Camille Jenatzy, o belga recordista

No dia da segunda volta das eleições no Brasil fazia um agradável dia de Outono em Bruxelas. Um convite perfeito para passear e buscar conhecimento. 

A escolha foi o Museu Autoworld com os seus mais de 250 automóveis.

Foi lá que conheci a história do belga Camille Jenatzy, que estabeleceu um recorde de velocidade de estrada de 105,88 km/h em 29 de abril de 1899, em Achères (França). Ao fazê-lo, ele se tornou a primeira pessoa a ir mais rápido do que 100 km por hora. Ele conseguiu essa façanha em um carro que ele mesmo projetou, “La Jamais content” (Nunca Satisfeito).

O carro de Jenatzy, engenheiro e piloto, era movido por dois motores elétricos produzindo um total de 50 kW. As baterias forneciam energia e representavam quase metade do peso total do carro, em torno de 750 kg. Foi somente nas décadas de 1920 e 1930 que os carros com motor a gasolina começaram a usurpar os carros elétricos, antes de substituí-los completamente.

Uma réplica de seu projeto vencedor está neste museu.

Achei muito interessante a exposição sobre como eram sinalizados a mudança de direção usando uma seta e o pisca (alerta) era uma “mão” em vermelho.

A seguir mostro uma foto do Parque Centenário onde está localizado este museu e outros museus.

Aproveitei para voltar a ser criança e sentei num carro semelhante a a um Fórmula I.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

O leão do blog

Vocês já observaram o símbolo do blog O Miau do Leão? Um leão em preto com a língua e as garras em vermelho e sob um fundo em amarelo. É o símbolo do leão flamengo que lembra o tricolor da bandeira belga.

No entanto há um outro leão todo em preto no fundo em amarelo. Ele é o símbolo do movimento de emancipação flamenga, mas, infelizmente,  tem surgido cada vez mais nas fachadas das casas flamengas da Bélgica como o símbolo de um partido de extrema direita. Foi durante a Segunda Grande Guerra Mundial, que a aversão ao leão flamengo tricolor atingiu seu pico. Havia um provérbio: “O vermelho esconde o rosto do judeu risonho”. Naquela época, uma boa parte da população também fazia pouca distinção entre “judeu” e “comunista”. 

Infelizmente, os símbolos nacionais têm sido apropriados por integrantes de partidos de extrema direita um pouco por todo o mundo. A intenção é a mesma: classificar as pessoas entre patriotas de um lado e inimigos da pátria do outro lado. 

O patriotismo é muito diferente do que pregam semelhantes grupos. Patriotismo é amor e não ódio. Esses grupos um pouco por todo o mundo deturpam o significado de patriotismo, confundem as pessoas e se apropriam ilicitamente de símbolos nacionais.

O leão do meu blog é amor, é alegria, é a diversidade de todos os povos que formam e vivem na Bélgica.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

A expedição do belga Gerlache

Faz tempo que não escrevo sobre fatos curiosos sobre a Bélgica. Retorno hoje, afinal a ideia e o nome do blog partiu da necessidade de conhecer mais sobre o país que vivo. Vou contar sobre uma expedição belga que entrou para a história.

Há 125 anos que o navio de pesquisa Belgica partiu de Antuérpia para a Antártida. Foi a primeira expedição científica para a área. A missão liderada pelo belga Adrien de Gerlache, então com 31 anos, se transformou em uma jornada infernal na qual a tripulação teve que passar o inverno na Antártida sem planejamento, algo que ninguém jamais fez antes.

No final do século 19, a Antártida era desconhecida, e o jovem oficial da marinha belga conseguiu ser o primeiro a organizar uma expedição científica até lá. A Bélgica não era um país de marinheiros.

Ele esperava que o rei Leopoldo II e ricos industriais o ajudassem, mas isso não aconteceu e ele levou anos para conseguir o dinheiro necessário.

Em 1896, Adrien De Gerlache comprou o Patria, um baleeiro e caçador de focas na Noruega, e o converteu em um navio de pesquisa. E ele o chamou de Belgica, mas a marinha belga recusou-se a registrar o navio.

O navio suportou várias tempestades e quase naufragou por duas vezes. Na Antártida, ele ficou preso no bloco de gelo. Só após 1 ano foi libertado do gelo pela tripulação e depois de 2 anos voltou a atracar no porto de Antuérpia.

Sua tripulação era de 24 pessoas de 6 nacionalidades diferentes. E durante o período  que ficaram presos no gelo, viveram na escuridão total por meses, em um ambiente hostil com tempestades e nevascas. A temperatura a bordo estava sempre abaixo de zero. Usavam velas. A tripulação adoeceu por falta de vitaminas. Também mentalmente foi muito difícil devido à falta de sol e ao isolamento.  Um cientista belga com problema cardíaco congênito veio a falecer e um marinheiro norueguês lutou contra a psicose até o fim da sua vida.

A expedição forneceu informações sobre a fauna, flora e paisagens da Antártida e da Terra do Fogo. Eles também mapearam uma parte da Antártida que faltava, e descobriram um estreito, que mais tarde foi chamado de Estreito de Gerlache. Vários cabos, baías, ilhas e montanhas receberam nomes belgas, por exemplo: Ilha de Antuérpia, Ilha Brabante, Ilha de Gent, Ilha de Liège e Baía de Flandres.

Hoje, o Estreito de Gerlache é a área turística mais visitada da Antártida.

Agradeço sua leitura e até ao próximo post!

Refúgio masculino na Bélgica

Homens que são vítimas de violência em seu relacionamento ou em sua família é uma realidade que pouco se fala, um tabu.

Quando o primeiro refúgio masculino  (Sam Huis) foi inaugurado em 2016, nos arredores de Mechelen (Bélgica), foi procurada por 24 homens que solicitaram ajuda. O endereço exato é secreto. E eu mesma só passei a saber após fazer um curso de integração, recentemente. E quando se falou no assunto, houve alguns risos.

Estima-se que 1 em cada 20 homens tenha de lidar com violência entre parceiros,  que pode ser física e/ou psicológica. Quando entram na casa não dizem imediatamente que são vítimas de violência. Geralmente, vão primeiro ao médico com queixas de que não se sentem bem, pois ainda há muita vergonha.

Os especialistas do abrigo tentam parar a violência dentro do relacionamento, tentam trabalhar junto com o parceiro. E eles esperam que o tabu desapareça cada vez mais, para que os homens ousem pedir ajuda com mais rapidez. No mesmo ano foi criada uma linha telefônica (Mannenklap) para os homens que têm que lidar com violência conjugal, como vítima, testemunha ou agressor.

Mais informações estão em: www.cawboommechelenlier.be

Até ao próximo post!

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Saúde é a mais bonita prenda

Muito já se falou sobre esse ano atípico de 2020. Se retornarmos para a mesma data em 2019, ninguém imaginava o que viria pela frente, mas vamos pensar no hoje. Logo mais, famílias estarão reunidas para festejar esta noite com conotação religiosa ou não, não importa. Importa estarmos em paz, esperançosos, e sobretudo, reunidos de forma responsável para que sejam acrescidas a possibilidade de voltar a nos reunir. Solidariedade, responsabilidade, empatia, cuidar, podem ser algumas das prendas a oferecer, mas a mais importante é a saúde.

Essa publicidade de um supermercado belga reflete bem o espírito que devemos ter hoje e amanhã à noite neste ano que marcou as nossas vidas. A criança oferece uma prenda à sua avó com uma cartinha que diz  ‘Vacina para a avó’. A frase final da publicidade diz :  Saúde é a mais bonita prenda. Todo o comercial é embalado por um folk rock do grupo The Heart Design, A Hero of a different kind. Vale a pena vê-lo por completo.

Boas festas com responsabilidade e saúde !

Até ao próximo post!

Passar a noite no cólon ?

Eu já trouxe (aqui) a fama da Bélgica ser o país europeu das casas mais feias, ou no mínimo, de arquitetura estranha. Neste post trago mais um projeto polêmico de arquitetura, o hotel Casanus, que fica em Stekene (Bélgica), próximo da fronteira com a Holanda.

exterior do hotel, imagem retirada da Internet

Que tal dormir dentro de um ânus ? Isso mesmo! É essa a experiência  que o hotel Casanus promove pelo custo de 120€ por noite. O projeto do designer holandês Joep Van Lieshout é um modelo intestinal gigante que permite aos hóspedes passar uma noite aconchegante dentro de um enorme cólon.

Um dos quartos, imagem retirada da Internet

Seu interior é estreito com curvatura de ânus. Seu exterior é esculpido com veias salientes e um esfíncter enrugado gigante (não funcional) em uma extremidade, e pintado de vermelho visceral de órgãos expostos. Toda a estrutura está localizada próxima a um lago para combinar com a ideia.

Outra vista do hotel, imagem retirada da Internet
Vista do hotel e lago, imagem retirada da Internet

Até ao próximo post!

O país das casas feias

Gosto não se discute, mas a Bélgica leva uma fama do país europeu com as casas de arquitetura mais feia, ou se preferir, de gosto duvidoso. Essa fama é logo observada ao atravessar a fronteira quando se revela uma confusão de casas diferentes, portas e janelas diversas, revestimentos de duvidosa combinação, enfim um pouco de tudo.

fig 1 imagem Google: Ugly Belgian Houses

A situação gerou um livro sob o título “Ugly Belgian Houses”, que não foi bem recebido pelos arquitetos belgas. Alguns moradores ficaram irritados e contrataram advogados.  O seu criador já teve mesmo que suspender temporariamente a conta no Instagram.

fig 2 imagem Google: Ugly Belgian Houses

Hannes Coudenys, autor do projeto, livro e documentário, diz que costuma procurar pessoalmente de carro, mas também recebe dicas de pessoas. Quando as fotos que recebe são ruins, então ele vai até a casa para tirar uma foto melhor.

fig 3 imagem Google: Ugly Belgian Houses
fig 4 imagem Google: Ugly Belgian Houses
fig 5 imagem Google: Ugly Belgian Houses

Na rua que vivo há 4 candidatas ao livro, mas não vou correr o risco de publicá-las. 🙂 E vocês, o que acharam dessas casas ? Segue um vídeo que não é do autor do projeto com mais casas belgas.

Até ao próximo post!

Tyne Cot, para não esquecer

O cemitério Tyne Cot em Zonnebeke (Bélgica), próximo a Ieper (aqui), é o maior cemitério britânico e das ex-colônias inglesas no mundo, “Commonwealth War Graves Commission” (CWGC). Estão sepultados 12000 mil soldados da Primeira Guerra Mundial. Mais de 8300 soldados nunca foram identificados. Eles morreram em batalhas em torno da cidade de Ieper (Bélgica)  entre 1914 e 1918, mas a maioria deles perderam a vida na 3a. Batalha de Ieper ou Batalha de Passendale, em 1917. 

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No monumento que se encontra no cemitério Tyne Cot estão gravados os nomes de 35 mil soldados britânicos e neozelandêses que morreram, quase todos, entre agosto de 1917 e novembro de 1918, e que não se conhece onde ficaram sepultados no campo de batalha.

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Os túmulos pertences a soldados judeus possuem sobre a lápide algumas pedrinhas, uma tradição judaica.

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Dos 205 mil soldados do Reino Britânico na Primeira Guerra Mundial que foram recordados na Bélgica, aproximadamente metade não foi conhecido o local de sepultamento. Os corpos deles nunca foram achados ou identificados. Muitos deles têm escrito na campa “Known Unto God“.

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Em alguns túmlos estão sepultados mais de um corpo.

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6 corpos sepultados

Não podemos esquecê-los! Não podemos deixar que volte a acontecer!

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Papoilas (simbólicas) que surgiram sob o campo de batalha

Até ao próximo post!

2 imagens curiosas

Duas imagens curiosas das últimas semanas que me marcaram:

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  • Uma máquina para venda de livros na estação central de Antuérpia.
  • Uma aquisição que fiz para recordar a Remington verde que eu usava para os trabalhos da escola

Até ao próximo post! 😉

Rua Sem Nome, Bélgica

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Por vezes, há coisas na Bélgica difíceis de compreender e que são resolvidas com simplicidade.

A Bélgica está sem governo, novamente, há meses, mas tudo funciona dentro da normalidade. Estamos sobre auto-gestão, no entanto cada instituição sabe o seu dever.

Aqui está outro exemplo de uma solução simples. O motivo não sei. A verdade é que existe uma rua, cujo nome é Sem Nome. Rua Sem Nome (Zonder -Naam Straat), em Gent.

Até ao próximo post ! 😉