressiva”, assim percebi.

Havia o desejo de ser mãe e foi dramático quando um colega disse-lhe que sendo uma doença genética, o melhor era não pôr no mundo mais um maníaco-depressivo. Para ela, não ter os seus próprios filhos é a única tristeza intolerável em sua vida.

A ciência é a esperança. Hoje, através de uma tomografia do cérebro, é possível ver que um cérebro deprimido aparece com cores frias, verde-garrafa, roxo-escuro e azuis profundos, da inatividade cerebral. Com hipomania, o cérebro tem cores brilhantes, laranja, amarelo e vermelho.

O livro não é apenas sobre a doença maníaco-depressiva, também é sobre o amor, que foi apoio, renovação e proteção. A depressão prolongada esgota os relacionamentos através da suspeita, da falta de confiança e de amor próprio, da incapacidade de aproveitar a vida, de caminhar, conversar ou raciocinar normalmente, da exaustão, dos terrores noturnos, dos terrores diurnos. Para a autora, não há nada de bom para dizer da depressão, a não ser que ela dá a experiência de como deve ser a velhice, “ser velho e doente, estar à morte, ter a mente lerda”, pois ela é neutra, oca, cansativa e insuportável.

Um livro sobre uma experiência única de vida. E, assim foi mais um livro lido na minha vida.

Até ao próximo post! 😉

 

Flores raras e banalíssimas, o livro e o filme

downloadO nome do livro atraiu-me antes mesmo de saber o seu enredo. Flores Raras e Banalíssimas. Uma história longa e triste. Uma época política de confronto entre Getúlio Vargas e Carlos Lacerda. Uma época alta para o paisagismo brasileiro. Um livro com muitas fotos da época e dos personagens envolvidos. A história de amor entre Lota de Macedo Soares (paisagista) e Elizabeth Bishop (escritora), vencedora do prêmio Pulitzer, em 1956.

Bishop era uma depressiva crônica e tinha alguma dependência do álcool. Veio para o Brasil e instalou-se numa casa de Lota que estava a ser reformada no Estado do Rio de Janeiro, em Samambaia. Bishop achava curioso alguns nomes brasileiros serem a combinação da metade do nome da mãe e metade do nome do pai, como Rubenalda, Cleidonir. Bem, até hoje esta criatividade é motivo para gargalhadas. Não é mesmo? Ainda bem que os meus pais não tiveram esta ideia com o nome deles.

O livro descreve momentos quentes do confronto político entre Vargas e Lacerda. Bishop encontrou Lacerda ocupado em combater com raiva o presidente Getúlio Vargas através de seu jornal Tribuna da Imprensa. Certa madrugada, Lacerda foi baleado na porta de casa. Quando soube, Lota ligou preocupada para Letícia, mulher de Lacerda.

De repente, a situação se reverteu. Com o suicídio de Vargas, a população indignou-se contra Lacerda, que teve que se esconder. O que não impediu que nas eleições daquele ano, Lacerda tivesse fantástica votação. Bishop escrevia aos seus amigos americanos: “Oh this incredible country!”. Eu também acho o Brasil incrível, não necessariamente de forma positiva, não necessariamente de forma negativa, mas vejo sobretudo o presente repetir o passado, não necessariamente igual.

Um período da política em que no final de setembro de 1963, Carlos Lacerda estava nos Estados Unidos, dizendo ao Los Angeles Times que os militares iam intervir no governo de João Goulart. Um passado que explica algumas coisas do  presente, assim senti.

Lota e Bishop receberam a visita do escritor Aldous Huxley (autor de Admirável Mundo Novo). Bishop foi com ele e uma senhora para Brasília e de lá seguiram para a Amazônia. E o sertanista Cláudio Villas Boas os receberam no posto do serviço de proteção aos índios à beira do Tuatuari. Eles também foram visitar a Novacap para as malocas do Xingú.

Outros nomes que fazem parte da minha vaga lembrança de infância vai surgindo ao longo da leitura do livro. Sou invadida de nostalgia ao ler. Era época dos filmes de Oscarito, da Copa da Suécia. Outros nomes conhecidos surgem na história como a ex-vereadora do Rio, Sandra Cavalcanti, Ademar de Barros, Ibrahim Sued, Burle Marx, Roberto Castello Branco, Cartola, Zé Keti, Nara Leão, Clementina de Jesus, Nelson Rodrigues, Tônia Carrero, palhaço Carequinha, Grande Otelo, Altamiro Carrilho, Maria Clara Machado, etc. A rainha Elizabeth tinha tido um filho. Chateaubriand estava morrendo.

Outras curiosidades desconhecidas, para mim, como saber que o manto de D. Pedro I (D. Pedro IV para Portugal) estava exposto no Museu do Imperador era todo feito de penas de pica pau de peito amarelo. Também, curioso para mim, foi que Sandra Cavalcanti observou que a garrafa de Coca-Cola, naquela época, tinha um lugar certo para se fazer um furo, porque o dono da Coca-Cola apreciava os beija-flores.

Bishop relata um grande pavor quando soube de uma publicação chamada “O Grupo” de Mary McCarthy que parecia descrever em personagens fictícios a vida de Lota e Bishop de forma vulgar. Os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo ainda sendo um tabu nos dias de hoje, imaginem naquela época. Aliás, naquela época também não agradava aos homens, os destaques que as mulheres iam alcançando como o prêmio de gravura da Bienal de Paris (Anna Letycia) e o prêmio da Bienal de Gravura do México (Edith Behring).

O livro também traz uma minuciosa descrição com fotos sobre a construção do Aterro do Flamengo, e outros planos de urbanismo e construção para a cidade do Rio de Janeiro. Essa obra era a vida de Lota, de estatura baixa, deslocava-se até a obra para fiscalizar tudo. Ela chamava um condutor de esgoto que deveria passar pelo Aterro, de “merdô“. E queria desviá-lo para uma praia que seria feita em Botafogo. O Aterro era uma obra de vanguarda. No entanto, o então governador Carlos Lacerda estava mais interessado na construção de hotéis do que na ideia do Aterro. E, Lota dizia-lhe a frase de William Pitt: “Necessidade é a alegação que se dá para toda violação da liberdade humana.” Burle Marx rompeu com Lota de Macedo devido ao Aterro. Curiosidade: ambos não tinham diploma universitário.

Lota e Bishop eram muito diferentes. Bishop recriminava-se por seus desacertos. Lota era segura. Lota tinha como frase preferida: “Não me aporrinhem!” Já Bishop dizia: “O Rio não é uma cidade maravilhosa; é apenas um cenário maravilhoso para uma cidade.” Elas se separaram, e Bishop resolveu aceitar o convite da Universidade de Washington, em Seattle, para dar aulas de composição poética. A Fundação Rockefeller concedeu-lhe uma bolsa de 12 mil dólares para escrever um livro de Crônicas de Viagens no Brasil.

E, no livro há mais o presente imitando o passado quando fala da atuação do DOPS que apreendeu  a cartilha “Viver é Lutar”, aprovada pela CNBB e editada pelo MEC. Ou quando relata a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, e que foi considerada por militares e setores conservadores da sociedade, uma ameaça comunista. Derrubaram Jango e achavam que a intervenção dos militares faria a economia ser sanada e a corrupção eliminada do governo. Lacerda vai à Europa e aos Estados Unidos explicar a revolução que tinha acontecido. Não sei, mas se a autora desta obra a Carmen Oliveira tivesse a escrito este ano, talvez o livro tivesse mesmo o nome como algo: o presente imita o passado.

O fim do livro é triste, e acaba com o suicídio de Lota de Macedo, nos Estados Unidos, no apartamento de Bishop. Bischop como sua companheira de longos anos recebe a desconfiança da culpa por parte dos amigos brasileiros de Lota. Pergunto-me sempre nos casos de suicídios sobre o por quê de tentarem incriminar os parceiros dos suicidas.

O livro contém muitos mais detalhes sobre a história da política brasileira e das artes naquele período, bem como informações técnicas sobre toda a obra do Aterro, e muitos mais detalhes sobre a vida destas duas marcantes mulheres, amor, traição e suicídio.

E, assim, foi mais um livro lido em minha vida. 🙂


O filme
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Vi, recentemente, o filme Flores Raras (2013) inspirado neste livro. Ainda bem que li primeiro o livro. O livro é rico em informações. O filme dá uma pincelada na política e nas obras do Aterro do Flamengo. O filme leva quase até a metade só com cenas do relacionamento entre as duas mulheres e uma namorada/amiga da Lota, a Mary. Carlos Lacerda é um personagem desinteressante. Por volta da metade do filme é que o filme sai um pouco da relação entre Lota e Bishop, para mostrar um pouco da realidade política e da obra. O que salva o filme é a boa qualidade de fotografia, os cenários, e a atuação de Glória Pires como Lota, nas cenas sensuais e o seu aparente irrepreensível inglês. Bem como, muitos poemas belos de Elizabeth Bishop, uma das mais importantes poetisas do século XX. Aliás, o filme tem mais diálogos em inglês do que em português. Tecnicamente, penso que foi uma boa produção brasileira. 

Acredito que vale a pena ver o filme. Segue o trailler:

Até ao próximo post do blog O Miau do Leão! 🙂

Também no Instagram!

A mágica da arrumação, o livro

downloadPois é, eu entrei na “moda”. 🙂 Na verdade não vejo o assunto arrumação como moda, no sentido de algo de sucesso temporário. Eu vejo o sucesso do método KonMari como um sistema que veio despertar para organização diária dentro de um mundo em que nossas vidas são cada vez mais aceleradas e dominadas por tarefas. Daí, o sucesso do livro, programa de tv, etc.

Eu vi o método como um sistema de protocolos, de forma que nunca mais voltará a ter o seu ambiente desorganizado. A bagunça retornará não por incapacidade, mas sim pela falta de conscientização e de habilidade para organizar com eficiência.

O método corrige algumas crenças equivocadas que nos habituamos como pensar que é melhor arrumar um cômodo por vez. A sua sugestão é que a arrumação das coisas deve começar por onde há mais circulação na casa. Quando você conhecer a sensação de ter uma casa arrumada seu mundo paracerá melhor e a bagunça não voltará mais. O retorno à bagunça é chamado de efeito rebote. Deve-se fazer uma mudança drástica e repentina a ponto de levar a uma mudança interna, igualmente drástica.

A importância da organização para Marie Kondo parece ter surgido com a importância de se desfazer das coisas ao ler o livro The Art of Discarding, de Nagisa Tatsumi. Para mim, este é o “protocolo” mais difícil de ser seguido, no entanto melhorei muito ao seguir mais uma de suas sugestões que é a de não buscar a perfeição, começar devagar, se desfazendo de um ítem por dia. Tendo atenção que os ritmos do que se descarta é diferente do ritmo do que adquire. Descartar ítens desnecessários e decidir onde guardar o que sobra é, segundo ela, o segredo para a organização eficiente.

Esse descartar não pode ser levado como desprezar algo, mas dar uma nova vida ao objeto, por exemplo, doando-o. Desapegar é a grade dificuldade, sem dúvida. Para isso, ela dá dicas como, por exemplo, começar a organizar pela manhã, ao som de uma música relaxante. Começar por categorias, e não por localização. Ficando os artigos de valor sentimental por último. E decidindo por ficar com o que lhe dá alegria, sempre usando o método de redução de volume, e utilizando a verticalidade.

Importante sempre ter em mente que o princípio básico da organização é definir um lugar específico para cada coisa uma única vez. Claro, que organizar não é uma necessidade para todos, mas para quem é, sem dúvida, o livro é inspirador. Outro ponto difícil para mim é trazer os outros participantes a manterem o ambiente de convívio organizado dentro do estabelecido.

E vocês como convivem com a organização ? 🙂

A vida no céu, o livro

Quando faço viagens de avião levo sempre um livro como companhia, e isso ajuda-me a passar o tempo de tensão. Para a viagem à Hong Kong, a escolha foi uma sugestão da Carina, do blog Condownloadtador D’Estórias. Mais do que uma blogueira, a Carina(portuguesa) é uma amiga virtual especial que mora na Bélgica, como eu, mas que ainda não nos conhecemos.

O livro foi: “A vida no céu”, de José Eduardo Agualusa. Este escritor angolano tem ascendência portuguesa e brasileira. Fiquei logo curiosa no que resultaria essa mistura do mundo lusófono.

Essa multiculturalidade revelou a estória de um novo mundo, ou melhor, numa nova forma de viver depois que a Terra sofreu um dilúvio, e assim o livro é como uma fábula, e torna-se de fácil leitura para qualquer geração. Aliás, o autor informa logo à entrada: Romance para jovens e outros sonhadores.

A estória conta a vida entre zepelins com nomes de cidades conhecidas de todos nós, por exemplo, sobre a cidade flutuante de Paris. E a estória é conduzida pelo personagem Carlos, e ao longo dos capítulos vão surgindo novas personagens. E é justo sobre os personagens que fica a minha única crítica. Na minha opinião faltou mais desenvolvimento das personagens, mas nada que desqualifica esta obra.

O objetivo de encontrar um pedaço de terra que só os habitantes mais velhos ainda conseguem recordar é o que motiva as personagens. As desigualdades continuam no céu apesar da nova vida. O dilúvio não foi capaz de fazer surgir alguma harmonia.

Em cada abertura de capítulo o Agualusa fazia uma citação. E eram como “cerejas sobre o bolo”. E, como o autor disse “é um brevíssimo dicionário filosófico do mundo flutuante para uso de nefelibatas amadores”. E assim, conheci a definição para céu, viagem, noite, terra, magia, mar, voar, identidade, sonhar, nuvens, esperança, vida, epifania, luz e liberdade.

A definição que mais tocou-me foi viagem: “todo movimento de aproximação de uma pessoa a outra. Movimentos de fuga não são viagens”.

Já quase no fim do livro encontrei minha frase preferida: “O homem é o seu próprio paraíso e o seu próprio inferno”.

E o livro termina com a seguinte frase: “O melhor da viagem é o sonho”.

Até o seguimento da viagem à Hong Kong! 😉

O miau

Ismael e Chopin, o livro

livroUma pausa nas aventuras em Hong Kong para falar de um livro que eu li, pela segunda vez na vida. A primeira foi em 2013. Esta segunda vez foi bem pouco antes de viajar à Hong Kong, ou seja, em março 2018.

Eu havia lido um livro do escritor Miguel Sousa Tavares chamado Equador. Um livro que também gostei muito, até que surgiu este livro e tornou-se um sucesso em vendas. Pensei logo em comprá-lo para os meus filhos, mas acabou por ser eu a primeira a lê-lo.  Isso mesmo, um livro para crianças, mas que em minha opinião, é para todas as idades. Um livro sublime!

Uma particularidade para quem não sabe, é que este escritor e jornalista português, é filho da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.

Ismael é o filho nº 29 e tem 52 irmãos. Todos os nomes terminam com “el”. É assim que começa essa encantadora estória.

Ismael foi escolhido pelo pai para aprender todo o seu conhecimento acumulado por gerações. E seu pai era o mais inteligente do bosque. Sabia tudo sobre como sobreviver e se defender dos seus predadores, incluindo os homens que são perigosos, mas também estúpidos. No entanto, são esquisitos e inteligentes, pois conseguem escrever a língua que falam. É aqui que é desvendado o segredo da família de Ismael. E, claro, não vou contar para vocês, queridos seguidores. 😉

E, o pai de Ismael diz (pág.19): “Os homens são estranhos, Ismael. Nem sempre escolhem o que mais gostam, aquilo que os faz ser felizes”.

E Ismael continua o aprendizado até que descobre algo extraordinário, a música de Chopin. E não é só ele que fica apaixonado, também uma árvore amiga.

O encontro entre Ismael e Chopin é mágico e emocionante. E mais não revelo deste livro que apesar da aparência de sua capa infantil, garanto-vos que é para todas as idades. Fica a dica para este feriado de um livro encantador com 58 páginas.

Espero por vocês no próximo post! ;)*