Pílula de choque II

Continuo a transmitir as impressões que Mark Manson registrou em seu livro “A sutil arte de ligar o foda-se“, sem “papas na língua”, seja no título do livro ou ao revelar cruamente as nossas “babaquices”.

Sim, babaquices, segundo o autor, porque a nossa crise deixou de ser material, e passou a ser espiritual. Por exemplo, aceitar sentimentos negativos deveria ser encarado como um sentimento positivo, o que chama de “lei do esforço invertido”. Negar os sentimentos negativos só os faz aprofundar e levar a problemas emocionais sérios. A extrema positividade, portanto, seria uma forma de fuga.

“Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é a felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”
Albert Camus (citação que está no livro)

Ele alerta que seu livro não tenta ensinar a subir na vida, mas a aceitar o erro, ou o perder, sem que te levem à destruição. Ao contrário de uma característica existente no mercado de livros de autoajuda que vende a euforia, e não ajuda a resolver os problemas que, realmente, são legítimos. Por isso, ligar o “foda-se”, segundo o autor, é encarar os desafios assustadores e difíceis da vida e agir. Agir!

Penso que combinará bem com esse post ouvir essa música que conheci em 2018 no verão italiano, FELICITÀ PUTTANA (Felicidade Filha da Puta). A letra tem humor, ironia, e o trecho que a marca: “Mas que filha da puta é esta felicidade / Que dura um minuto, mas que porrada nos dá“.

 

À Procura da Felicidade (2007), o filme e o livro.

The Pursuit of Happyness (bra: À Procura da Felicidade; prt: Em Busca da Felicidade).
Esse filme emocionante foi visto por mim mais de uma vez. Daí, resolvi ler o livro cujo filme foi baseado. Afinal, há sempre uma boa probabilidade do livro ser ainda melhor que o filme. Desta vez, não senti essa regra. O filme é melhor do que o livro. No filme, o personagem principal e real, Chris Gardner, é interpretado por Will Smith, que faz você torcer muito pelo sucesso do personagem. Aliás, Gardner, durante as filmagens, encantou-se com a dignidade, humildade e talento do ator.

O filme é a história real de um jovem pai, sem emprego, com problemas financeiros, que chegou a viver em abrigos, estações de trem, aeroporto, etc., e com a responsabilidade de cuidar de um filho de tenra idade enquanto buscava uma melhor oportunidade de emprego na tentativa de um estágio numa corretora de valores.

“Compreendendo as frustrações que ela teve antes e depois de mim, pude ver que, embora muitos de seus sonhos tivessem sido destruídos, ao me desafiar a sonhar, ela estava se dando uma nova chance.” (Pág 25, versão epub, Chris Gardner refletia sobre a vida de sofrimento da mãe)

O livro tem 3 partes principais e retrata a vida problemática de Chris desde a infância sem pai. O filme retrata a vida já a partir da fase adulta, ou seja, a parte 3 do livro. Há algumas diferenças entre o livro e o filme. A principal delas é que no livro, o filho Christopher que foi deixado pela mãe aos cuidados do pai tem apenas dezenove meses, e muitas vezes leva-o consigo ao trabalho, chegando ambos a dormirem por baixo da mesa de trabalho. No filme, o pequeno Chris tem mais idade, e é representado pelo filho do ator Will Smith. 

No livro sobre a sua vida de luta, Chris Gardner deixa claro no início que algumas circunstâncias e conversas retratadas não são uma representação precisa do que viveu. Muitas vezes no livro, ele aborda a discriminação que sofreu,nos Estados Unidos dos anos 80, por ter a sua cor de pele escura como identidade. No filme, a discriminação não é abordada de forma tão direta nos diálogos, mas as cenas mostram como o sistema americano pode ser discriminatório.

Segue um trailer do filme …


Até ao próximo post!

A sutil arte de ligar o f*da-se, o livro

Pílula de choque I:

O autor aborda vários temas, e momentos de sua própria vida, de uma forma que parece que você  recebeu um puxão de orelhas, e acorda para a realidade. Aliás, uma realidade, segundo o autor, vivida de forma obsessiva por nós, e portanto, muito pouco realista. Vivemos numa corrida para ser o mais saudável, o mais inteligente, o mais rápido, mais rico, mais produtivo, mais admirado,…, ser o melhor. E muita dessa obsessão vem… Surpresa! Vem de muitas mensagens de autoajuda que ouvimos, que lemos, e que muitas vezes se concentram no que não temos.

“O que torna-nos pior aos nossos olhos.” Mark Manson

Assim se você pensa o tempo todo em alcançar o mais longe, ir mais alto, ser mais forte, então você acaba por inconscientemente reforçar a realidade de que não é capaz. Essa obsessão acaba por fazer mal à sua saúde. E ele diz, sem papas na língua, que se você está se “fodendo” para esse mal estar, então acaba de entrar no chamado Círculo Vicioso Infernal e provocando curto-circuito.

Para terminar a primeira “pílula de choque“, deixo a Tina Turner (The Best, 1989) dizer com garra que você é simplesmente o melhor

Até ao próximo post!

O Santo e a Porca, o livro

Se você deseja uma leitura leve, rápida e com o complemento de boas gargalhadas, então indico esta peça do brasileiríssimo Ariano Suassuna, O Santo e a Porca (1957).

Algumas páginas iniciais do livro são tomadas pela história de vida do escritor nascido na Paraíba. Só então começa a peça de três atos que foi montada em 1958, no Rio de Janeiro, e contava com nomes que na minha infância eram verdadeiros “monstros” da cultura brasileira: Ziembinski, Cacilda Becker, Cleide Yaconis, entre outros. Eles vestiram a “pele” dos personagens Euricão, Eudoro, Caroba, Pinhão, Dodó, Margarida e Benona, e cujo tema central da peça é a avareza.

“Ai a crise, ai a carestia! Santo Antônio, Santo Antônio!”

Ariano Suassuna deixava claro que O Santo e a Porca é uma imitação nordestina da peça Aulularia (Comédia de Panela) do dramaturgo romano Tito Plauto, que por sua vez inspirou Shakespeare e Molière.

Diante de um ano que foi tão difícil para a humanidade, a leitura do humor regionalista de Suassuna é um doce, que no final mostra-nos uma lição de vida para encarar uma realidade consumista que nos cega para os verdadeiros tesouros da vida.

Até ao próximo post!

O caminho para a felicidade suprema, o livro

Deepak Chopra mostra-nos 7 chaves ou 7 passos para alcançar a felicidade em nossa vida diária, e que também poderiam ser chamadas de chaves para a iluminação.


Primeira chave: Estar consciente do seu corpo.
Segunda chave: Encontre a verdadeira autoestima.
Terceira chave: Desintoxique sua vida.
Quarta chave: Desista de ter razão.
Quinta chave: Foque o presente.
Sexta chave: Veja o mundo em você.
Sétima chave: Viver para a iluminação.


Ele explica-nos muito mais neste livro. Orienta sobre a importância da empatia que é a capacidade de sentir o que o outro está sentindo. A resiliência emocional tão importante na atualidade, que é a capacidade de recuperação depois que algo ruim acontece. Conhecer o seu eu e ter consciência. A única cura para a infelicidade é a iluminação. O amor pode solucionar problemas.

Sua mensagem é importante diante de um mundo em que algumas pessoas para vivenciar a felicidade dependem da infelicidade de outros. Concluída a leitura de mais um livro de auto-ajuda neste ano que mudou as nossas vidas.

Até ao próximo post!

De volta à vida, o livro

“A lembrança de um abraço de amizade é menos emocionante do que a lembrança de um abraço de amor.” (pág. 8, Epub)

Continuando a viajar pelo mundo através  de autores de diferentes países… Foi a vez de ir à África do Sul.

Nadine Gondimer venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Faleceu em 2014. Ela foi uma ativista  contra o “Apartheid” em seu país, e uma defensora da preservação do meio ambiente. Por isso, o seu livro De Volta à Vida (Get a Life) traz as pegadas de luta da escritora.

“O silêncio é só para os mortos.” (p.179, Epub)

O personagem principal  é um defensor do meio ambiente que resiste contra um carcinoma papilar (câncer da tiróide). Ele recebe o tratamento com iodo radioativo que é perigoso aos outros que entram em contato.

Torna-se uma espécie de leproso do século XXI. Sua esposa tem uma profissão que trabalha em sentido contrário à defesa do meio ambiente. 

A luta diária, antes e depois do tratamento, é pela preservação do Delta do Okavango (Botsuana), que é uma das Sete Maravilhas  da África, podendo ser visto do espaço.

Esperava mais do livro, já que a autora recebeu o Nobel de Literatura. Por vezes, o enredo ia por caminhos incompreensíveis, e uma situação triste no relacionamento dos pais do personagem que me deixou enojada, sem entender  porque as pessoas  magoam as outras por futilidades  quando existe companheirismo e amor. Essa situação  lembrou-me o pior livro que li de Paulo Coelho (Adultério).

Até ao próximo post!

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O Guia Mochileiro das Galáxias, o livro

Com a impossibilidade de estar com um guia de viagem, viajei entre planetas com o clássico da ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Eu já conhecia a versão filme. O autor é dos poucos que foram capazes  de contemplar o universo em sua totalidade, juntando-se a Einstein, Hubble e Feynman.

De um sonho do autor, enquanto cochilava bêbado em terras austríacas, sem condições de comunicação, foi que surgiu a ideia do livro que narra as aventuras de Arthur Dent. Daí, virou série de rádio, compilação em fita cassete e, finalmente, um best-seller mundial, e foi parar na televisão britânica.

O personagem Arthur Dent em companhia de outros personagens bizarros revelam uma trama em forma de montanha russa rumo ao planeta de Magrathea. Nessa trama, o falecido Douglas Adams revela o seu gosto pela leitura, pelo humor, pelos animais selvagens e por tecnologia.

Penso que é uma experiência de leitura, ou mesmo de filme, que vale a pena ser conhecida e refletida sobre tudo que nos cerca neste imenso sistema. Ainda mais se você for fã do humor de Monty Python. Vamos ver o trailer do filme …

Até ao próximo post!

A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, o livro

junot

 

Durante o lockdown na Bélgica surgiu a ideia de viajar através da literatura. Peguei minha lista de livros lidos e verifiquei a nacionalidade de cada escritor, 27 nacionalidades! Foi assim que cheguei ao livro do dominicano Junot Díaz, a 28a. nacionalidade. Um livro vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2008.

 

livro wao

 

 

Quando você consegue ter um mínimo de felicidade, ela desaparece como se nunca tivesse existido“.
(Pág. 208, versão Epub)

 

 

 

A fantástica vida breve do jovem Oscar Wao, obeso, tímido, incomum e amante de RPG, e que se torna professor de redação criativa, sem conseguir publicar suas obras. O enredo passa-se durante o período de ditadura de Rafael Leónidas Trujillo Molina na República Dominicana. Este seria o criador ou criatura da maldição (fukú).

O fukú abateu-se sobre os ascendentes familiares de Oscar Wao, quando o avô deste recusou entregar sua linda e culta filha mais velha para satisfazer o apetite sexual do ditador. Supõe-se que a maldição tenha vindo da África trazida pelos gritos dos escravizados e Santo Domingo tenha sido o porto de entrada.

Supõe-se que a família Kennedy foi outra que sofreu um fukú, após JF Kennedy ter dado sinal verde para o assassinato do ditador dominicano Trujillo, em 1961.

A vida breve de Oscar Wao entrelaça-se com a história da República Dominicana, um país que, segundo o livro, é exportador de putas, mas também, e infelizmente, um país de dez milhões de Trujillos. Um país ainda preso a rivalidades com o Haiti e Porto Rico.

E assim viajei sem correr riscos até a América Central.

Até ao próximo post!

 

 

A noiva jovem, o livro

bariccoÉ o primeiro livro que leio do italiano Alessandro Baricco. Fiquei impressionada com a forma como escreveu A Noiva Jovem. Fui pesquisar sobre o escritor, e descobri que além de escrever livros, ele também  faz crítica musical e toca piano.

Está explicada a sua relação com a escrita, onde parece conseguir reger uma orquestra que executa a narrativa do livro, e a entrada do próprio autor, que ora está em conversa com a companheira, ora em diálogo com um vizinho de mesa num restaurante, ou mesmo num episódio sobre como aconteceu a perda de um computador.

noivaPode parecer uma leitura confusa, mas a verdade é que num livro onde a quase totalidade das personagens não possuem nome, e por isso são tratados como a noiva, o filho, o pai, a mãe, a filha, o tio, etc. Alessandro  Baricco consegue colocar frases sobre frases, acontecimentos  sobre acontecimentos, e tudo faz sentido como um acorde.

O sexo infeliz é o único desperdício  que nos torna piores.” (versão epub, pág. 78)

O erotismo é uma presença constante no livro sempre embalado pelas personagens femininas, onde um gesto bem executado,  sem pressa, pode ser capaz de atingir o prazer sexual.

O fato é que alguns escrevem livros, outros os leem: sabe deus quem está em melhor posição para entender alguma coisa.” (versão epub, pág. 133). Com certeza, estar na posição de leitor de Alessandro Baricco é uma posição privilegiada na orquestra que é o seu livro.

Até ao próximo post!

A beleza da severidade

Durante a leitura de Cruze Esta Linha surge um nome familiar e respeitado, possivelmente mais conhecido e valorizado fora de seu país, Sebastião Salgado. O seu talento brinda-nos com uma imagem que fala por si. E é sobre ela, a reflexão do escritor Salman Rushdie:

Há uma foto de Sebastião Salgado que mostra o muro entre os Estados Unidos e o México serpenteando pela crista dos montes, sumindo na distância, até onde o olho pode enxergar, parte Grande Muralha da China, parte Gulag. Há uma espécie de beleza brutal ali, a beleza da severidade. Em intervalos há torres de vigia no muro, e nelas, chamadas de “torres do céu”, há guardas armados. Na foto, vemos a minúscula silhueta de um homem correndo, um imigrante ilegal, perseguido por outros homens em carros. O estranho na foto é que, embora o homem correndo esteja claramente do lado americano, ele está correndo para o muro, e não se afastando dele. Ele foi visto, e tem mais medo dos homens que o perseguem em carros do que da vida pobre que pensava ter deixado para trás. Estava tentando voltar, tentando desfazer seu lance de liberdade. Então a liberdade agora tem de ser protegida, contra aqueles que são pobres demais para merecer seus benefícios, pelos edifícios e procedimentos do totalitarismo.” – Salman Rushdie

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foto retirada do Google

Até ao próximo post !